Ambientada no Nordeste brasileiro, A Pedra traz a história de uma pequena cidade que se surpreende quando uma pedra misteriosa aparece na praça principal. Esse fato acarreta consequências religiosas, políticas e afetivas dos moradores da região. O projeto gráfico da obra traz uma sobrecapa imprensada contra uma pedra e uma folha de papel carbono, fazendo com que cada edição seja única.
"Este livro A Pedra traz assentado, logo de cara, seu território. Particular e universal. Apoiado que está no Nordeste do Brasil. E nos mistérios da oralidade do Brasil. Pulsante e popular. Uma história quase lenda" – Marcelino Freire, escritor
"A política e seus descaminhos, o preconceito, a solidariedade, os desencontros, o amor e o eterno ciclo vida-morte-vida se costuram nesse romance ambientando num Nordeste brasileiro limítrofe entre a realidade e o sonho. Com pitadas bem dosadas do real maravilhoso, é um livro sobre hoje, sobre o Brasil e o mundo, mesmo que o acento regional acentue seu território". – Micheliny Verunschk, escritora
Sobre o autor Yuri Pires nasceu em 1986, na cidade do Recife (PE). Além de A Pedra, escreveu os livros O Homem e o Seu Tempo (2014), Fábrica de Heróis (2015) e Artifício (2016). Cursou História na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). É pesquisador na área de Literatura Brasileira, desenvolvendo atualmente uma pesquisa sobre Quaderna, de João Cabral de Melo Neto. Foi finalista do prêmio Barco a Vapor 2017, com o romance infanto-juvenil A estrada do mar sem fim. Vive em São Paulo desde 2011.
Como diria o mestre do sertão, Guimarães Rosa, carece de ter coragem para ler esse livro. Deparar-nos com nosso próprio reflexo na Pedra não é para qualquer um... Teje pronto! Também como Rosa, o cenário nordeste-sertão universal e a maravilhosa linguagem oral carregada de personalidade são aspectos brilhantes do livro. O design do livro é um espetáculo à parte, singelo, belo e significativo, como seu conteúdo. Adorei a leitura!
o primeiro capítulo do livro foi publicado numa seção do "nexo", e então, fiquei besta com o estilo de escrita do autor: fluído e naturalmente representativo. e assim, ele foi o mensageiro das minhas memórias no nordeste, e um tapa na cara para as histórias atuais. a junção da localização com o linguajar, mais a presença de mulheres fortes, e alguns outros símbolos das cidades nordestinas - principalmente pequenas cidades nordestinas - preenchem muito bem o cenário. esse é o principal triunfo do livro. vi todo o mistério que ronda o livro - inclusive sua edição física, onde seus designers fizeram um trabalho incomum em edições brasileiras: o de tornar a experiência ainda mais memorável -. até a metade do livro o mistério não era o ponto primordial da leitura, o ambiente sobressaiu diante do plot. mas depois, o mistério ficou mais atraente. atraente, ainda que no final tenha sido una solução abstrata. não entendi como aquilo aconteceu, nem consegui traçar de volta com as descrições iniciais da Pedra. os livros independentes são singulares pelo seu descompromisso com as necessidades do mercado, e em "A Pedra" isso pode ser visto. sendo interessante por vários fatores, não só pelo seu plot e determinado personagem. altos e baixos há em todos os livros, com esse não é diferente, com exceção de que os altos são tão altivos em comparação a outros livros, que me faz esquecer frecuentemente o baixos. no fim, ao fechar a última página, fiquei com saudades e com vontade de comprar uma passagem pro sertão.
Esta é uma novela sobre uma pedra que apareceu em uma praça em uma cidade pequena do interior do nordeste Brasileiro. 🪨 Tem elementos de realismo mágico - coisas especiais acontecem em torno dessa pedra. Os moradores da cidade passam o tempo debatendo se a pedra foi colocada lá por Deus, por políticos ou por terroristas internacionais.
Achei a estória meio sem pé nem cabeça, e o link do efeito da pedra com a falta de solidariedade humana meio fraco.
Mas eu gostei da linguagem, de como o estilo da escrita nos transporta para o ambiente do sertão do Brasil.
O livro é surpreendente. Ao mesmo tempo em que traz uma linguagem coloquial, ligeira, nos faz refletir profundamente sobre o que é a vida e o que é viver. Os diálogos são incríveis e não há como não pensar nos dias atuais, em que vivemos o verdadeiro caos, em que pessoas morrem por conta de decisões erradas, em que a política comete os absurdos que comete e em que o povo elege quem elege. No final, tudo é Pedra mesmo, sem volta. O que podemos é decidir como faremos enquanto não viramos Pedra.
"A Pedra" foi uma grata surpresa. A história consegue ser cativante e simples ao mesmo tempo, o que na minha opinião é uma grande qualidade. O livro remete a um Brasil profundo,tanto através dos temas (política municipal, exclusão social, condições de vida e relacionamentos) como através da linguagem oral empregada de forma precisa pelo autor.
Um curto romance no melhor estilo brasileiro. Misturando modernismo, regionalismo, realismo fantástico, humor, romance, filosofia e literatura. Uma pedra aparece no meio da praça de uma pequena cidade e a partir daí a vida no povoado passa a ser em função da pedra. Políticos oportunitas, religiosos fanáticos, teorias da conspiração, luta de poder e perplexidade. O romance no geral é bem escrito e a história bem conduzida. Vários pontos são deixados em aberto e o final é quase um deus ex-machina. Mas é divertido e lemos numa sentada. Vale a pena.