A discussão da liberdade no mundo socialista: partindo da ilusão da liberdade burguesa, o autor destrói conceitos antissocialistas do tipo: "de que servem ao homem o bem-estar e o conforto materiais, quando lhe falta liberdade?"
Demonstra que no mundo socialista liberdade é a faculdade, a possibilidade e a oportunidade de um indivíduo se realizar. É um meio e não um fim.
Caio da Silva Prado Júnior foi um historiador, geógrafo, escritor, político e editor brasileiro. As suas obras inauguraram, no país, uma tradição historiográfica identificada com o marxismo, buscando uma explicação diferenciada da sociedade colonial brasileira.
Liberdade, Capitalismo e Socialismo Esse ensaio de Caio Prado Jr foi originariamente publicado em 1960 como o primeiro capítulo da obra intitulada “O Mundo do Socialismo”. O texto procura conceituar liberdade nas sociedades capitalistas e nas socialistas. Para tanto, descreve a ação do Estado em um e outro arranjo social, com ênfase no Estado socialista, tido como a “soma das vontades individuais” e garante da igualdade material (igualdade de oportunidades), condição indispensável à autêntica liberdade (liberdade para o homem/mulher alcançar sua realização pessoal). O texto é datado e parte de pressupostos que não resistiram ao devir da história. A transformação da obra para o meio digital deixa a desejar, com diversos erros de redação. A Editora Brasiliense poderia ter feito um trabalho melhor.
Caio Prado Júnior pretende com seu livro demonstrar que a liberdade nos países socialistas é maior que nos países onde a democracia burguesa predomina.
O livro começa com uma premissa, no mínimo, duvidosa: a riqueza material entre as populações do países socialistas e burgueses (ou capitalistas) é igual. Como se sabe, a pobreza nos países socialistas sempre foi endêmica e, não raramente, um grande número de pessoas morre de fome.
Então, o autor passa a discorrer sobre os motivos que tornam a liberdade no socialismo maior: o autor esclarece que nas democracias burguesas o limite da liberdade é a liberdade de outros, no entanto, Caio Prado nota que quando se entra em conflito de liberdades aquele que possuir maior capital irá obter mais chances de expandir sua liberdade, enquanto os mais pobres tendem a perder liberdade.
Já em países socialistas, as decisões e as diretrizes tomadas pelo Partido são invariavelmente em favor do bem comum, algo que em última medida confunde-se com a liberdade individual, visto que a boa vontade individual tende a coincidir com a vontade geral. Dessa forma, a liberdade nos países socialistas é maior que nos países capitalistas.
O autor também comenta sobre a liberdade de trabalho, de imprensa (ou de ser ouvido) e de participar da política.
Apesar de interessante, a tese de Caio Prado Júnior para a liberdade é bizarra, liberdade é justamente liberdade de discordar, de não fazer. Pior ainda é a suposição do autor que o cidadão em países soviéticos possui liberdade para empregar-se onde quiser ou que pode facilmente ser ouvido pelas instituições do país. Faltou ao autor perceber que a verdadeira liberdade apresenta-se no mercado e quando há um planejamento central não existe a menor possibilidade de emprego.
Não bastasse que Caio Prado errasse em tese, ele também mostra-se errado com relação à realidade. O Estado Soviético, ou Chinês, não ficou conhecido por ouvir seu povo ou, pelo menos, dar-lhe meios de ser ouvido.