O livro «Luiz Pacheco Essencial», de António Cândido Franco é uma síntese biográfica do polémico escritor, em que os atropelos da vida acompanham a singularidade da obra, vincadas ambas pelo carácter excepcional do «escritor maldito».
«O passeio que proponho ao leitor será pois também uma travessia dos acidentes alucinantes da sua vida. Este homem foi ao inferno e por lá viveu temporadas largas; foram elas que lhe puseram a tinta no bico da caneta ou na fita da máquina. Sem a tragédia da vida, a literatura não passava para ele dum exercício escolar sem interesse. Morreu várias vezes em vida, a chorar e a rir, que não há menos riso do que tragédia no seu percurso vivido e escrito.»
Luiz Pacheco Essencial António Cândido Franco Grafismo e capa de Luís Henriques Maldoror, 2017 200 páginas
ANTÓNIO CÂNDIDO FRANCO nasceu em Lisboa, a 13 de Junho de 1956. Licenciado em Filologia Românica (1981) e Mestre em Literaturas Brasileira e Africanas de Expressão Portuguesa (1988) pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Doutorou-se com a tese A literatura de Teixeira de Pascoaes pela Universidade de Évora (1997). É Professor Auxiliar, com Agregação em Cultura Portuguesa (2006), no Departamento de Linguística e Literaturas da referida Universidade. Investigador do Centro de Estudos em Letras da Universidade de Évora, as suas áreas de interesse científico são a literatura, a antropologia e a história portuguesas. A. Cândido Franco iniciou-se na poesia com o título Murmúrios do mar de Peniche (1977), seguindo-se-lhe Na renúncia do coração (1984), Matéria prima (1986), Corpos celestes (1990) e Estrela subterrânea (1993). Os seus textos poéticos encontram-se coligidos em Estâncias reunidas: 1977-2002, na coleção “Finita melancolia” das Quasi Edições. O Autor alcançou grande visibilidade junto dos leitores com as suas narrativas sobre a História de Portugal que «tomam como ponto de partida os cruzamentos ou as parecenças entre a História e a Lenda» (in nota biográfica na Ésquilo Editora): Memória de Inês de Castro (1990), Eleonor na Serra de Pascoaes (1992), Vida de Sebastião, Rei de Portugal (1993), A Rainha Morta e o Rei Saudade (2003), Viagem a Pascoaes (2006), A saga do Rei Menino (2007), A herança de D. Carlos (2008), Vida Ignorada de Leonor Teles (2009) e Os pecados da Rainha Santa Isabel ( 2010). A. Cândido Franco «reclama para a História, na linha de Fiama Hasse Pais de Brandão, o direito à alucinação, pois uma História sem a teatralidade do imaginário não está viva nem é real.» (ibidem). O autor destaca-se com cerca de nove romances históricos no panorama da literatura ficcional portuguesa contemporânea.
Luíz Pacheco é quase um tema inesgotável em si mesmo, e este livro fala-nos da sua vida para melhor entendermos a sua obra. Como o título indica, conta-nos o essencial, e nesse aspecto não desilude. Não omite, não engana. No entanto tem por vezes um tom demasiado coloquial, e pouco neutro.
Não deixa de ser um livro bastante interessante, e que nos dá uma visão duma época e dum escritor/editor fundamental da nossa história.
É sempre engraçado ler factos da vida de Luiz Pacheco; seja pelo próprio, em entrevistas, ou por outros que conviveram de forma mais próxima com o escritor editor. Ainda assim, a maior parte das histórias repetem-se, nas biografias em livro e nos documentários televisivos; ficando com pena de a própria produção literária do biografado, na sua maior parte, não se encontrar disponível para leitura. Lê-se aquilo que se consegue encontrar de forma mais acessível no mercado - o que parece uma contradição, conhecendo a prática editorial de Pacheco. Porque não piratear os seus livros?