Ansiosa por regressar à Argentina, mas presa a Portugal, distante do homem que ama e da mulher com quem vive, Adriana está perante um dilema universal e intemporal: manter-se comodamente na ignorância ou desvendar o passado da família, como se de um caso policial se tratasse, enfrentando assim aquilo de que andou a fugir toda a vida, por mais doloroso que seja.
Num jogo magistralmente imaginado pela autora, entre a vida atual de Adriana e os ecos do Portugal antigo, machista e violento dos seus pais e avós, esta história, de uma família e dois continentes, é uma viagem entre o presente e o passado, uma ponte sobre o fosso cultural que separa as gerações, um tratado sobre tudo aquilo que a família pode fazer à vida de um só indivíduo.
Entre a sombra e a luz, deixando que por vezes os silêncios falem mais alto do que as palavras, Limões na Madrugada é um romance sobre o amor incomum, o poder da família e a necessidade da coragem.
1 - Personagens: a) Todas inesquecíveis; b) Todas coerentes com as suas incoerências; c) Todas intensas nas suas fragilidades; d) Todas fortes nas suas fraquezas; e) Todas vulneráveis na sua insegurança e na sua instabilidade; f) Todas perfeitas nas suas imperfeições; g) Todas instáveis na sua estabilidade emocional; h) Todas apaixonadas; i) Todas ambíguas e, por vezes, dissonantes no seu comportamento e na sua atitude.
2 - Cenários: a) Excepcionalmente bem enquadrados, quer na narrativa quer na sua descrição intrínseca - não tenho nenhum fascínio por conhecer a Argentina; mas tenho urgentemente que revisitar o Porto - estação de São Bento, o Douro, a zona dos Clérigos, o Museu de Serralves, só para referir alguns lugares; b) Faz sentido fugir para longe e cortar todos vínculos; quando se foge para perto estamos só a adiar um problema.
3 - Estrutura: a) Adoro capítulos curtos; que ora avançam ora recuam no tempo e no espaço; a sensação de começar a ler um capítulo nessa incerteza serve sempre para realçar a amplitude das personagens e o desenvolvimento da narrativa; estamos sempre de sobreaviso, atentos, vigilantes.
4 - Suspense: a) Num romance de ficção contemporânea não existir suspense é para mim um handicap inultrapassável. "Limões na Madrugada" tem esse suspense em inúmeras vertentes - sempre exemplarmente aplicado, manuseado e manipulado com mestria, pouco a pouco, no ciclo e na duração perfeita.
5 - Temáticas: a) Segredos familiares; b) Amores e desamores (não quero acrescentar mais...); c) Transtorno, distúrbio e/ou doença mental, psíquica e/ou psiquiátrica; d) Violência familiar e/ou doméstica; e) Pintura e/ou quadros; f) Misticismo (?), sobrenatural (?), transcendental (?); g) Descoberta e autodescoberta.
DOWN
1 - Capa: a) A capa é péssima (verifico que plagiada ou semi-plagiada de Woman in the Shadows (Clara Vine, #2) de Jane Thynne - através do blog algodaodoceparaocerebro).
2 - Título a) Demasiado banal - desenxabido (definitivamente).
1 - Tenho algumas interrogações... não sei se consigo obter as respostas por que ambiciono... gostava de perceber e entender algumas linhas narrativas e, sobretudo, alguma da génese do romance...;
2 - Faltou um pouco mais de "ousadia" - o romance é excepcionalmente expressivo e incorpora as descrições de uma forma sublime - numa ou noutra sequência (destaco pelo menos uma na página 182);
Este é apenas o segundo livro que leio desta autora. Li há dois anos O cavalheiro inglês e gostei bastante da contextualização histórica e da turbulenta e envolvente história de amor entre uma jovem aristocrata portuguesa e um enigmático cavalheiro inglês. Porém, a mais recente obra de Carla Soares é de outra estirpe, é mais densa, mais intimista, dando primazia às personagens em detrimento da ação e revelando uma maturidade que me conquistou desde a página inicial. Se já havia gostado bastante de ler a primeira obra sua que caiu na estante cá de casa, que dizer de Limões na madrugada, que dizer de uma narrativa que nos absorve, que nos impulsiona a passar de capítulo em capítulo, que nos faz apaixonar pela sua imperfeitamente perfeita protagonista?... Adriana Branco nasceu no Porto, mas viveu quase toda a sua vida na Argentina. Sem que nada o faça prever, recebe um telefonema de um advogado português que a informa do falecimento da sua tia, irmã de seu pai, e que esta lhe deixou uma carta e uns quadros pintados pelo seu irmão, tio de Adriana. Este contacto inesperado com alguém do seu país natal abala-a de uma forma inexplicável e termina sendo a desculpa ideal para regressar às suas origens, para cortar amarras com uma vida aparentemente plena e para, simultaneamente, abrir-lhe portas para um passado familiar de que pouco ou nada sabe e para descobrir-se a si mesma como filha, como sobrinha, como neta, como amiga, como amante e, acima de tudo, como mulher. Percorrendo as ruas da “minha” Cidade Invicta, perdendo o olhar nas águas do rio Douro, viajando de múltiplas maneiras pelas suas encostas e saltitando do presente para um passado que não é apenas seu, Adriana vai partilhando com o leitor tudo que a compõe como mulher e como personagem redonda, complexa, imperfeita, cheia de incongruências, medos, desvarios, desejos, fragilidades. É uma partilha crua, despejada e que me fez ainda gostar mais dela, talvez porque a aproxima muito do que eu sou, do que todos somos no nosso quotidiano, na nossa vidinha comezinha. As descobertas resultantes do passar dos dias e de um contacto tanto desejado como indesejado com as histórias e os segredos da sua família paterna vão moldando uma Adriana que sempre se sentiu incompleta. Vão deixando-a aterrorizada, vão obrigando-a a combater demónios de um passado familiar bem como os seus demónios individuais e vão sobretudo fazendo-a crescer, arrumar a sua vida e a vida dos seus em gavetas (que voltará a abrir ou deixará encerradas para sempre) e compreender que ela é fruto, por um lado, de uns laços familiares carregados de dor e de violência e, por outro, das suas próprias ações e decisões. A capa da obra vem enlaçada com uma fita de papel que compara Carla M. Soares a três autoras distintas – Isabel Allende, Elena Ferrante e Agustina Bessa-Luís. Percebo o porquê dessa comparação, principalmente com as autoras estrangeiras, já que me recuso a ler qualquer obra da Agustina, desde que sofri horrores com leituras suas obrigatórias em tempos de escola. Percebo a ligação com as letras de Allende, visível no lado materno e argentino de Adriana, na fogosidade e liberdade dos seus amores. Percebo a comparação com as obras de Ferrante, com a violência, a dureza e a brutalidade que mancham o lado paterno de Adriana. Porém, preferiria que estas comparações não tivessem um destaque tão visível, porque considero que a voz da autora é muito sua, com talento suficiente para ganhar o seu próprio espaço no nosso panorama literário e quem sabe fora das nossas fronteiras. Estes Limões na madrugada são um exemplo evidente dessa voz e do quanto a mesma tem vindo a amadurecer e a sobressair perante os seus pares. Termino esta opinião reiterando o quanto apreciei esta leitura, o quanto me apaixonei por Adriana, o quanto a sua personagem é fabulosa e nos agarra, o quanto o seu protagonismo não obscurece personagens menos interventivas na trama, o quanto estas são importantes para o interesse e a vontade que senti em devorar os capítulos curtinhos da obra e em saber quem na verdade foram os Branco e o quanto a autora soube tecer com segurança e engenho uma narrativa muito portuguesa e muito próxima da realidade de todos nós. Por tudo isto, é óbvio que recomendo muitíssima esta leitura e que espero que Carla M. Soares continue a surpreender-nos e a maravilhar-nos com obras densas e emotivas como esta. Ficarei à espera! Resta-me agradecer – e muito – à editora Cultura por me ter enviado esta obra em troca de uma opinião honesta. Que seja a primeira de muitas e que esta parceria de que tanto me orgulhe floresça e continue a dar outros frutos!
O que mais me impressionou nesta obra acaba por ser contraditório com a publicidade que surge à autora, comparando a três outras escritoras. E o que mais me impressionou? A capacidade de escrita de Carla M. Soares. Que surpresa e que diferença (abissal) desde o Alma Rebelde! O "toque" da escrita é tão próprio que não vejo qualquer sentido fazer-se comparações. É injusto, até. Eventualmente, à de Isabel Allende, em virtude do ponto comum, América Latina, mas apenas por isso (quem ler o livro perceberá).
As personagens pareceram-me credíveis, tanto na força como fragilidade que lhes está subjacente. Acima de tudo são coerentes e este é um ponto a que dou bastante relevância em qualquer obra que leio.
Faço parte do grupo que achou o título muito mal escolhido. Hoje entendo-o melhor, porém acho-o demasiado "pobre" para a obra que é. Fora isso, este livro tem tudo o que se deseja num bom romance: tem amores, desamores, mistério, ousadia,..., ousadia esta ainda pouco abordada noutros livros. E a capa, apesar de não ser original, acho-a lindíssima. Remete para a cidade do Porto, de que tão boas lembranças guardo.
Uma excelente escolha, com a mais valia de ser constituída por capítulos curtos, que agilizam bastante a leitura através dos seus avanços e recuos no tempo.
Excelente exemplo do bom que se faz nas letras nacionais. Recomendo!
Limões na madrugada foi o primeiro livro que li da Carla. Gostei muito! Tal como Adriana, também eu saí do meu país e fui para outro mais ou menos com a mesma idade! Tenho familiares na Argentina, daí também me ter identificado muito com o livro! Gostei muito deste romance e vou ler mais livros da autora!
Acabei agora de fazer esta viagem olfactiva ao passado de Adriana, a personagem principal de “Limões na Madrugada”. Adriana vive na Argentina, desde criança, e a sua ligação ao Porto e às relações familiares paternas há muito tempo tinham sido cortadas. O testamento da tia vai despoletar o regresso a Portugal, no entanto este encontro com o passado não será pacifico e alguns fantasmas terão de ser enfrentados. Este livro aborda alguns temas fortes, mas com uma escrita delicada e arrebatadora.
Confesso, envergonhada e triste, que este é o primeiro livro que leio da Carla M. Soares. Envergonhada porque tenho todos os livros dela, que aguardam na estante a sua vez. Triste porque só agora percebo o que tenho estado a perder. Esta história de Adriana e da sua família está muito bem escrita e muito bem contada. Adriana foi bastante jovem para a Argentina e acaba por regressar a Portugal devido a uma herança deixada por uma tia paterna de quem ela tem escassas memórias. É, pois através deste acontecimento que a personagem principal do livro e o leitor vão descobrir o que aconteceu no Porto, e que levou à ‘fuga’ do pai de Adriana para o continente americano, terra natal do lado materno da sua família. Por outro lado, e com tempos diferentes que se cruzam vamos, também, tendo conhecimento da vida desta jovem na Argentina e de como se deu todo o seu crescimento até ao regresso a Portugal. Tratando-se de uma mini saga familiar, a história retrocede apenas duas gerações, o livro acaba por nos dar uma história que não sendo comum poderá acontecer com qualquer um de nós. Mas a parte mais atraente deste livro, na minha opinião, é a forma como Carla M. Soares trata e caracteriza as suas personagens. Na verdade, neste livro não há heróis. Há pessoas, gente com qualidades e defeitos, em alguns mais defeitos que qualidades, mas gente que vive a vida como a sente, como o destino lhe permite, pedindo desculpa ao errar e avançando sem temer esses mesmos erros. Adriana tem ela mesmo, ao longo do livro, uma construção enquanto mulher que a vai fazer crescer e reconhecer as prioridades da sua vida. Não acho, como diz na capa, que ela não devesse vir para conhecer o seu segredo. Considero que ela se tornou mais forte, mais mulher, mais ela, depois de ter descoberto as suas raízes, por muito nefastas que sejam. Como diz o poeta só sabendo é que poderemos trilhar o nosso caminho e saber para onde devemos ir. Adriana quando acaba esta façanha sabe perfeitamente o que quer fazer da sua vida, tendo consciência do que depende e não depende dela mesma. Com uma capa lindíssima, diz a publicidade que este livro é “Emocionante como Allende. Misteriosa como Ferrante. Portuguesa como Agustina”, e diz bem. Achei o ambiente onde se passa a ação semelhante ao de alguns livros de Agustina, sem ser imitativo. Tal como com Isabel Allende aqui as personagens principais são mulheres, reais, sem heroísmos pouco plausíveis, mas as lutadoras, defensoras dos seus ideais e da sua vida. No entanto, agradou-me e prendeu-me mais que Ferrante. Como tal Limões na madrugada é um livro que recomendo vivamente e certamente me fará tirar as outras obras da autora da estante. Talvez assim a vergonha passe.
Limões na Madrugada é uma incursão da Carla M. Soares num estilo que (julgo) lhe é novo. Digo julgo porque ainda não li A Chama ao Vento. Em termos de construção, parece-me um romance mais simples do que os anteriores. Em termos emotivos, porém, é bem mais pesado. A história é intemporal, o estilo narrativo é introspetivo, as viagens e descrições são interessantes. O enredo centra-se em Adriana, que vem da Argentina (contrariada) para receber uma herança da família (que recebe contrariada). Adorei o retrato do Porto atual, do Porto invadido de turistas e fulgurante, que tem encantado toda a gente pelo globo fora. Gostei de passear pelas suas ruas, e de visitar este seu casarão, que me pareceu tão palpável. Também apreciei a história (um tanto obscura) desta família, as muitas nuances da personalidade de cada um, o preto e o branco num cinzento muito humano. Gostei ainda mais da vida pessoal da personagem principal, tão fora da caixa, uma lufada de ar fresco na literatura. No entanto, senti que a dado momento fiquei encurralada nas mesmas dúvidas da personagem principal, e que a sua contrariedade me causava exasperação. Lamentei a sua falta de curiosidade pelo passado da própria família – ou a falta de coragem para explorá-lo. Também senti que a personagem que a acompanha no Porto, à descoberta, é uma espécie de grilo falante, para que a Adriana possa expressar-se e trocar ideias com alguém, mas não o senti muito vívido, nem muito intenso na narrativa. Também os frames do passado eram por vezes pouco nítidos, narrados por vozes externas ou pela imaginação da Adriana, ou seja: não há um mergulho nessas vidas, há apenas um aflorar das águas, um espelho a mostrar acontecimentos de há trinta anos, mas nunca ouvimos aquelas vozes nem sentimos o pulsar daquelas vidas. É normal, uma vez que é um livro na primeira pessoa. Porém, sinto que essa escolha da autora conteve a empatia que poderia vir a sentir pelos Branco. Considerei muito interessante a premissa que retirei do livro: a de que somos um passado tantas vezes desconhecido, tantas vezes nebuloso, e que evitamos as perguntas e os caminhos que o deixam a descoberto. Continuarei a ler a Carla, quiçá de volta ao estilo a que nos habitou, ou a acompanhá-la nestas incursões por novos modos de contar estórias. 3,5
Foi o primeiro livro que li da autora e gostei da escrita, do estilo, da complexidade da história, dos relatos sofridos de relações abusivas e destruidoras em contraponto com relações mais ou menos ambíguas e descomplicadas.
Infelizmente, revi-me no tema de uma neta a desfiar o novelo e a descobrir um passado longínquo de Avós que padeceram às mãos de homens ditadores que subjugavam as suas mulheres e filhos.
Legitimada ora por dogmas religiosos e políticos, ora pela ideologia patriarcal, a violência doméstica é um fenómeno de longa data. No passado poderia ter contornos ainda mais complicados de gerir, dado a mulher na maior parte dos casos ser dependente economicamente do marido. Havia um padrão de comportamentos comummente aceite de acatamento das “leis” impostas pelo “ganha pão” da família; as infidelidades do homem eram algo que se justificava pelas suas necessidades fisiológicas (cheguei a testemunhar discursos destes😒).
Adriana vê-se a braços com uma montanha de emoções. Um segredo deveras doloroso e a descoberta assombrosa de uma tolerância sociocultural relativamente à violência infligida.
“Entre marido e mulher não se mete a colher!” Quem nunca ouviu esta expressão?
Encantei-me com a minha cidade berço (Porto) e as suas descrições, gostei do lado lúgubre e misterioso de uma casa com fantasmas (ou apenas devaneios do espírito) e do que os quadros vão desvendando.
Finalmente, após a revolta, o afundar e o sufocar, Adriana, lentamente submerge em busca de uma nova luz.
”… eu sei por fim porque estou aqui. Não é pelas assombrações das décadas passadas. Não é pelo meu pai, pelos meus avós (…); deixo o horror para trás, já decidi que não me pertence. Estou aqui pelos limões. Antes desta casa, o aroma do limão era um embalo doce, era Chloe, Javier, a Casa das Rosas em certos momentos de harmonia…”
Na contracapa, o último comentário diz “UMA HISTÓRIA TÃO SUBTIL QUANTO IMPLACÁVEL”. Creio que é isso mesmo.
Projectos Enquadrados: #aviciadadoslivros (Escolhido pela Capa) / #lusiteratura /#leiturtugas (Escrito por Mulher)
Gostei do meu primeiro contacto com esta autora Lusa, mas infelizmente não me arrebatou... Acho que me perdi demasiadas vezes na linha temporal da estória... Adorei a escrita, por isso acho que este livro é um ponto de partida para outros que tenho por ler da autora. Carla, não é um adeus, mas sim um até já ;)
Quando se inicia a leitura deste romance, é impossível o leitor não reparar de imediato na escrita sublime da autora. Uma escrita lindíssima, trabalhada mas deliciosa de ler, com um toque próprio da autora.
3 estrelas porque achei o livro muito curto para a história, faltou contar alguma coisa. (Fiquei meio perdida) Carla M. Soares escreve muito bem e descreve sensações, paisagens e emoções esplendidamente. Primeiro contato que tive com esta autora e está aprovada.
Boa tarde leitores, hoje trazemos mais uma opinião. Pois é, hoje apresentamos este Limões na madrugada, uma estreia da nova parceira Cultura Editora e da autora Carla M. Soares no blogue.
Temos a dizer que é um romance interessante mas que não foi dos mais arrebatadores que lemos. Talvez porque tenhamos sentido alguma falta de emoção no livro.
Se é certo que os vários ingredientes postos na trama são interessantes, o facto é que não sentimos emoção.
Apesar disso, não odiámos, de todo, o livro, acaba por ser um romance leve, com uma história familiar que encerra segredos e com uma protagonista que se vê a braços com esses segredos e com as suas desventuras amorosas.
Uma trama que nos transporta para os meandros mais escuros da vida conjugal da época dos avós de Adriana e para a vida amorosa da mesma.
Ficamos a conhecer Javier e Cloe por quem Adriana nutre um puro sentimento.
Achámos interessante a ligação feita pela Autora a determinadas obras executadas por um familiar de Adriana e o seu significado com tudo aquilo que a protagonista terá de descobrir, caso a isso se lance. Foi um elemento que nos foi prendendo à trama à medida que a história se foi desenrolando.
Não podemos dizer muito mais sem acabar por revelar os pontos mais interessantes da história, pelo que terão de ser os leitores a ler e a descobrir tudo aquilo que poderá alterar a vida de Adriana e a visão que tem da sua própria família.
Ficámos algo decepcionados com o final do livro. Esperávamos um fim mais concreto. Fechado. A vida de Adriana fica pendurada. Não foi um ponto favorável da história.
Um livro mais intenso e por essa razão mais emocionante do que "O Ano da Dançarina". No entanto, pode parecer uma contradição, gostei mais deste último. Ainda assim, "Limões na madrugada" (confesso que embirro um pouco com o título, não sei, parece-me pouco poético) é um livro muito bem construído, com uma intriga central que vai sendo completada com outras histórias das personagens e o que sobressai é a escrita apaixonante da Carla, que surge nesta narrativa de forma livre e envolvente. Recomendo vivamente a leitura! E Carla, parabéns!
Estava muito ansiosa para ler este livro que me despertou logo a curiosidade pelo título e pela sinopse. Mas ao mesmo tempo estava receosa de o ler porque conheço pessoalmente a autora e queria fazer uma leitura isenta e uma opinião honesta. Finda a leitura, julgo que foi uma preocupação infundada, porque gostei verdadeiramente deste livro e consegui abstrair-me da pessoa que conheço para mergulhar numa história bem escrita que tanto prazer me deu ler. Passei por estas páginas alternando entre uma leitura compulsiva e uma leitura lenta, para saborear cada palavra, porque a Carla tem uma escrita muito bonita e cuidada.
Nota-se uma grande evolução na escrita da autora. Não é o meu livro favorito dela, mas é impossível negar que a sua escrita está mais bonita. A história salta entre o passado e o presente, o que me fez bastante confusão no início. O facto de ser uma história que se desenvolve lentamente também me fez não ter vontade de devora-lo. No entanto, o mistério que se vai criando à volta da família Branco, faz-nos querer saber o que realmente aconteceu.
Limões na Madrugada é o segundo livro que leio da Carla M. Soares (tenho o Cavalheiro Inglês por ler na estante) e estou mesmo rendida à escrita da autora, mas também as histórias que cria. Adriana é uma mulher que se vê a braços com o passado no distante Portugal. A viver na Argentina desde tenra idade, surpreende-se com o telefonema de um advogado portuense dizendo que é portadora de uma herança. A primeira reação é dizer que não está interessada em nada que venha da família do pai, mas a curiosidade começa a ser grande, uma vez que a tia a "obriga" a viajar para o Porto, numa carta que lhe é deixada.
Narrada pela protagonista, a história situa-se entre a Argentina e o Porto, entre passado e presente. E isso é o que mais valorizei no livro. Gosto de livros que nos vão desvendando aos poucos as personagens, que nos dão um pouco de cada vez, que trazem mistério a cada virar de página.
Um livro que prende, sentidos despertos por cheiros e visões, sentimentos à flor da pele! O passado atropela o presente e muda tudo o que julgámos saber sobre a origem da família!
Já alguém viu o início da adaptação de 1992 de "O Monte dos Vendavais" com o Ralph Fiennes e a Juliet Binoche? Pois bem, caso não tenham visto, vejam. É a melhor versão cinematográfica da obra de Emily Bronte que por aí anda. E o que é que isso tem a ver com este "Limões na madrugada" da Carla M. Soares? Pois bem, aquele início, com uma jovem Sinead O'Connor a interpretar a Emily Bronte, é de uma delicadeza lúgubre, nostálgica e até mórbida, que nos atraí para a história de contornos góticos que vai ser contada. Nesta obra da Carla, enquanto a lia, lembrei-me muitas vezes daquelas primeiras cenas do filme, da beleza e tranquilidade das palavras que, apesar de nos alertarem para uma história triste, são literariamente belas. Não estamos perante uma história com a densidade narrativa de um "O ano da dançarina". No entanto, "Limões na madrugada" está escrito com tanta qualidade, com uma tal sensibilidade que nos desperta a curiosidade, a vontade de ler mais e mais. Com capítulos pequenos mas cheios de consistência, vamos indo e vindo na história da Adriana, no seu passado, na descoberta de uma família já perdida mas que ainda tanto tem para contar. Se é emocionante como Allende? Nunca li Allende. Se é misteriosa como Ferrante? Nunca li Ferrante. Se é portuguesa como Agustina? Nunca li Agustina. A Carla é a Carla, com uma escrita muito própria, muito dela. No caso de "Limões na madrugada" o tom intimista, nostálgico e envolvente seduz-nos até à última página, expondo-nos um desfecho triste. E aquele ir e vir na história não é nada confuso como por vezes acontece pois é muito fácil situarmo-nos e perceber até onde a autora nos quer levar. Por último, confesso que a única coisa que me desgostou neste livro foi mesmo o título! É original, certo, mas, para mim, seria apenas um excelente título para o último capítulo (como acontece). "Limões na madrugada" soa-me muito simples, muito ligado ao final da história. E havia tanto por onde escolher, com aquele passado trágico dos Branco, com aquela casa soturna e decadente, com aquele regresso às origens, com aquele cheiro de limões presente em toda a narrativa. Agora... agora é esperar mais novidades por parte da Carla. Já é a minha autora portuguesa favorita e, por isso, espero que vingue cada vez mais neste mercado literário.
Esta foi a minha primeira experiência de leitura de uma obra da Carla M. Soares e devo já adiantar que foi extremamente positiva. Este “Limões na Madrugada” é um livro com uma história muito bem construída e com uma escrita muito agradável. A autora tem o enredo muito bem estruturado, o que torna a leitura muito fluída e nada cansativa. O final do livro não deixa nenhuma ponta solta. Os assuntos ligados às diversas personagens são actuais e abordam uma realidade presente no meio das famílias e amigos de ontem e de hoje. O livro mantém o leitor preso devido à aura de mistério que paira sobre a história de família de Adriana, a protagonista, e sobre o motivo pelo qual os seus pais saíram de Portugal rumo à Argentina. Gostei muito de ler “Limões na Madrugada” é um livro “acolhedor” que nos transporta para junto dos personagens. Opinião no Blogue: https://misslivrinhos.blogspot.pt/201... Irei, de certeza, num futuro próximo apostar noutros títulos da autora Carla M. Soares. Parabéns à escritora e a editora por esta capa magnifica.
Gostei imenso deste livro, apenas não dou 5* porque queria ler mais. Sim eu sei que o livro tinha de terminar... mas eu queria ler mais, enfim pareceu-me um final em aberto.
Antes de mais gosto da escrita da autora, é tão bonita. Anteriormente li "O ano da dançarina" e amei!, pelo que, já conhecia a sua escrita sublime. Gostei muito desta história, da forma como está estruturada. Os avanços e recuos no espaço temporal fez aumentar o suspense e a minha curiosidade em desvendar os segredos da história familiar de Adriana. Adorei a complexidade da personagem principal bem como das restantes, o que lhe confere realismo, as pessoas não são apenas boas ou más. Gostei do facto de ser de certa forma uma história de gerações de mulheres vítimas das normas sociais de uma realidade tão portuguesa e, infelizmente ainda actual.
Também o título, na minha opinião, está muito bem escolhido. É simples, bonito e está em plena concordância com a história, tem para mim um significado de nostalgia e saudosismo, uma vez que, ao longo da narrativa foi precisamente o "aroma dos limões", a referência que evocou sentimentos de saudade de aspectos do passado da vida de Adriana.
Agora estou entusiasmada para ler "O cavalheiro inglês". :) :) :)
Um livro que me deu boas sensações. Gostei especialmente das casas e da trama do segredo de família. Já as personagens do presente, achei-as com pouco conteúdo, com alguns pontos e acções pouco credíveis e não gostei nada da personagem principal e os seus amuos, dúvidas existenciais exageradas e dramáticas. Aconselhava-lhe umas valentes horas de terapia!! :-) Também os romances da personagem principal são estranhos... novamente ... terapia! :-) De qualquer maneira gostei da história principal e da maneira como nos foi apresentada. Foi uma leitura interessante.
Li agora este livro para participar na discussão da obra na Comunidade de Leitores da Biblioteca das Galveias. Já o tinha há bastante tempo à espera e se não fosse este detonador, provavelmente teria continuado abandonado. Gostei da escrita, por ser simples e fluída e da história cruzada entre a Argentina e Portugal. Adriana é uma mulher adulta mas pouco independente emocionalmente, frágil, confusa e perdida. Embora contrariada, viaja até ao Porto de onde partiu quando era criança, desconhecendo a sua história. O mistério/segredo da família é revelado nos quadros de um tio "insano" e o passado vai sendo descoberto e reconstruído. Li o livro numa altura de muito trabalho e pouca capacidade para manter a atenção. Agora vou ler um policial sórdido para eu própria cuidar da minha saúde mental. Os livros terríveis ajudam-me a lidar com a vida profissional, relativizar a desgraça 😎 (Ah, tinha lido há muito tempo o "Alma Rebelde" de que me lembro de ter gostado mas ter achado que era mais dirigido a um público mais jovem, ingénuo e ainda crente no amor puro 💛)
Este é o terceiro livro desta escritora escritora que leio e é completamente diferente dos anteriores. Um livro onde os capítulos não são seguidos no tempo e onde ás vezes me perdi para perceber a sua sequência. Um livro diferente
Lido quase num dia… os capítulos curtos favorecem esta leitura e permitem entender melhor os avanços e recuos no tempo. Mais uma vez, aprecio a escrita desta autora, a forma como dá vida às personagens e aos seus sentimentos. É fácil sentir empatia por Adriana, pela forma como reage ao que lhe vai sendo revelado, pelo medo que tem de desenterrar fantasmas do passado. É uma personagem bastante real (apesar de alguns “delírios”) e o seu lado mais ousado, o que “deixou” na Argentina, agradou-me, por contraste com a história triste da sua família tradicional, mas infelizmente tão comum. As descrições dos espaços são muito reais, e gostei particularmente das memórias olfativas que a personagem vai descrevendo ( tal como Adriana, há cheiros que me fazem recuar no tempo, cheiros que associo a um acontecimento ou a uma pessoa). Apesar de ter gostado, esperava saber mais da história da família de Adriana, porque me parece que os temas mereciam uma abordagem um pouco mais profunda. Também não gostei da personagem que Adriana conhece ao chegar a Portugal, Diogo, porque a relação entre os dois é um pouco forçada. No entanto, a ação decorre na minha cidade, o que me agradou bastante - e é verdade que o Porto evoluiu, que é uma cidade cheia de turistas e de sítios a visitar. As 4 estrelas são porque acho que este livro poderia ser mais. Depois de ler “O Ano da Dançarina” ou o “Gente Feita de Terra, este soube-me a pouco, mas recomendo a leitura.
Este é o segundo livro que li da Carla M.Soares. Comparativamente ao primeiro que li ( O Ano da Dançarina), gostei mais do outro, mas a autora continua a brindar-nos com uma escrita fabulosa, rica, e com detalhe da vida emocional das personagens. Limões na Madrugada, pode parecer um titulo estranho, mas depois de ler o livro, percebi. O enredo é interessante, mas prende-se muito nos pensamentos da personagem principal, o que atrasa a leitura por vezes. Demorei muito tempo - para o meu hábito - a ler este livro pequeno. Venham outros e parabéns à autora.