ouvi marília garcia lendo "hola, spleen" no youtube e fiquei fascinada, é um poema que volta e meia acho que dialoga com outras coisas que vejo/leio. e então fui ler câmera lenta e talvez dizer que se trata de uma leitura não seja suficiente: eu experimentei esse livro.
se você pegar ele nas mãos, numa livraria, e folhear rapidamente, já vai ver que a experiência com a página vai se alargando: de poemas mais concisos, com versos menores, ele vai se expandindo pela página, criando outros ritmos, outras leituras. essa expansão se dá também no campo da poesia, que se expande para o cinema, o ensaio, as narrativas.
há, então, vários deslocamentos.
no pensamento italiano (que é o que eu tenho estudado nos últimos tempos), tem sempre uma volta à origem (ou a uma origem), e eu não pude não encontrar isso aqui também: qual é a origem de um poema? de onde ele sai? e ainda, para onde ele vai? nos poemas da marília, as possibilidades são muitas. vemos as mesmas palavras, as mesmas construções, se repetindo, mas adquirindo sempre novos caminhos: a gente volta, mas nunca para o mesmo lugar.