D. Nuno Álvares Pereira é, sem dúvida, um dos maiores heróis da História de Portugal. Condestável do reino, aprendemos nos bancos da escola a sua importância em episódios decisivos, como a Batalha de Aljubarrota. Mas será que conhecemos toda a história deste extraordinário homem que tantos séculos depois da sua morte continua a apaixonar os portugueses?
Baseado numa pesquisa documental exaustiva e na leitura de diversas fontes narrativas medievais, o historiador João Gouveia Monteiro apresenta-nos a primeira biografia completa de D. Nuno Álvares Pereira, que surge nestas páginas nos seus diferentes rostos: o senhor feudal, o guerreiro e o homem de religião.
A sua carreira militar começa em 1381, com a terceira guerra fernandina contra Castela, e termina com a aventura de Ceuta, em 1415. Considerado um génio militar, conta com grandes vitórias no seu currículo: Atoleiros, Aljubarrota e Valverde. Como senhor feudal, fronteiro do Alentejo, Condestável, mordomo-mor do rei D. João I e triplo conde, acumula um património fundiário invejável e afirma-se como um ator político fundamental, numa altura decisiva da nossa história. Como religioso, devoto mariano e donato carmelita, foi o fundador do mosteiro do Carmo, onde viveu os seus últimos anos e veio a falecer em 1431, tendo sido canonizado em 2009.
Nesta biografia, o autor traça um retrato profundamente humanizado deste homem da Idade Média portuguesa, tentando compreender a relevância das suas ações, enquadrar os seus atos extraordinários e interpretar o arrojo das suas decisões e escolhas mais difíceis, em pleno Portugal dos séculos XIV e XV.
JOÃO GOUVEIA MONTEIRO nasceu em 1958, em Coimbra, em cuja Universidade é Professor Associado com Agregação e investigador do Centro de História da Sociedade e da Cultura. Ensina história medieval europeia e história militar antiga e medieval, sendo autor de 90 trabalhos científicos, entre os quais 10 livros. Foi Professor Convidado da Université Paul Valéry (Montpellier) e Conferencista Visitante da École Pratique des Hautes Études (Paris). Entre 1995 e 2001, coordenou um projeto de investigação pluridisciplinar no Campo Militar de São Jorge - Aljubarrota. Em 2000, organizou com Mário Barroca e Isabel Cristina Fernandes a exposição "Pera Guerrejar - armamento medieval no espaço português". É Académico Correspondente da Academia Portuguesa da História e da De Re Militari - The Society for Medieval Military History.
Sem biografias a história é uma máquina de escrever autómato que debita factos sobre factos ...
As biografias humanizam-na -- nelas emergem os rostos por trás dos feitos; humanos como nós que lutaram, perseguiram sonhos, exploraram limites, cumpriram missões, desempenharam cargos, acertaram, falharam..., lançando um pouco mais de luz sobre o potencial humano!
E quanto a D. Nuno?
Nuno Álvares Pereira era um bravo -- estratega inexpugnável, venceu batalha sobre batalha aquando da crise de 1383-1385, tornando-se o terror de Castela. Os exércitos da cavalaria castelhana, mais numerosos e melhor armados, sucumbiam perante os nossos bravos de infantaria, ao som das vozes de comando do Condestável!
D. Nuno, acreditava na invencibilidade como apanágio da pureza de carácter -- um bónus exclusivo dos rectos e castos, que ele adquirira por mérito.
Era justo e generoso para com subalternos e desfavorecidos; foi o nosso Santo Condestável que começou general e acabou monge.
Português de coração e raça, legou-nos o seu carisma de guerreiro e cabe-nos a nós aproveitá-lo ou desperdiçá-lo. Se tal como ele, almejamos a invencibilidade, é imprescindível conhecê-lo. Sonhamos ser inabaláveis? Inexpugnáveis como D. Nuno?! A receita paira algures por aqui! É certo que nunca o seremos integralmente. Porém, se trilharmos tal caminho, tenderemos a aproximar-nos do alvo pretendido! Resta-nos então a missão desafiante que consiste em extrapolar a receita da invencibilidade de D. Nuno, e adaptá-la à nossa realidade de guerreiros do dia a dia! Parece-me um investimento deveras frutuoso ;)
Excelente obra, não esperava menos do Prof. João Gouveia Monteiro, com uma narrativa cuidada a obra permite entender um dos períodos mais conturbados da História de Portugal (finais do século XIV - inícios do século XV), através de um dos seus personagens mais importantes. Nesta obra estão expostos as vicissitudes da vida do Condestável, desde a sua criação obscura e laços familiares centenários (remontam ao Condado Portucalense), passado pela criação de uma grande casa feudal, capaz de rivalizar o poder régio (recorde-se que foi triplo Conde, de Barcelos, Arraiolos e Ourém) e finalmente, o seu “desaparecimento” simplesmente como Nuno de Santa Maria.
Gostei muito de saber mais sobre a história de Nuno Álvares Pereira, mas não foi uma leitura prazerosa, preferia que tivesse sido contada em formato romance. Bibliografias não me apaixonam.