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205 pages, Paperback
First published January 1, 2012
Este livro “Psicanálise sem Édipo? Uma antropologia clínica da histeria em Freud e Lacan” é uma leitura incontornável para quem se interessa por Psicanálise. A referência dos autores é Jacques Schotte, autor do livro Szondi avec Freud (1990). São oito capítulos onde são analisados escritos de Freud sobre histeria, assim como o retorno de Lacan a esses mesmos textos. Há uma tensão entre a perspectiva patoanalítica e a abordagem psicogênica. Os autores entram nas obras de Freud e Lacan com uma teoria prévia, a patoanálise, uma leitura pela antropologia-filosófica. Segundo essa perspectiva, o pathos acompanha o humano, pois o normal não está em lugar algum. Nesse sentido, a metáfora freudiana do cristal é cara à patoanálise. Quando os autores abordam a leitura lacaniana, eles destacam a diferença entre complexo de Édipo e mito de Édipo: enquanto o primeiro é normativizante, o segundo é abertura de sentido e permite trabalhar, como fez Lacan a ideia de uma impossibilidade no campo do desejo e do saber. Uma psicanálise sem Édipo abandonaria o desenvolvimentismo e a normatividade.
O último capítulo apresenta uma leitura cuidadosa dos Seminários 17 e 20 de Lacan, encontrando aproximações, em Lacan, ao projeto patoanalítico dos autores. Um aspecto a ser observado neste último capítulo é que há uma confusão entre gozo do Outro e gozo Outro. Este problema tem origem nas transcrições do ensino de Lacan. Essas precisam ser tomadas como registros de momentos de pesquisa de Lacan, incluindo eventuais lapsos. Hoje não podemos mais entrevistar Lacan quanto a esses últimos.