Em 1948, na praia de Somerton, na Austrália, foi encontrado o corpo de um homem não identificado. De boa constituição e aparência cuidada, o homem vestia fato e gravata e estava bem calçado. Nenhuma etiqueta foi encontrada nas peças de roupa ou sapatos. Tinha um cigarro preso atrás da orelha e, num dos bolsos, um pedaço de papel rasgado de uma edição de Rubaiyat, do poeta persa Omar Khayyam, com as palavras «Tamam Shud», «este é o fim». O mistério do homem de Somerton permanece sem solução até hoje.
Partindo de uma história manifestamente inspirada no caso Tamam Shud, Rodrigo Magalhães desdobra-a, multiplicando-a por tantas quantas as perspetivas dos protagonistas, das testemunhas, das figuras secundárias, dos figurantes. Cada um transporta consigo uma história, a sua própria história, e esta intromete-se na história dos outros, interrompendo-a - a vida afasta as histórias da sua completude. A literatura também. Um objeto literário misterioso, inquietante, de uma imensa originalidade, e em que ressoam ecos de Buzatti, Bolaño ou Knausgaard.
Nada neste livro me interessou. Apesar da escrita competente, achei a estrutura narrativa rebuscada e confusa e não consegui captar o que o autor pretendeu transmitir. Na verdade, tudo me pareceu algo desgarrado e tive dificuldade em permanecer concentrada e levar a leitura até ao fim. Acabei-o com dores de cabeça e acho que já me esqueci de metade. Definitivamente not-my-cup-of-tea.
Bem escrito, mas pareceu-me demasiado confuso na forma como tenta cruzar as diferentes histórias, e na forma como o autor tenta criar as personagens com referencias ao seu passado ou presente que são pouco claras, o que deixa o leitor um pouco baralhado e pouco envolvido. Não gostei muito por causa disso, apesar de reconhecer a qualidade da escrita e me sentir intrigado em momentos por alguns dos personagens mais interessantes.
Na sinopse da contracapa somos informados que o corpo de um homem não identificado foi encontrado numa praia australiana, se a zona de conforto do leitor são os policiais de estrutura linear, desengane-se: essa não é a proposta de Rodrigo Magalhães. Não encontrará aqui um protagonista a decifrar enigmas ou a resolver mistérios. Afinal, o que é um enredo se não essa constante errância pelas dúvidas que assaltam a nossa vida.