Os vinte meses que agitaram e mudaram o Brasil. Um livro essencial para entender a história política contemporânea brasileira
Trinta anos depois da Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988, que marcou a redemocratização brasileira, Luiz Maklouf Carvalho vai em busca das respostas para entender o que foi o período de vinte meses em que o país acompanhou a elaboração da chamada Constituição Cidadã, o que mudou desde aquela época e o que podemos aprender com a experiência. Por meio de 43 entrevistas exclusivas com os principais personagens da Constituinte — de José Sarney a Michel Temer —, o jornalista questiona, interroga, sacode o passado para que o encarem de frente, trazendo à tona conchavos, traições, ameaças e resistência, sem nunca esquecer o poder do povo, tão presente e fundamental.
Tentando me distrair minimamente do caos e do trabalho, peguei anteontem o livro de Luiz Maklouf Carvalho na estante e fui dar aquela passada de olhos. Resultado: não aguentei! Acabei por ler todo o excelente livro em duas pegadas.
De fato, em "1988: segredos da constituinte", o jornalista expõe os bastidores dos 20 meses que marcaram a concepção da Constituição entre fevereiro de 1987 e outubro de 1988. O mais interessante, no entanto, é que o livro é uma compilação de várias entrevistas feitas com os grandes responsáveis pela Constituição: os constituintes, representantes de lobistas famosos, juristas, funcionários do Congresso, políticos importantes, etc.
Desde as rusgas entre três dos principais atores da Constituinte (José Sarney, Mário Covas e Ulysses Guimarães), as entrevistas mostram diferentes perspectivas dos grandes embates e causos havidos nos 20 meses de trabalhos. Como destaque, as histórias de Bernardo Cabral, Fernando Henrique Cardoso, Bresser-Pereira, José Serra, Flávio Bierrenbach, Aécio Neves, Nelson Jobim, Miguel Reale Júnior, Michel Temer, Jorge Bornhausen e tantos outros.
As brigas sobre a reforma agrária, papel do Estado, definição da ordem econômica, presidencialismo ou parlamentarismo e todas as outras são regadas por histórias de bastidores, intrigas, brigas e conchavos típicos de nossa politica. Ler as histórias contadas pelos próprios atores da Constituinte é a cereja do bolo do ótimo livro de Luiz Maklouf Carvalho. Altamente recomendado.
“E aí se caminhou para um acordo, para as composições. Quando não era possível, acontecia o que chamamos de ‘buraco negro’ - um impasse de complicada solução.” “Qual era a saída?” “Colocar ‘na forma da lei.’ Não tinha outro caminho.”