Este volume da série trata da clínica praticada fora dos settings tradicionais como hospitais psiquiátricos ou consultórios com pessoas que não se adaptam a protocolos convencionais. Os ensaios que o compõem narram e problematizam experiências ocorridas na fronteira entre a dependência e a morte, entre a loucura e a cidadania, entre o exílio e o comunismo múltiplo e micropolítico ativado em práticas de saúde.
A clínica peripatética é aquela exercida no movimento. Movimento este físico e simbólico, que permite pensar o cuidado para além das instituições tradicionais (como os hospitais). Lancetti combina elucidação teórica e relato de suas experiências como psicanalista e secretário de Ação Comunitária de modo admirável, cativando o leitor, mesmo que não tiver familiaridade com o linguajar esquizoanalítico. Aos que pretendem se aventurar com saúde mental, a clínica peripatética é a possibilidade de fazer transformar as redes de cuidado e construir nos profissionais em equipe o deslocamento dos sentidos, para que não se fixem em pedaços de quebra cabeça (as patologias); se abrindo, assim, para a surpresa permanente nos encontros com o outro. Leitura obrigatória.
"Assim como um atendimento é absolutamente mais rico quando realizado no lugar em que a pessoa mora e com as pessoas e a comunidade com as quais convive, a discussão de caso realizada enquanto se caminha pelo território é muito mais rica e propícia a ideia de revelações singulares."
achei muito interessante essa perspectiva de clínica em movimento, uma clínica artesanal que se constrói junto-com. muito válido também trazer sobre o importante papel dos agentes comunitários e também sobre o funcionamento da redução de danos.
minha terceira leitura desse livro (para as provas de residência). e que potente é ler depois do encontro com a assistência e as redes de cuidado em saúde mental.