Terminei de ler o livro Identidade, fruto de uma entrevista concedida por Zygmunt Bauman por email a Benedeto Vecchi em 2004. Adorei o livro e recomendo a todos meus amigos. Estou gostando muito de ler filosofia e sociologia atualmente, principalmente que diz respeito a nossa vida moderna.
Durante todo o livro ele discute sobre a nossa identidade e como é moldada.
Ele cita:
"Tornamo-nos conscientes de que o pertencimento e a identidade não tem a solidez de uma rocha, não são garantidos por toda a vida, são bastantes negociáveis e revogáveis, e de que as próprias decisões que o indivíduo toma, os caminhos que percorre, a maneira como age - e a determinação de se manter firme a tudo isso - são fatores cruciais tanto para o pertencimento quanto para a identidade."
Discute bastante sobre a identidade e o papel do Estado e nação na vida das pessoas. Dá exemplos de identidade nacional da Áustria e Itália e discute o papel da globalização em nossa nova forma de encarar nossas identidades. "Globalização significa que o Estado não tem mais o poder ou o desejo de manter uma união sólida e inabalável com a nação."
Ele faz uma reflexão sobre o mundo atual líquido e relaciona com nossa identidade:
"Em nossa época líquido-moderna, em que o indivíduo livremente flutuante, desimpedido, é o herói popular, estar fixo, estar identificado de modo inflexível e sem alternativa - é algo cada vez mais mal visto"
Bauman fala mais pra frente no livro sobre desigualdade. Ele diz: "Há um espaço ainda mais abjeto - um espaço abaixo do fundo. Nele caem (ou melhor, são empurradas) as pessoas que têm negado o direito de reivindicar uma identidade distinta da classificação atribuída ou imposta. Pessoas cuja súplica não será aceita e cujos protestos não serão ouvidos, ainda que pleiteiem a anulação do veredicto. São pessoas recentemente denominadas de subclasse (...). Se você foi destinada a subclasse (porque abandonou a escola, é mãe solteira vivendo de previdência social, viciado ou ex-viciado em drogas, sem-teto, mendigo ou membro de outras categorias arbitrariamente excluídas da lista oficial dos que são considerados adequados ou admissíveis), qualquer outra identidade que você possa ambicionar ou lutar para obter lhe é negada a priori. O significado da identidade da subclasse é a ausência de identidade, a abolição ou negação da individualidade, do rosto - esse objeto do dever ético e da preocupação moral. Você é excluído do espaço social em que as identidades são buscadas, escolhidas, construídas, avaliadas, confirmadas ou refutadas."
Mais pra frente, Bauman completa: "É essa exclusão, mais do que a exploração apontada por Marx um século e meio atrás, que hoje está na base dos casos mais evidentes de polarização social, de aprofundamento da desigualdade e de aumento de volume de pobreza, miséria e humilhação."
Sobre o Estado, Bauman diz: “Indivíduos enfrentando os desafios da vida e orientados a buscar soluções privadas para problemas socialmente produzidos não podem esperar muita ajuda do Estado, cujos poderes restritos não prometem muito - e garantem menos ainda. Uma pessoa sensata não confiaria mais no estado para resolver tudo que necessita em caso de desemprego, doença ou idade avançada, para assegurar serviços de saúde decentes ou uma educação adequada para as crianças”. Mais pra frente Bauman coloca que as transformações decorrentes de uma sociedade líquida traz como consequência transformações na sociedade e uma delas é a ressurgência do nacionalismo, “através de uma tentativa séria e desesperada, ainda que mal orientada, de encontrar um modo de proteger-se dos ventos globalizantes(...)”. Também mostra sobre o pacto entre nação e Estado, pois o Estado está fraco e têm pouco a oferecer em troca da lealdade em nome da solidariedade nacional.
Obrigado Gra por ter me emprestado o livro e ajudar na interpretação. Algum dos meus amigos aqui já leu esse livro do Bauman? Deixem comentários.