A sede de vingança. Um sentimento tão natural ao ser humano, como o amor, o ódio ou o medo. Um instinto que se estende ao longo dos séculos e que marca a nossa história.
O que terá levado D. João II a assassinar o seu cunhado? D. Afonso II a se opor às suas irmãs, D. João IV a disputar o poder com os seus meios-irmãos ou o infante D. Afonso a rivalizar com o seu próprio pai, D. Dinis? Que sentimento avassalador terá guiado D. Pedro I contra os carrascos de Inês de Castro? O que terão em comum as mortes de Sidónio Pais e Humberto Delgado com o atentado falhado a Salazar, a conspiração contra o Marquês de Pombal ou o processo contra a família Távora?
Vinganças norteadas por razões políticas, religiosas ou em defesa da honra. Vinganças cometidas por mulheres ou entre irmãos, motivadas por amor ou por dinheiro. Vinganças que terminaram em sangue, disputadas em lados opostos do campo de batalha ou aquelas que passadas à prática falharam redondamente.
O historiador Ricardo Raimundo reúne neste livro mais de 40 episódios de traições e Grandes Vinganças da História de Portugal, desde o início da nacionalidade até ao século XX. Um retrato curioso da nossa História feito à lei do olho por olho, dente por dente.
Ricardo Raimundo nasceu em Lisboa, em 24 de novembro de 1981. Licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 2003, e, em 2006, tornou-se mestre em História Moderna pela mesma faculdade.
É colaborador do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa e, ao longo do seu percurso académico, tem publicado, em revistas da especialidade, diversos trabalhos sobre fontes inéditas depositadas no Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo.
Colaborou no Dicionário Histórico das Ordens e Instituições afins em Portugal (2010), na obra Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Ribatejo Norte: uma história centenária (1914-2014) e é autor de uma dezena de livros de divulgação histórica.
Ora aqui vai uma belíssima colectânea de vinganças: há pais contra filhos, contendas de meios irmãos, uma mulher que morde o marido, uma irmã que mata outra, etc, etc...
E há ainda aquelas vinganças um pouco mais sérias como é o caso das vinganças políticas, religiosas, económicas, passionais e muitas outras mais!
São mais de 40 estes thrillers da vida real - histórias de ódio, raiva e sangue com que a nossa História nos presenteia...
Quem envereda pelo Caminho da Vingança emborca um Copo de Veneno. São múltiplas as maleitas causadas pelo ódio - vão desde os meros problemas digestivos até às graves perturbações cardíacas, com alguns outros males mais ou menos sérios de permeio.
Lá dizia Confucio: "Antes de embarcar numa vingança, cave duas covas"
Moral da história: O Perdão é mais Saudável! 😉
Para terminar, não resisto a deixar-vos aqui um pequeno episódio que ocorreu na noite do casamento de D. Carlota Joaquina com D. João VI:
“Preparando-se o príncipe, então com 17 anos, para responder aos apelos da natureza que há muito o inquietavam, e consumar o casamento, a princesa, que tinha apenas 10 anos, agrediu-o, mordeu-lhe fortemente a orelha e atirou-lhe um castiçal à cara. A situação foi de tal modo grave que, depois deste episódio, fez-se um ato adicional ao contrato de casamento, estabelecendo que D. Carlota só teria a sua primeira relação sexual com o marido aos 14 anos”
Acho que os saltos cronológicos me tornaram a leitura mais difícil dado que não sei de cor a ordem dos reis e suas esposas e filhos e que todos se chamam João e Fernando e Afonso e Leonor. Compreendo a divisão dos capítulos em tipo de vingança mas dei conta de estar a ler e já não saber a que rei se referia. Claro que o autor não tem culpa nenhuma da minha ignorância histórica e não é sequer uma crítica ao mesmo. Apenas à minha experiência pessoal ao ler.
Em todo o caso, gostei de o ler e aprendi imenso e vingança é o meu tema favorito.
Adoro história de Portugal, na escola era a minha disciplina preferida e sempre tive interesse em ler mais sobre as diferentes épocas nos meus tempos de lazer. Era aquela totó que andava em pleno verão com livros sobre os Reis de Portugal enquanto me sentava num cantinho qualquer a absorver todos os temas que tanto interesse me causavam. Em idade adulta, o sentimento mantém-se e continuo a devorar livros, séries e documentários sobre os portugueses. Este livro é um must para todos os que se interessam por história. Alguns capítulos são ensonsos, mas no geral lêem-se bem. A grande maioria são de leitura rápida, tornando a vontade de chegar ao fim elevada.