Angola Janga, “pequena Angola” ou, como dizem os livros de história, Palmares. Por mais de cem anos, foi como um reino africano dentro da América do Sul. E, apesar do nome, não tão pequeno: Macaco, a capital de Angola Janga, tinha uma população equivalente a das maiores cidades brasileiras da época.
Formada no fim do século XVI, em Pernambuco, a partir dos mocambos criados por fugitivos da escravidão, Angola Janga cresceu, organizou-se e resistiu aos ataques dos militares holandeses e das forças coloniais portuguesas. Tornou-se o grande alvo do ódio dos colonizadores e um símbolo de liberdade para os escravizados. Seu maior líder, Zumbi, virou lenda e inspirou a criação do Dia da Consciência Negra.
Durante onze anos, Marcelo D’Salete, autor de Encruzilhada e do sucesso internacional Cumbe, pesquisou e preparou-se para contar a história dessa rebelião que tornou-se nação, referência maior da luta contra a opressão e o racismo no Brasil. O resultado é um épico no qual o destino do país é decidido em batalhas sangrentas, mas que demonstra a delicada flexibilidade da resistência às derrotas.
Um grandioso romance histórico em quadrinhos que fala de Zumbi, e de vários outros personagens complexos como Ganga Zumba, Domingos Jorge Velho, Ganga Zona e diversos homens e mulheres que compõe o retrato de um momento definidor do Brasil.
Marcelo D’Salete (São Paulo, 1979) é autor de histórias em quadrinhos e professor de artes visuais na Escola de Aplicação, instituição pública de ensino fundamental e médio, do Museu de Arte Contemporânea da USP. É autor ainda dos títulos Cumbe, que aborda a resistência negra contra a escravidão no Brasil colônia, Encruzilhadas, que retrata a juventude negra marginalizada das grandes cidades, e do épico Angola Janga - Uma história de Palmares, criado a partir da pesquisa de onze anos a respeito dos antigos mocambos da Serra da Barriga, o Quilombo dos Palmares.
One of the best graphic novels I have ever read - and I have read many - highest recommendation. So happy to see more GN addressing historical events that need to be looked at from a more impartial perspective. One of the narratives that has been constant in our examination of history is that oppressed people still have to work within the legal system that oppresses them to effect change. We see this concept challenged in may was today; but there are still lessons from history that we have failed to learn. This GN addresses the outcome of oppression when it is taken past the point of civil negotiations - a warning from the past.
A work of more than a decade in the making, built on the foundation of other graphic novels on or about related subjects, this is Marcelo d'Salete's more than 400-page graphic novel exploring the history of a community of runaway slaves in seventeenth century Brazil. Rebellion, resistance! And, centuries of South American countries taking slaves from Africa, long before the US thought it was a good plan. The story has panoramic scope, with many wordless panels and pages, and inspiring characters based on deep historical research, including strong women leaders. I found it difficult to engage with the array of characters and subject lines across time but admire the art and scope of it and the focus on slave resistance. Important historical work, fashioned pretty much as historical fiction.
Uma hq dessas tinha que ser dada em aula de historia nas escolas. Na moralzinha, UMA AULA!! O glossario, contextualização e mapas que tem no final so deixam o quadrinho mais completo ainda. Impecavel
This is an impressively hefty tome. It took me a while to get through it.
Angola Janga is the story of a kingdom--or at least an independent settlement--founded by runaway slaves that managed to survive for over a hundred years in the jungles of 17th century Brazil. They managed to survive in opposition to the Dutch and Portuguese colonial powers of the time, and stand as perhaps the largest black slave uprising in the Americas. D’Salete, in his afterword, compares it to the Haitian Revolution.
This is technically historical fiction, though the emphasis is, as much as possible, on the history. It's certainly history that was never covered in any classes that I ever took, more’s the pity. So it was a lot to take in.
I don't know. I enjoyed the book well enough, but it didn't grab me for some reason. I actually found the author’s afterword more engaging than the graphic novel itself. I can't really pin it down to anything specific though. D’Salete’s art sparkles in all the right ways. The story flows nicely. It just … doesn't do a lot for me somehow.
This book really deserves better than I’ve got for it. Hopefully it impresses you more than it did me. The history itself is fascinating, and deserves to be more widely known.
I'm grateful to be exposed to this part of history of which I was unaware, and the art of many pages and individual panels can be stunning, but a meandering, choppy and jumbled narrative overstuffed with characters with variable alliances, allegiances and betrayals became too much of a chore to follow. The end text material was much more straightforward and educational.
que pesado meu deus. esse é o problema de ler histórias baseadas em fatos reais: você se vê torcendo para que dê tudo certo no final, mesmo sabendo que não é isso que vai acontecer. falando um pouco da arte e não da história: que traço maravilhoso, sensível, duro e ao mesmo tempo delicado. sinto que me encontrava mais admirando a beleza do desenho do que a história em si.
Marcelo D'Salete recupera a história do povo brasileiro nessa narrativa gráfica que já nasceu clássica. A premissa básica da obra é contar a história do período final da Angola Janga ("Pequena Angola" na língua banto quimbundo), mais conhecida como Palmares, um agrupamento de mocambos (entre eles a capital Macaco que tinha incríveis 6 mil pessoas, em comparação com as 8 mil que viviam em Recife no mesmo período) que sobreviviam e resistiam bravamente contra o governo colonial e a escravidão.
O mocambo (que só passou a se chamar quilombo depois de um tempo), na sabedoria popular do século XVII, era como se fosse a teia da aranha, conta um dos sábios do livro. Do mesmo jeito que pode ser casa, pode ser também proteção e armadilha. Isso explica um pouco a longa duração da Guerra de Palmares, que começa em 1602 e vai até pelo menos 1716 (anos depois da morte de Zumbi). A obra demonstra a exaustiva pesquisa histórica realizada pelo autor, que utiliza a ficção para conduzir a narrativa a partir do olhar dos palmaristas, pois é dela "que podemos transpor muros e acessar, pela poesia e arte, aqueles homens e mulheres".
O enfoque principal da narrativa é o levante realizado pelo grande líder de Palmares, mas não apenas ele que ganha destaque. Ganga Zumba, Dara, Antonio Soares e muitos outros personagens menos famosos ganham vida na representação desse período que foi silenciado por muito tempo no ensino da história brasileira. Mas não mais. A aprovação da obra para o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) em 2018 é um alento para que as novas gerações tenham uma noção mais próxima sobre a dimensão da discriminação racial e da escravidão na história do Brasil. Dar voz aos quilombolas é essencial nesses tempos tão perigosos em que os direitos humanos são cada vez mais relativizados. Uma obra formidável que gera muita reflexão.
Que história incrível! Marcelo d'Salete reconstitui os últimos momentos de Palmares em uma narrativa não-linear e profunda, com uma arte narrativa que me fez ler o livro inteiro (400 páginas!) em umas duas horas. É claro que pretendo voltar para ele para me deliciar mais com a arte, mas a narrativa corre de um jeito tão maravilhoso que é impossível parar de ler.
Na história, acompanhamos diversos pontos de vista, que vão e voltam no tempo para reconstruir um Brasil do século XVII. O que difere essa narrativa é que a história é contada, principalmente, a partir dos pontos de vista dos palmaristas - apesar de alguns momentos serem protagonizados pelos brancos que ou os perseguem ou os auxiliam de alguma forma - e a gama de personagens é múltipla e profunda. Esse é um daqueles casos em que texto e arte formam uma narrativa poderosa: por vezes, a sequência de imagens sem nenhum texto ou diálogo consegue construir os personagens de uma forma magistral.
Enfim, essa é uma história que recomendo a todos que procuram entender um pouco mais sobre nosso passado. O final do livro conta com glossários, mapas e uma série de informações históricas que nos auxiliam a localizar a grandiosidade do quilombo dos Palmares (que contava com cerca de quatro mil pessoas, enquanto que Recife, à mesma época, era populado por cerca de cinco mil). Leitura indispensável!
Well, holy shit. Until a few days ago, I knew roughly nothing about the cities established by runaway slaves in Brazil in the 17th century, which is an ignorance I presumably shared with most Americans. Now, thanks to several hundred quick, haunting pages of graphic historical fiction by Marcelo d'Salete, I know a tiny bit more than nothing. It's a truly thrilling, heartbreaking story that can be read very quickly—there are many dialogue-free panels of action, scenery, and memory—but you might want to linger over some of d'Salete's lovely, lush art. This book is what comics are for.
I was intimidated by the size at first, but it goes fast. Basically vignettes, with chapters introducing contemporaneous writing. There were also some abstract sections that I enjoyed as well. The flashbacks were frustrating bc they came out of nowhere and were not distinguished (ie different panels)
Uma aula de história no formato hq! Devia ser leitura obrigatória nas escolas e nos vestibulares do Brasil.
É um relato muito forte e necessário para entendermos melhor a escravização que assolou o nosso país. Por mais que seja uma época extremamente sombria, senti que estou ainda mais conectado com os que vieram antes de mim. É pura ancestralidade!
Os traços são lindos e o Marcelo d'Salete reconta a história de Palmares com uma maestria absurda, preenchendo lacunas aqui e ali com a ficção. Em alguns momentos fica meio difícil entender os flashbacks e alguns outros pontos, mas com certeza essa história deve ser lida mais de uma vez, porque são muitas nuances para serem captadas de primeira. Quero, inclusive, ler o livro físico, porque assim poderei recorrer ao glossário e marcar passagens com maior facilidade.
O material que vem logo após a história é um show à parte. Dá pra perceber que é um trabalho feito com muita pesquisa e carinho. Terminei de ler no dia 30/12 e estou bem realizado de ter lido algo tão necessário e significativo nos últimos momentos de um ano em que a literatura foi tão importante pra mim.
Eu vi este título e decidi comprar sem qualquer indicação ou resenha. Meu conhecimento de palmares era o básico dos livros da escola, portanto, o tema me instigou. O quadrinho foi bem sucedido a me transmitir mais dimensões a esta história, mas senti dificuldades em acompanhar e me afeiçoar aos vários personagens que são apresentados em um período curto.
Ainda assim, a arte do quadrinho é muito boa e distinta, e o período retratado é fascinante de uma forma muito trágica, me fazendo traçar tristes paralelos para os dias de hoje. Me sinto incentivado a ler mais a respeito do assunto e talvez voltar a ler este quadrinho.
This massive graphic novel explores the history of a community of runaway slaves in seventeenth century Brazil. Marcelo d'Salete expertly infuses all the myriad emotions into a coherent narrative that spans quite the range in time. His artwork is atmospheric and visceral and the storytelling is top notch. An excellent read about a period of history not often discussed.
essa foi a experiência mais bonita que já tive com a história do brasil.
o quadrinho retrata uma guerra intensa entre o governo munido de mercenários e os quilombolas defendendo seus povoados. na narrativa também há momentos de vida cotidiana e poesia visual que são ignorados nos relatos históricos sumários e reducionistas. precisamos dessa atenção com palmares no currículo escolar do primário.
os grafismos em alto contraste e poucos sombreamentos em cinza conferem a dramaticidade épica à história real contada por Angola Janga. mesmo não preenchendo a pele negra de preto, não há dúvidas de quem é preto e quem é branco. os mestiços também tem traços de leitura imediata. as personagens todas tem profundidade emocional, vocabulário gestual e composição impressionantes. este quadrinho é uma aula de desenho além de uma cuidadosa investigação histórica.
os símbolos, vestimentas, texturas, plantas e paisagens tem um cuidado documental que salta aos olhos. uma pesquisa belíssima foi desenvolvida ao longo desse percurso entre os documentos históricos provando os golpes da guerra que matou Zumbi.
um volume grande: mais de 400 páginas. essa história pediu capa dura. a impressão ficou ótima mesmo com a escolha arriscada das páginas lavadas de tinta preta com o texto fino em branco. uma publicação de qualidade alta.
recomendo muito. inclusive para bibliografia escolar ou presente de natal.
As artes são incríveis e o poder de narrativa de Marcelo D’Salete é perfeito. Ele faz um belo trabalho para contar uma parte importante da resistência negra no Brasil. Merece todo o clamor.
Um enorme aprendizado sobre Angola Janga, o Quilombo dos Palmares, como ficou conhecido. A HQ aborda os momentos finais do Quilombo e as investidas da Coroa e dos paulistas sobre Zumbi e seus seguidores. Me ajudou bastante a criar uma imagem mais fiel da organização dos mocambos, escapando dos perigosos mitos divulgados recentemente.
indispensável, arte e roteiro impecáveis, contéudo histórico de primeira, e tem mapinhas e glossário no final, d'salete entrega tudo e mais um pouco. leiam!!! super recomendo, é muito importante entender o passado.
puts, fantástico!! a arte dessa HQ é fenomenal e transmite muito sentimento e momentos de reflexão/virada pros personagens. o modo de conduzir a narrativa é muito visual e os traços realmente fazem um ótimo trabalho sem tanto texto. uma bela aula de história misturada com filme de ação sobre o fim do quilombo dos Palmares sob a liderança de Zumbi, considerando diversos pontos de vista. como é de se esperar considerando a temática da obra, o enredo é pesado e impactante, mas bem acessível e direto. mesmo tendo feito faculdade de história, sinto q a história dos quilombos não foi tão explorada quanto deveria, me lembro mais de várias aulas sobre a Revolta dos Malês no século XIX, portanto essa é uma HQ extremamente necessária e relevante, no mínimo deveria estar em listas de leitura de escolas e faculdades.
Um trabalho lindo de ficção sobre uma passagem terrível da história brasileira. D'Salete fez uma pesquisa história de anos e conta nesta obra como foram as últimas décadas da resistência dos mocambos de Palmares contra as investidas dos portugueses.
D'Salete da identidade à população negra, transformando-os em indivíduos, em pessoas. Nos faz entender essas pessoas como seres humanos com suas próprias vontades, seus medos e seus problemas. Seres humanos que querem ser livres para construir suas próprias.
Recomendo a leitura para qualquer um interessado em entender melhor esta passagem da história brasileira.
Puts... Nós ainda não temos noção da grandiosidade dessa obra e da importância que certamente irá adquirir com o tempo, o autor empenhou 11 anos de sua vida pra fazer algo impecável em cada ângulo que se analise: A arte muito particular, a narrativa gráfica com uma cadência fora de série, a característica messiamica que nunca tinha visto alguém dá ao zumbi e um roteiro extraordinariamente amarrado, algo raro de se ver por aqui... Enfim, um orgulho brasileiro.
Good reading, very necessary as well. Finishes a little abruptly perhaps, although the history of a whole people is perhaps too extensive to cover in one book.
There is a vague, dreamlike, and often confusing aspect to the illustration, so it makes the story difficult, but the dreamlike quality is also what I like about this book.
"Angola Janga" de Marcelo D'Salete é um autêntico romance histórico em BD.
Esta é a história da Guerra de Palmares, conflito que ocorreu no século XVII entre os escravos fugidos e os colonizadores portugueses. O Quilongo de Palmares, conhecido como Angola Janga ou Pequena Angola, era constituído por muitos pequenos mocambos espalhados pela serra. Quilongo ou mocambo era como se denominavam os territórios onde se refugiavam os negros escravos que fugiam do cativeiro. Angola Janga foi o maior mocambo do Brasil e, no seu auge, tinha uma população superior a 20 mil pessoas. Durante mais de 100 anos, no século XVII, foi uma espécie de reino africano dentro do Brasil.
A preto e branco, num traço muito expressivo e preciso, esta é uma banda desenhada apelativa e educativa, apesar da história densa e, principalmente no início, um pouco confusa. Retrata a resistência dos negros, os conflitos com os portugueses e a violência colonial. Entre outras personagens históricas, destaque para o maior líder de Angola Janga, Zumbi, que se transformou numa lenda e serviu de inspiração para a criação do Dia da Consciência Negra, ou Dia Nacional de Zumbi, que se celebra no Brasil a 20 de Novembro.
O livro inclui um muito útil glossário, um texto do autor que explica escolhas narrativas e as suas motivações para escrever e desenhar esta BD. Inclui ainda uma cronologia, mapas dos quilombos e dados sobre as origens e número de escravos africanos traficados para o Brasil.
Não sabia nada sobre este importante episódio da História do Brasil e gostei muito de aprender através desta leitura.
Brazillian slavery has not been mentioned too much in English, but because of the near proximity to Africa, it's been a particularly brutal system that allows slave replacements to take place faster. Therefore, working a death slave or purchasing a cheap one were much more cost-effective than retaining what you have been collecting live in circumstances in prior years.
This raises an eye on a rebellious colony of slaves (Mocambo/Quilombo), who are battling to live in the rain forest in Brazil and are worth reading in this tough period in recorded history of Central America.
That said, in individual portions the tale is conveyed and might often be difficult to track. Throughout the end, there are a few articles as well as other historical resources – they should be in front of the book if you know the context. First, I would like to have read the last pages and afterwards the graphic novel.
Angola Janga é a novelização gráfica de parte da história de Palmares, o maior quilombo existente durante o Brasil colonial liderado em seus últimos anos pela figura quase mítica de Zumbi dos Palmares. Apesar do foco central em Zumbi, a narrativa ganha riqueza ao dar voz às personagens do seu entorno como Soares, braço direito de Zumbi, ou Joaquim, filho de um capataz que se junta ao quilombo na luta contra os portugueses. D'Salete já havia demonstrado excelente manejo da linguagem gráfica em Cumbe (conjunto de história sobre luta e resistência de escravizados), mas nesse livro o quadrinista (que também é historiador) aprimora ainda mais os recursos visuais e narrativos, intercalando capítulos com flashbacks, além de fontes primárias e secundárias. Ainda que o vai-e-vém temporal possa confundir o leitor, Angola Janga não perde sua potência. A novela gráfica se dedica a ilustrar a resistência do passado sem, no entanto, acenar para o presente desigual cujo legado da escravidão se mantém impunemente arraigado.
Did not finish but got more than halfway so I'm claiming it. This...was the singularly most confusing graphic novel I've ever read. It's a good topic, but absolutely butchered by the abstract drawings, non-differentiated flashbacks, minimal text, and lack of context. Historical quotes set off each chapter/section, but they need some of the end matter to make this violent, labyrinthine story packed full of dozens of characters, make any sense. One star only because the topic matters. 0 stars for actual content and presentation.
o trabalho histórico feito pelo Marcelo nessa graphic novel é incontestável! a única coisa negativa que tenho pra falar é que achei a leitura beeeem densa, mesmo sendo uma graphic novel e tendo o mínimo de texto possível. não sei se senti isso por conta do tema ou do tamanho, mas realmente tive dificuldades. tirando isso, é sem dúvidas um documento histórico importantíssimo