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Nada Tem Já Encanto

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«Europeu cultural e africano geográfico, Rui Knopfli viveu sob o signo da extra-territorialidade. Nascido no "país dos outros" (a Moçambique portuguesa), entusiasta dos espaços africanos, Knopfli cedo se apercebeu dos iminentes "winds of change". Progressista pessimista, denunciou a atmosfera colonial malsã e reconheceu a inevitabilidade e a necessidade da mudança, temendo ao mesmo tempo que fosse catastrófica para os portugueses de África, e para muitos africanos. Poeta culturalista, tomou de empréstimo motivos de Shakespeare e Camões, de Eliot e Pessoa, de Drummond e Sena. Escreveu meditações lúcidas e amargas sobre o Tempo e a História. Celebrou as acácias, as mangas verdes com sal, a Ilha de Moçambique, as matinés do Scala laurentino. Lamentou, comovido, sarcástico, apocalíptico, o paraíso perdido da infância e a impossibilidade de qualquer regresso. O seu estilo clássico-modernista, despojado, é coloquial e metafísico, jazzístico e especulativo. Traumaticamente "exilado" em Londres a partir de 1975, na sua cabeça viveu sempre em Lourenço Marques, pátria idealizada no meio de pátrias desconsoladas.»

243 pages, Paperback

Published October 1, 2017

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About the author

Rui Knopfli

22 books7 followers
Rui Manuel Correia Knopfli (Inhambane, Moçambique, 10 de agosto de 1932 - Lisboa, 25 de dezembro de 1997) foi um poeta, jornalista e crítico literário e de cinema português.

Fez os seus estudos em Lourenço Marques e em Joanesburgo (África do Sul), tendo sido, entre 1954 e 1974, delegado de propaganda médica.

Publicou uma obra que cruza as tradições literárias portuguesa e anglo-americana. Integrou o grupo de intelectuais moçambicanos que se opôs ao regime colonial. Foi director do vespertino A Tribuna (1974-1975).

Com o poeta João Pedro Grabato Dias (o pintor António Quadros), fundou em 1972 os cadernos de poesia Caliban.

Deixou Moçambique em Março de 1975. A nacionalidade portuguesa não impediu que a sua alma fosse assumidamente africana, mas a sua desilusão pelos acontecimentos políticos está expressa na sua poesia publicada após a saída da sua terra.

Tem colaboração dispersa por vários jornais e revistas.

Desempenhou funções de Conselheiro de Imprensa na Embaixada de Portugal em Londres (1975-1997). Morreu no dia de Natal de 1997 e está enterrado em Vila Viçosa.

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Profile Image for la poesie a fleur de peau.
508 reviews63 followers
November 14, 2024
"Não chores por mim, quando tiver morrido,
mais do que o tempo de meu corpo baixar à terra.
E se, ao leres depois meus versos, te comover
a memória furtiva da mão que os compôs,

reprime vivamente as lágrimas que aos olhos
te assomarem. Lê, sim, meus versos
arredando-os bem da carne corrompida
e da fria insensibilidade habitadas outrora.

De duas vidas que tive, uma logo soube finita.
Pela outra, quanto podia, fiz para que o não fosse,
ciente que, daquela me apartando, desta tudo ignoraria.

Se ao leres-me pois, atenta, a mágoa sentida,
de lembranças minhas isenta, nasça toda só
de um verso comovido, terei então vivido."

Rui Knopfli
Profile Image for Miguel.
Author 8 books38 followers
November 14, 2017
Foram este ano editadas duas antologias com poemas do Rui Knopfli. Infelizmente, uma delas, intitulada Uso Particular, e publicada pela editora Do Lado Esquerdo, não consegui encontrar à venda nas livrarias, acho que para ser adquirida tem de ser encomendada à editora. A outra foi publicada pela Tinta da China, e intitula-se Nada Tem Já Encanto, o responsável da antologia foi Pedro Mexia, e traz um excelente prefácio de Eugénio de Andrade, que nos ajuda a situar a poesia de Knopfli.

Fico muito feliz com este redobrar de atenção pela poesia de RK, e só espero que, deste modo, haja mais gente a conhecê-la. Knopfli é um dos meus poetas favoritos. Tenho vários dos seus livros, entre eles o volume de poesia completa que foi, há uns anos, publicada pela Imprensa Nacional Casa da Moeda. Tenho também, com muito orgulho, um exemplar d’ A Ilha de Próspero, que Knopfli publicou com poemas e fotografias suas dedicadas à Ilha de Moçambique, e aquela que creio ser a primeira edição d’ O Monhé das Cobras, que encontrei uma vez, por acaso, numa livraria de Portimão, quando estava lá a passar férias.

Sempre me lembro de o nome de Rui Knopfli ser familiar, uma espécie de património, se não da cidade de Lourenço Marques, pelo menos da minha família, sobretudo por via da minha mãe, que me falava dos seus poetas como quem conta histórias de reis e rainhas. O primeiro livro que li do autor foi Mangas Verdes Com Sal, que já tinha sido publicado anteriormente, mas que eu conheci numas férias que passei em Lourenço Marques logo a seguir ao 25 de Abril. Mas confesso que nunca aderi por completo à sua poesia, até à leitura de O Monhé das Cobras, que foi um livro que me tocou imenso, que falou comigo e me disse coisas que foram determinantes. Com o Monhé das Cobras reconheci um certo padrão de relacionamento com a nossa memória de Moçambique e de Lourenço Marques, que de certa maneira era o da minha mãe e veio também a ser o meu.

O coup-de-foudre definitivo deu-se a seguir à minha ida a Moçambique, em janeiro de 2003. Mal regressei fui ler o que tinha de Knopfli e então sim, os seus poemas revelaram-se-me inteiramente. Nesse ano saiu a Obra Poética, que passou a constituir uma espécie de bíblia pessoal, a minha arte poética. Fiz um blog onde, entre outros poetas e escritores moçambicanos, divulguei muitos dos seus poemas.

Acho que foi apenas depois dessa experiência em Moçambique que fui capaz de compreender a sua poesia, ou melhor, de lhes dar um sentido que fosse meu. Lermos um poema que não apenas nos decifre o mundo, mas ainda que nos ajude a compreendermo-nos melhor, a conhecermo-nos. Um poema que nos releve a nós próprios.
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