O primeiro romance de Luís Osório é uma terrível metáfora sobre um tempo de decadência. A história de um homem que não sabemos se está vivo ou morto, se está acordado ou a sonhar, se matou ou foi morto, se é bom ou se é monstruoso. O tempo que lhe resta, o do próprio romance, é por isso uma tentativa de encontro e compreensão. Uma viagem de comboio que é também a viagem de cada um de nós, contemporâneos de uma história com passado e sem futuro.
É cronista diário na Antena 1, onde assina o Postal do Dia. Escreve todos os dias nas redes sociais, onde tem muitos milhares de seguidores. Foi diretor de jornais e de uma estação de rádio. Ganhou prémios como criativo e autor de programas de televisão. É consultor político e empresarial. A partir do livro Ficheiros Secretos – Histórias Nunca Contadas da Política e da Sociedade Portuguesas, que transpôs para palco com um monólogo de grande sucesso, percorreu o país e esgotou salas emblemáticas, como o Teatro Tivoli, em Lisboa, e a Casa da Música, no Porto.
Este romance, inovador e enigmático, centra-se na história de um homem, bem-sucedido e com um imprescindível cargo na sociedade, na qual apresenta a vida ideal e desejada. No entanto, por detrás das aparentes virtudes e valores, esconde os segredos mais perversos e inimagináveis. Por sua vez, a história debruça-se sobre uma mulher, prima direita do homem, presa a uma cadeira de rodas, que elabora histórias no pensamento, através do qual cria personagens e mundos místicos. Estas duas personagens embarcam numa viagem de comboio, de autoconhecimento, repleta de esperança, sonhos e sombras. Numa escrita essencialmente metaforista, este livro enfatiza a complexidade existente entre dois mundos paralelos. Recomendo a sua leitura, pois, para além de retratar temas variados e interessantes, apresenta um enredo entusiasmante e imprevisível.
Gostei muito desta “viagem” em que a vida e a morte se encontram como é em vida. Livro escrito em 2017 mas que poderia ter sido escrito hoje e que me parece intemporal. Humanidade, sociedade, política, geopolítica, economia, família e tudo num só ser e tudo do mundo. Mordaz, crítico, satírico e analítico. Uma viagem ao subconsciente e ao consciente do ser humano. “Não é possível viver na plenitude sem a certeza de que nos sacrificaríamos por algo de superior a nós - quer seja um filho, um amor, um país. Estarmos acima de todos e de tudo pode confortar-nos o ego, mas no encerrar das contas, quando dermos por ela, concluiremos que vivemos para matar a fome de comida, sexo ou dinheiro. Ou para sobreviver, um dia atrás do outro e de outro e de outro. Não é pouco… e não é nada. “
O melhor deste livro é ter uma linguagem inovadora. Narrado de uma forma peculiar, a duas vozes, a dos dois personagens principais. Não sabemos onde começa o sonho nem onde termina a realidade. Uma sabia mistura dos dois mundos, de mundos paralelos. Uma ficção muito atual, sem ser maçadora e escolástica. Uma ficção com uma opinião marcada que o autor nos revela de forma subtil. Os problemas do mundo de hoje, a política, a sujeira, o poder, os fortes vs. os fracos. No centro da ação, do enredo entusiasmante, temia um final de livro pouco inspirado e fraco, mas o autor conseguiu surpreender: afinal não houve reviravoltas. Ainda que no sonho, tudo aconteça, a realidade manteve-se, crua como só ela.
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Neste primeiro romance de Luís Osório com uma narrativa imprecisa e pouco clara para o comum dos leitores, dá a conhecer através de uma viagem de comboio a história de um homem, que pode ser o retrato de cada um de nós nestes tempos de decadência. Pouco esperançoso para com a humanidade em decadência, daí a baixa classificação dada.