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enquanto os dentes

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Um romance urgente sobre intolerância e marginalização de uma nova e potente voz da literatura brasileira.

Uma manhã chuvosa no Rio de Janeiro. Antônio, um cadeirante negro de classe média, circula pela cidade enquanto o caminhão que carrega sua pequena mudança se afasta da casa em que ele viveu até então.
De metrô, ônibus e balsa, não sem dificuldades, ele se desloca em sua cadeira de rodas capenga em direção à sua nova casa, que de nova não tem tanto assim: endividado e sem outra alternativa, Antônio está voltando à casa da sua infância, à casa do pai, a quem ele não vê há mais de vinte anos.
Enquanto avança nessa odisseia particular rumo à casa dos pais, ele atravessa também um percurso memorial pelas passagens mais cruciais da sua vida: o relacionamento com seu pai – o “Comandante”–, os anos na Escola militar, a descoberta da homossexualidade, a carreira de fotógrafo, o acidente que o tornou paraplégico.
Com uma escrita precisa e mordaz, Carlos Eduardo Pereira constrói em “Enquanto os Dentes” um retrato duro e necessário de um Brasil violento: não a violência das ruas, mas a agressividade da intolerância e da discriminação que se escondem dentro das próprias casas, famílias e instituições.

96 pages, Paperback

First published October 26, 2017

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Carlos Eduardo Pereira

23 books7 followers

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5 stars
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14 (7%)
1 star
4 (2%)
Displaying 1 - 25 of 25 reviews
Profile Image for Diana Passy.
145 reviews321 followers
Read
January 10, 2019
(como é um título que não ganhou tanta atenção quando foi lançado, acho válido apontar que é um livro nacional sobre um cadeirante negro cujo autor é cadeirante e negro.)

"Antônio tentou tocar a vida sozinho. Aprendeu com os profissionais da reabilitação que era possível manter a rotina, bastavam algumas pequenas adaptações e tomaria banho sem ajuda de ninguém, poderia pegar um ônibus na rua e até mesmo dirigir. Teria como se trocar por conta própria, vestir as calças, os sapatos, a cueca, seria um indivíduo autônomo, apto a trabalhar no que quisesse. Ele costumava ouvir de um tenente na Escola que era um dos alunos de maior endurance na Turma, "Pra quem não sabe, endurance é uma expressão muito usada pelos marines, que poderíamos traduzir livremente como capacidade de suportar privações", o tenente sempre explicava em seguida. Ele era fã dos americanos e achava que o aspirante Da Silva daria um baita fuzileiro naval. Antônio foi gastando sua alma de fuzileiro, só que chegou uma hora em que foi obrigado a refugar. Enquanto os dentes da boca deram conta, ele mordeu, sustentou a vida que havia construído tijolo a tijolo, só que agora não dá mais. Agora ele sabe que acabou."
Profile Image for Felipe.
Author 9 books64 followers
September 17, 2018
Assim mesmo, sem letras maiúsculas: enquanto os dentes. Todas as potências maiúsculas da vida do protagonista dessa estreia de Carlos Eduardo Pereira ficaram no passado como promessas. Agora cadeirante, para além dos rótulos de gay, negro, diferente, que o ambiente passou a vida lhe sugerindo não serem características a celebrar, Antônio se vê preso a um movimento de retorno que é tão físico, com sua peregrinação marcada por uma travessia na barca Rio-Niterói, quanto memorial, com as lembranças de momentos definitivos de sua pequena existência se aglutinando à paisagem dessa breve, porém exaustiva, viagem. Talvez pela leitura recente, o ritmo constante e a estrutura fragmentada que Pereira usa para moldar essa torrente de recordações agridoces me remeteu muito ao Suicide, de Edouard Levé. Ainda que seu protagonista não esteja morto como aquele do francês, existe muito marcada a eminência do fim, a percepção clara e desassombrada que a vida, como conhecida, está em processo de findar.

Não pretendia, por nenhum motivo específico, tecer maiores comentários sobre essa leitura até topar com um texto do crítico Eder Alex intitulado "‘Enquanto os dentes’ e a muleta da representatividade". Partindo do princípio (correto) que as histórias da contemporânea literatura brasileira revolvem majoritariamente em torno de personagens cis-homens, brancos, héteros, e não raro escritores em crise com a própria arte, Alex enquadra o livro de Pereira num limbo entre a bem-vinda mudança de protagonismo (ainda que, segundo sua visão, os temas do artista frustrado continuem em voga) e o entrincheiramento, na "muleta da representatividade", de uma literatura não particularmente inspirada. Em dado momento, o texto questiona o livro por ser "bem escrito, com um personagem interessante e… só" e daí surge a minha inquietação: não é suficiente? No meio do cinema, onde circulo com mais frequência, não é raro um filme receber alguma crítica infundada por ser "parado" ou "lento", o que me parece o caso aqui. enquanto os dentes é como cinema de fluxo. A dilatação temporal daquilo que soa como obviedade (o fato de Antônio perder trabalhos e "ver o tudo de baixo" a partir do acidente, por exemplo) é na realidade um exame muito dolorido e persistente dessa outra forma de vida.

Posso concordar com a ideia de que a autoficção, ou a corrente tendência de escrever livros tendo como base primordial a própria vivência, pode ser algo limitadora, sobretudo quando se torna último recurso de um texto que não encontra sua verdadeira pulsão. Mas seria possível definir enquanto os dentes como autoficção apenas porque autor e personagem são negros e cadeirantes? E ainda nesta linha de raciocínio, pensando no livro acabado e no retrato que ele pinta, seria possível diminuí-lo por surgir de onde surgir ou isso seria apenas o ato de negar a vida por trás da trama como potencialmente interessante? Parecem, e são, questões mínimas. É mais interessante, por exemplo, pensar no olhar que se lança aqui sobre a ideia de movimento. Assim como no livro de Levé (e assim como naquele, muito me remetendo a Perec), existe uma poética nas ladainhas que o narrador usa para enumerar as questões de Antônio. Descrições furiosas dos ataques de bullying vividos na escola naval para onde foi forçado pelo pai militar, o dia-a-dia sufocante e milimetricamente controlado da mãe religiosa, as inúmeras experiências que viveu ao entrar na faculdade e se envolver com as artes mas sobretudo, no agora que conduz a narrativa, as paisagens da cidade como totens, como um playground onde talvez suas pernas não possam mais correr mas sua mente preenche e ressignifica livremente. E sem necessidade de muletas.

https://osobressalto.blogspot.com/201...
Profile Image for Nathalie Gonçalves.
166 reviews40 followers
October 29, 2024
estava doida para ler esse livro. sei lá, foram anos esperando por essa leitura… e rolou, mas não rolou.
a descrição excessiva do autor me incomodou demais. se a intenção era retratar o caminho de Antônio, bom, não funcionou; pareceu-me uma vontade insana de preencher as linhas e dar volume ao livro. mas a partir do momento em que se explica o acidente, as coisas passam por uma mudança significativa (que me fez dar uma terceira estrela). o último ato do livro, para min, é onde todas as violências sofridas pelo personagem se tornam mais visíveis do que nunca.
Profile Image for Álvaro Curia.
Author 2 books544 followers
January 26, 2023
Páginas da vida de um cadeirante, negro e homossexual, enquanto faz a travessia de balsa rumo à casa onde cresceu. Que mesmo ler mais livros escritos por este autor! 👏🏼👏🏼👏🏼
Profile Image for Márcio.
684 reviews1 follower
November 4, 2018
"Enquanto os dentes", primeiro livro publicado de Carlos Eduardo Pereira, é uma pequena joia com brilho muito intenso. Não consigo descrevê-lo de outra forma. Em suas 93 páginas, o narrador nos conta a odisseia de Antônio, homem pardo de seus 40 anos, artista, mão de obra para tudo, da despedida à distância do apartamento o qual não mais pode manter, e de seu retorno à casa dos pais que moram do outro lado da baia.

Antônio é cadeirante e todo o trajeto, num dia chuvoso no Rio de Janeiro, da banca de jornal próxima ao antigo apartamento ao caís e do caís na outra margem à casa dos pais, é feito sobre sua cadeira de rodas.

À medida em que o narrador nos conta a odisseia de Antônio, somos apresentados às suas memórias, sempre intercaladas, ternas aqui, pungentes em boa quantidade, mas nunca em auto-piedade. Não há lágrimas, apenas a água da chuva que escorre pelo rosto de Antônio. E tal característica do livro é tão essencial para dar essa dimensão tão humana, visceral, dolorida. Antônio não chora, parece aceitar a via crucis do presente momento como a continuidade da via crucis que foi toda a sua vida, mas é impossível não sentir imensa empatia e compaixão por ele.

A cidade maravilhosa, o outro personagem que nos acompanha nessa narrativa, é apresentada naquilo que muitos preferem não perceber: provinciana, suburbana. E aqui, fez-me recorda do filme "Riscado" de Gustavo Pizzi, que nos conta a história de uma aspirante a atriz, Bianca, que tem a grande possibilidade de ascender, mas que é trazida à realidade de uma forma dolorosa. Bianca e Antônio, dois lados de uma mesma moeda, jogada ao alto não pela vida, mas pelo entorno, que não tem piedade.

É uma leitura que me fascinou!
Profile Image for Júlia Vilarim.
477 reviews12 followers
January 3, 2023
primeira vez que leio um livro sobre um cadeirante (e negro). o autor também é cadeirante e negro!

infelizmente, não gostei tanto quanto achei que ia gostar… a história pedia um aprofundamento maior nas situações. o livro começa e termina do nada
Profile Image for Gabrielle Cunha.
434 reviews117 followers
December 30, 2017
Amo livros com fluxo de consciência do narrador, misturando presente e passado, que exige do leitor atenção. Antônio, o narrador, tem uma ironia fina, comentários certeiros, além de uma história de vida foda. Muito interessante acompanhar como é o dia a dia de um cadeirante, mas sem pieguismo ou algo do tipo, é uma narração direta, sem firulas. São poucas páginas, mas com tantas passagens boas... Foi ótimo encerrar o ano com esse livro!
Profile Image for malina.
15 reviews
January 2, 2022
não chega bem a ser um romance e nem um conto, mas independente disso esse livro é uma experiência deliciosa, principalmente para quem é carioca. você pode observar e imaginar as localidades que antônio (o protagonista) passa, os locais que viveu, os transportes e afins. além disso, a maneira como o autor narra a deficiência do protagonista é impecável, revelando aos poucos (só no final você tem de fato um diagnóstico, mas isso em nada prejudica a leitura) e muito naturalmente como que ele leva essa vida, os "truques" necessários, os percalços passados ou atuais.

adorei a descrição dessa relação familiar que acredito ser muito realista para muitas pessoas LGBTs com pais conservadores, especialmente militares. embora meu pai não fosse como o comandante do livro - graças aos deuses, diga-se de passagem -, ainda dava pra perceber semelhanças em como o tempo no exército transforma e endurece essas pessoas que, por sua vez, tentam fazer o mesmo conosco. e a figura materna, sempre mais próxima e compreensiva, porém eternamente submissa ao que o patriarca manda. é o tipo de retrato familiar que raramente seria capturado em leituras estrangeiras.

por fim, reitero que essa é uma leitura necessária e valiosíssima para nós brasileiros e que recomendo muitíssimo. a única razão pela qual não dei 5 estrelas foi porque senti a falta de uma conexão entre alguns parágrafos e também havia sentenças muito extensas que complicavam a leitura. eram frases que ocupavam mais de duas linhas de descrição e em alguns momentos funcionava bem, mas em outros era necessário uma releitura. e os parágrafos, sem divisão de capítulos ou algum espaçamento que indicasse mudança de momento, acabavam por emendar pensamentos e momentos completamente diferentes de uma maneira brusca demais, que te arrancava da fluidez do momento.
Profile Image for Danielle Gomes.
699 reviews4 followers
January 15, 2019
Gostei bastante, livro com fluxo de conciência bem feito, não sou tão fã desse gênero mas esse é de fácil leitura e muito interessante. Ele mescla presente com passado com maestria e também a gente consegue ver a perspectiva de uma pessoa caderante comparando a época aterior a essa condição.
Profile Image for Vicente Rosa.
368 reviews11 followers
December 1, 2025
a escrita meio fluxo de consciência da narrativa às vezes me deixava um pouco confuso às vezes, mas a história é muito boa. é uma perspectiva que não se vê em tantos livros, que na maioria trata PcDs como coitadinhes ou tragédias. vale a pena a leitura
Profile Image for Jéssica Rosa.
86 reviews
July 25, 2025
Não é que seja ruim, mas também n��o é bom, não empolga. Não funciona como livro, porque falta aprofundamento nas coisas. Mas também não funcionou pra mim como conto, porque demora muito pra dar aquele impacto gostoso que o conto dá na gente.
Profile Image for Rômulo Lopes.
43 reviews9 followers
Read
July 20, 2018
| O incisivo trajeto |

"Enquanto os dentes", de Carlos Eduardo Pereira, espanta a vertigem que excluímos ao sairmos de casa para enfrentar mudanças nocivas da vida. A condição que Antônio apresenta estabelece a distância que culmina numa autohumanização paralém desta descrição sensorial. Revela ao leitor cada detalhe do novo esforço da vida desafiando o passado cujo o escombro, agora, é o último, e possível, lugar para se viver. Cabe a Antônio nos mostrar os detalhes certeiros, sem novelos ou descrições volumosas, sua rotina sob a temporalidade, seu encontro com sua sexualidade, o pai que escoa pelos anos, o militarismo e o acidente que lhe acarretou a necessidade de um objeto que enclausura sua realidade e sua alma, para lhe fazer ir: a cadeira de rodas. Cada um desses pilares são analisados por Antônio sem nenhuma suposição, já ocorreu, sua percepção o faz chegar até a casa de seu pai onde irá morar após sua situação financeira estar precária. Carlos Eduardo faz um exame de uma geração, classe e local, em que nada poderia sair dos trilhos, do moralismo e da detenção dos diretos de ser quem deveria ser, e fora isso, é apenas uma mobília ambulante que se cala ao entrar em crise. No entanto, a obra de Pereira não alcança a invisibilidade das coisas, ao se permitir criar mínimas análises, tudo se encontra muito acima da visão. É como se olhássemos esse caminho, e com ele os pensamentos que ditam a trajetória de Antônio, mas esse trajeto não surrupiasse o leitor, não entregasse uma linguagem que refute o cúmulo. A exatidão, aqui, torna um ponto fraco, não libera doses críticas que avassalam a estrutura do estado de coisas atual. Um pouco mais de falas, de consciência, ou de escolhas que permitam esse invisível surgir à tona, pareceu ser o ponto que distancia "Enquanto os dentes" de uma obra que parecia ser marcante.
Profile Image for Camilla Monteiro.
3 reviews
March 17, 2021
Muito curto para chamar de romance, muito longo para chamar de conto. Nessa novela de Carlos Eduardo Pereira, seguimos para Niterói através dos pensamentos de Antônio, que, depois de mais de 20 anos, volta para a casa dos pais, devido a um acidente que o deixou paraplégico. A partir de uma narração em terceira pessoa, o leitor conhece, aos poucos, o protagonista, juntando fragmentos de seu passado e os unindo com seu presente. Enquanto os dentes, publicado pela Todavia em 2017, é uma leitura de uma tacada só, 90 páginas sem capítulos, que passa correndo pelos olhos do leitor.

O protagonista nos leva em uma viagem pelo seu passado enquanto atravessamos o presente sem perceber. Caminhamos pelo tempo com tamanha facilidade que, se em um momento estamos na barca, a caminho de Niterói, em outro estamos no colégio militar de Antônio, em sua adolescência. Como se mordêssemos uma madeleine de Proust e viajássemos em busca desse tempo que não volta, sem que nos percamos no que acontece no agora.

Lembranças de conversas no campus da faculdade, de trabalhos com eventos de arte, de pinturas, de breves romances, da Escola, da infância, dos comportamentos de seu pai, o Comandante, da submissão de sua mãe. Um dos principais conflitos na narrativa, que também nos é revelado de forma fragmentária e cadenciada, é o fato de que Antônio, homossexual e artista, representa sujeitos que seu pai repudia, sendo esse uma clássica figura tradicional, conservadora e militar. Durante toda a novela, sua volta para casa também se mostra como uma preparação para esse destino final, se mostrando como, no mínimo, incômodo para Antônio.

Interessante pensar que, por mais que a narrativa se baseie em um passado muitas vezes dolorido e um presente que parece relutante, desconfortável, tendo em vista a volta de Antônio a uma casa que o rejeita, a leitura em si não é melancólica nem muito expressiva por parte do narrador. A narração não é, de todo, onisciente, ou pelo menos não se mostra dessa forma: muitas cenas que poderiam demonstrar esse incômodo de Antônio são escritas de forma que ele aparente neutro, enquanto o leitor que assume o papel de desconforto. Muito bem sucedido esse modo de escrita, no qual a onisciência parece dizer mais sobre os acontecimentos do que os pensamentos e sensações.

Assim, por mais que pareça clara uma “obrigação” por parte de Antônio de sentir o que sentimos ao ler algumas cenas em que o tratamento dos personagens com o protagonista pareça exagerado, forçado, o personagem parece anestesiado. Ainda assim, o leitor é quem tem a função de se compadecer, e tenta compreender a vivência de uma pessoa que se encaixa em tantas minorias de uma vez, sendo negro, homossexual e cadeirante, experiência, porém, que só se entende por completo se vivida.

De uma maneira simples com uma linguagem fácil, mas não menos inteligente ou interessante, Carlos Eduardo Pereira cria uma narrativa catártica e necessária, curta e concisa, que encontra seu objetivo rapidamente e com bastante êxito.
Profile Image for luisa woidaleski.
257 reviews12 followers
April 2, 2023
cinco livros em cinco dias! livro 4/5: enquanto os dentes

talvez eu esteja me dando livros curtos demais para esse desafio... mas seguimos.

aqui, em menos de cem páginas, carlos eduardo pereira traz um dia na vida de antônio da silva e silva. não qualquer dia, mas o dia em que ele volta a morar com os pais. antônio sofreu um acidente, é cadeirante e enquanto faz o trajeto até a casa dos pais — um trajeto pouco acessível, pra dizer o mínimo, que escancara a realidade da falta de acessibilidade não só no rio de janeiro, mas em todo o brasil — nos guia pelas suas memórias de infância, adolescência e a vida adulta pré-acidente.

com uma relação conturbada com o pai, uma juventude na escola da marinha, traumas e vivências para dar e vender, é interessante passar esse tempo com antônio, mas ao mesmo tempo... talvez tenha sido tempo demais? poucas interações com o mundo externo? alguma coisa parou de funcionar pra mim ali pela página 70, como se o texto sem pausas de capítulos ou respiros passasse a ser cansativo demais. eu, particularmente, gostaria de ter tido algumas quebras que tornassem a narração menos densa. não foi uma experiência de leitura ruim, mas não vai ficar marcada como uma das minhas melhores experiências desse ano.
Profile Image for Felipe Lima.
633 reviews
March 27, 2025
2.5*
"Enquanto os Dentes", de Carlos Eduardo Pereira, é um romance que se propõe a abordar temas urgentes como intolerância e marginalização, mas não conseguiu me cativar como esperava. A narrativa segue Antônio, um cadeirante negro de classe média, em sua jornada de volta à casa da infância, revivendo momentos cruciais de sua vida. A escrita de Pereira é precisa e crítica, oferecendo um retrato duro da violência da intolerância no Brasil.

No entanto, a técnica de fluxo de consciência não me agradou, e senti que a história carecia de um aprofundamento maior nas situações apresentadas. O livro começa e termina de forma abrupta, o que me deixou com a sensação de que faltou desenvolvimento em alguns pontos. Além disso, a obra se concentra em termos marítimos e momentos que poderiam ter sido explorados com mais profundidade. Embora a representatividade e as questões abordadas sejam valiosas, a falta de aprofundamento nas situações me fez sentir que o potencial do livro não foi completamente explorado.
Profile Image for Adriana Santos .
173 reviews
January 23, 2025
Achei que a escrita ficou bem direta, e senti falta de mais nuances e profundidade em vários momentos. Do jeito que está, parece que o personagem não foi mostrado de uma forma que crie conexão com o leitor ou faça a gente se importar de verdade com o que vai acontecer com ele ou com o que ele tem a dizer. Dá pra sentir empatia pelo histórico dele, mas é mais pelo que aconteceu com ele do que pela forma como isso é contado.

Alguns trechos são bem descritivos, o que pode ser bom, mas só quando essas descrições realmente acrescentam. Em vários momentos, senti que elas poderiam ter dado lugar a passagens mais complexas e profundas, que ajudassem a mergulhar mais na história ou na mente do personagem.
Profile Image for Bruno.
71 reviews6 followers
April 30, 2020
Me conquistou desde o início, mas fui gostando cada vez mais à medida que avançava na leitura. Não porque o livro mude muito do início ao fim, mas por descobrir que manteria o mesmo ritmo, sem perder vitalidade e novidade nos aspectos que vão sendo descobertos do protagonista, que é explorado a fundo nas poucas páginas da obra. Um livro melancólico, sobre as vidas paralelas que vamos deixando para trás e a inevitabilidade de estarmos presos a nós mesmos, ao nosso corpo e limitações.
Profile Image for Vinicius De Silva Souza.
168 reviews5 followers
May 7, 2024
Esse tinha tudo pra ser bom e foi apenas... um livro.
Tantos lugares comuns nessa narrativa. Não é ruim, longe disso, apenas: básico. Temos um enredo envolvente, um personagem interessante, mas uma narração que tenta ser complexa mas é apenas simplória, desregulada quanta a alternância de tempos
Anêmica seria a palavra.
Uma pena.
84 reviews1 follower
May 9, 2020
É bonito demais. Narra um dia na vida do protagonista Antônio, gay e cadeirante, se mudando do seu apartamento de volta pra casa dos pais e, nesse um dia, conta a vida inteira dele.

É narrada de uma forma bem direta, sem firulas, mas de uma sensibilidade tão forte. Lindo, lindo.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Amanda Bento.
Author 6 books27 followers
February 26, 2025
Livro curto e violento, escrito primorosamente. Me pegou muito toda a relação com o Comandante e tudo o que ele evoca, me fez pensar na minha própria infância e adolescencia. Narrativas de jovens queers deveriam ser mais lidas
Profile Image for Amanda Leite.
14 reviews
September 14, 2024
Primeira vez lendo o autor, gostei bastante do livro. Um monólogo de Antônio sobre a sua própria vida. Sem capítulos, o autor conseguiu capitar a minha curiosidade sobre a vida do protagonista de forma simples e real. Lindamente escrito.
Profile Image for Felipe Vieira.
789 reviews19 followers
July 27, 2022
#BingoLitNegra #LeiaNegros

Carlos Eduardo Pereira narra em enquanto os dentes o dia de mudança de Antônio. Antônio é um homem negro gay e deficiente físico. A história que se passa durante um dia entre o percurso dessa mudança o autor alterna momentos do passado e lembranças para contar como o personagem chegou até aquele momento.

A vida de Antônio é narrada de maneira seca, clara e sem voltas. Ele é filho de um comandante da marinha linha dura, agressivo, machista, homofóbico e uma mulher submissa que nunca possui voz em casa. Esses comportamentos influência muito a vida de Antônio longe de casa. Ele carrega a dor de ter sido podado por uma família que não deixara ser quem ele era. Não só uma dor, mas também aquele sentimento de não pertencimento e raiva dos anos vividos com os pais.

O fato de ser gay e negro nesse livro é apenas uma mera questão. Não é de fato o que carrega a história. Até porque o personagem fala poucas vezes ou de maneira natural sobre a sua sexualidade. O foco é como o acidente que o deixou paraplégico transformou a vida de um homem entre 30 e 40 anos. Como as pessoas o abandonaram, a tentativa de mudar a vida, como é viver em uma cidade que não é preparada para pessoas que possuem alguma deficiência física/motora e que acabam atrapalhado a locomoção. É um livro sobre sentimentos. Sobre a degradação de um pessoa. E como mudanças inesperadas podem de alguma forma acabar com você mesmo que haja uma luta para não cair nessa obscuridade de sentimentos negativos.

É um livro que precisa de atenção devido ao fluxo de consciência e as passagens entre o passado e o presente que acontecem de um parágrafo para outro. Quem não presta atenção fica meio perdido. É um livro forte e incrível. Não é um livro que escora nas minorias que o texto apresenta como tentaram enunciar.

Fica aqui a recomendação para a leitura de um livro forte.
Profile Image for Gabriel Ramos.
79 reviews2 followers
March 5, 2018
O livro nos leva para dentro da cabeça de uma pessoa, algo perturbador mas ao mesmo tempo esclarecedor. A consciência e a mente de uma pessoa, com diversos problemas, e um mistério para todos a sua volta o autor, Carlos Eduardo Pereira, consegue com sua escrita, sucinta e atual, nos levas para dentro da mente de Antonio para termos uma pequena noção das dificuldades de uma vida sobre rodas.
Displaying 1 - 25 of 25 reviews

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