Jump to ratings and reviews
Rate this book

Granta Portugal 10: Revoluções

Rate this book
A minha memória da revolução é pueril: um grito ao amanhecer anunciando guerra em Lisboa entrelaçado com a promessa de que acabou o tempo das reguadas e com uma aula de canto oral. A imagem que me ocorre não tem cravos vermelhos no cano das metralhadoras. Não é também a dos sans-cullote a avançarem sobre a Bastilha, nem a do assalto ao Palácio de Inverno, reconstituído por Eisenstein. Essas são revoluções sem nada de pueril. Foram feitas de sangue e fúria. Talvez também de sonhos, mas é frequente os anseios revolucionários envelheceram mal. Nesta Granta, evocando o centenário da Revolução Russa, revisitamos sonhos e pesadelos, deixando aos historiadores e aos sociólogos a tarefa de interpretarem, com a objectividade possível, as grandes transformações sociais a que damos o nome de revoluções. O que a literatura investiga é de outra natureza: subjectivo, íntimo, ínfimo.

267 pages, Paperback

First published October 1, 2017

1 person is currently reading
37 people want to read

About the author

Carlos Vaz Marques

36 books65 followers
"Carlos Vaz Marques nasceu em Lisboa a 28 de Janeiro de 1964.
Jornalista profissional desde 1987, integra a redacção da TSF desde 1990. Iniciou-se no jornalismo na redacção do JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias, tendo passado também pela redacção do (já desaparecido) semanário O Jornal.
Frequentou o curso de Línguas e Literaturas Modernas - variante Português/Francês, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Antes de se tornar jornalista profissional foi professor do ensino secundário, durante dois anos lectivos.
Na TSF, já desempenhou as mais diversas funções.
É, desde 2001, autor do programa Pessoal e… Transmissível, um espaço diário de entrevista ao fim da tarde onde já entrevistou cerca de quatrocentas personalidades nacionais e estrangeiras das mais diversas áreas, do Dalai Lama a Agustina Bessa-Luís, de Mário Vargas Llosa a Xanana Gusmão. Tem colaborado em diversos jornais e revistas: DNa, Ler, JL, Visão, Pública, Focus, Grande Reportagem, Elle.
Desde Setembro de 2004, conduz uma entrevista semanal no programa Encontro Marcado da SIC Mulher."
Fonte: http://www.wook.pt/authors/detail/id/...

"Carlos Vaz Marques é o director da edição portuguesa da revista literária Granta.
Coordena a coleção de Literatura de Viagens, das edições Tinta-da-china.
Publicou quatro livros com recolhas de entrevistas: Pessoal e... transmissível (Relógio d'Água), XX-XXI (ASA), MPB.pt (Tinta-da-china)e Os Escritores (Também) Têm Coisas a Dizer (Tinta-da-china).
Traduziu as seguintes obras: Paisagens Depois da Batalha, de Juan Goytisolo; Mortal e Rosa, de Francisco Umbral; E Como Eram as Ligas de Madame Bovary?, de Francisco Umbral; Paris, de Julien Green; O Japão É Um Lugar Estranho, de Peter Carey; Entrevistas da Paris Review; Viagem de Autocarro, de Josep Pla; Histórias de Londres, de Enric González; Dicionário dos Lugares Imaginários (com Ana Falcão Bastos), de Alberto Manguel e Gianni Guadalupi."
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_V...

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
3 (9%)
4 stars
11 (34%)
3 stars
17 (53%)
2 stars
1 (3%)
1 star
0 (0%)
Displaying 1 - 5 of 5 reviews
Profile Image for César.
230 reviews55 followers
December 24, 2017
Muito bom: Isabela Figueiredo; Rui Cardoso Martins; o microconto de Mário de Carvalho. O resto tem um jeneséqua de validade expirada.
Esta foi a última Granta portuguesa. A próxima vai ser luso-brasileira. O povo aguarda, a expectativa sobe.
Profile Image for Miguel.
Author 8 books38 followers
October 17, 2017
O número 10 da revista Granta Portugal é a última edição da revista que leva este título. A partir da próxima, a primeira de 2018, vai passar a chamar-se Granta Portugal | Brasil, agregando numa única as duas edições em língua portuguesa.

Ainda não sei qual é a ideia dos editores da futura revista para o seu conteúdo, mas há uma coisa que me preocupa: tenho receio de que se perca a oportunidade de se conhecerem alguns dos textos que a Granta tem publicado e que são traduções de textos já anteriormente publicados noutras edições da revista, e que, de uma forma geral, são sempre os mais interessantes de ler.

Por outro lado, e como os textos de autores portugueses nem sempre são muito entusiasmantes (são, na maior parte das vezes, demasiado curtos, e o seu valor ou interesse literário e narrativo nem sempre corresponde à expectativa), confesso que tenho uma certa curiosidade em aceder aos textos originais de escritores brasileiros. Tenho uma ideia em geral muito favorável da literatura brasileira, e vai ser uma boa oportunidade de conhecer uma maneira tão diversa de trabalhar e contar em prosa histórias na língua portuguesa.

Admito que quando recebi o meu exemplar desta edição da Granta dedicada ao tema Revolução, folheei, lí o índice, a biografia dos autores, e não fiquei muito entusiasmado. Mas ao dar delas, há textos magníficos, que me arrebataram completamente, e é para esses que vão as 5 estrelas da classificação.

Desde logo um conto da Isabela Figueiredo, intitulado Beleza Infinita. Mal vi o texto, fiquei a salivar, e a sua leitura ultrapassou a expectativa. A Isabela é uma escritora fantástica, e este conto, tão bem pensado e concretizado, tem aquele golpe de asa (habitual nos textos da autora) de estar a contar uma narrativa em particular, mas ao mesmo tempo de estar a falar de nós todos, daquilo que somos enquanto seres sociais, da nossa portugalidade, da nossa maneira de viver e da nossa mentalidade. E depois escreve de maneira magnífica, com um asseio e uma simplicidade poderosas, com um sentido de humor que consegue ser simultaneamente mordaz e carinhoso.

Para além deste, adorei dois outros textos, um do escritor russo Andrei Platónov, um conto ( ou será já uma novela?) escrito em 1937, sobre um soldado que regressa a casa depois da guerra, e que é uma jóia, uma verdadeira obra-prima. É espantosa e comovente a sua capacidade de falar das coisas mais delicadas e subtis num ambiente de extrema pobreza, aliás miséria, em que as pessoas passam por dificuldades inimagináveis, a um nível quase infra-humano, mas que mantêm a delicadeza e fragilidade do espírito humano.

O outro texto que adorei é de Milan Kundera, Um Ocidente Raptado, ou a Tragédia da Europa Central. Trata-se de um texto já antigo, publicado originalmente em inícios da década de 80, quando a geografia da Europa era completamente outra, tendo o texto de Kundera um propósito assumidamente militante, concretamente o de resgatar os países da Europa Central (República Checa, Hungria e Polónia) do seu alinhamento a Leste, sob o domínio da Rússia na sua vertente soviética, responsabilizando o Ocidente, no entendimento político da expressão, de estar a alienar uma parte importante da sua essência, da sua identidade. O que é muito interessante é que este texto de Kundera, que de facto se refere a outro mundo muito diferente daqueles em que vivemos, um mundo que deixou de existir (mas que foi o meu, e que de certa forma continua a ser, dado o papel determinante que têm, na nossa cosmogonia, os anos de formação pessoal), mantém uma actualidade e um interesse absolutos.

Por um lado, a sua análise veio a mostrar-se de uma clarividência cristalina pela própria evolução da Europa após a década de 80 e o desabar da União Soviética e do seu bloco, quer no que que toca à União Europeia, quer no que diz respeito à Europa de Leste. Por outro lado, o texto de Kundera ajuda a perceber e a explicar a actual geo-política europeia, e a fragilidade, ainda que esforçada, da União Europeia, sobretudo da Alemanha, no modo de enfrentar o gigante russo. Além disso, e num tempo tão marcado, e dominado, pela economia e pelas suas transacções e preocupações, não deixa de constituir uma enorme chamada de atenção o ênfase que o texto de Kundera põe na componente cultural como o factor decisivo da construção de uma identidade europeia, em que a diversidade cultural, ao invés de constituir um factor desagregador, é antes o cimento que nos chama uns aos outros e nos mantém juntos. Uma lição que, de resto, podemos aproveitar para outros dilemas identitários que, de forma mais ou menos regular, vão surgindo em diversas regiões europeias, como é o caso, actualmente, na nossa Península Ibérica.

Não tenho aqui o texto para o citar com rigor, mas há uma frase do texto de Kundera, que, recordo, foi escrita em inícios da década de 80, que é, simultaneamente, de uma beleza imponente e de uma esclarecedora, e até radical, precisão. Diz ele que uma das diferenças entre a Europa Central e a Rússia, é que na Europa valoriza-se a maior diversidade cultural possível no mínimo espaço territorial possível, enquanto na Rússia, pelo contrário, procura-se a menor diversidade cultural no maior espaço possível. Acho que, no fundo, é isto que diferencia a vocação da democracia da vocação imperial.
Profile Image for Fábio.
69 reviews13 followers
December 31, 2017
A última edição portuguesa da Granta antes do lançamento da primeira edição Granta Portugal | Brasil contém diferentes abordagens ao tema principal.

O texto hilariante de Isabela Figueiredo fala-nos sobre uma pequena (mas grande) Revolução que aconteceu numa rua de Almada, a dos canteiros que ganham flores. Rui Cardoso Martins apresenta-nos um texto histórico riquíssimo sobre a Revolução Russa - foi nele que aprendi a origem da conhecida expressão portuguesa "Foi assim que a Alemanha perdeu a guerra!". Andrei Platónov, no seu relato sobre a vida a dois de Nikita e Liuba, mostra-nos que a Revolução nem sempre acontece nas ruas. Milan Kundera inicia uma reflexão sobre as várias Revoluções europeias. O texto de despedida ao seu próprio pai de Mouna Abouissa é a narração real da sua própria vida intimamente ligada à Revolução no Egipto. Finalmente, o registo fotográfico de Alfredo Cunha aos cartazes nas ruas Depois de Abril enaltecem esta edição.

Uma vez mais, a Granta traz-me textos geniais (aqueles que mencionei), assim como textos cansativos.

Partilho convosco a citação que registei deste número,

Nem todas as mágoas se podem confortar; há uma mágoa que só termina quando o coração se esgota num longo esquecimento ou no alheamento entre as preocupações do dia-a-dia.
Andrei Platónov
Profile Image for Hugo Pereira.
15 reviews7 followers
December 10, 2018
Destaque para o texto de Milan Kundera (Um Ocidente raptado, ou a tragédia da Europa Central)
Displaying 1 - 5 of 5 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.