Um dos experimentos mais ousados da história do quadrinho brasileiro, BAIACU é a cria anárquica e surpreendente dos geniais Angeli e Laerte. Um livro, uma residência artística, uma experiência estética. Baiacu marca o retorno de uma das mais lendárias parcerias do quadrinho brasileiro. E que retorno! Para este livro, Angeli e Laerte selecionaram dez grandes artistas e os reuniram numa residência na igualmente lendária Casa do Sol, onde hoje funciona o Instituto Hilda Hilst. Durante duas semanas, os artistas trabalharam juntos para conceber e criar a baiacu, uma obra livre e aberta que experimenta com a linguagem das HQs, da poesia, da prosa e da fotografia. O resultado é um dos mais vibrantes, novos e estranhos livros do quadrinho brasileiro. Aos dez artistas juntaram-se os próprios editores da Baiacu, que colaboraram com desenhos e histórias, e mais cinco escritores e poetas, para completar o time que concebeu, criou e desenhou o livro. Um passeio por gerações, pontos de vista, perspectivas de vida, estilos e vozes.
Laerte Coutinho, known mainly as simply Laerte, is a Brazilian cartoonist and screenwriter, known for creating comic strips such as Piratas do Tietê (Pirates of the Tietê River).
She was part of the Brazilian underground comics scene of the 1980s. Together with Angeli and Glauco (and later Adão Iturrusgarai) she drew the collaborative comic strip Los Três Amigos. She has done work for publications such as Balão, O Pasquim, and Chiclete com Banana magazines, and draws regularly for Folha de S. Paulo newspaper. Since the mid 2000s, her strips have become more "philosophical" and less humor-focused, relying less on recurring characters. ______
Estudou comunicações e música na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, porém não se formou nestes cursos. Laerte participou de diversas publicações como a Balão e O Pasquim. Também colaborou com as revistas Veja e Istoé e os jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo. Criou diversos personagens, como os Piratas do Tietê e Overman. Em conjunto com Angeli e Glauco (e mais tarde Adão Iturrusgarai) desenhou as tiras de Los Três Amigos.
Sempre quis fazer residência na Casa do Sol, gostaria de ter ido no ano do meu TCC sobre Hilda Hilst, e esse foi o maior motivo de me interessar por esse livro, mais do que a curiosidade por ver todos esses artistas reunidos o fato de sê-lo na Casa do Sol dá um sabor a mais a um projeto por si só já interessante. O resultado é delicioso em todas as manifestações, prosa, poesia, quadrinhos, artes plásticas refletem a sensibilidade e posições sociopolíticas de seus autores, sempre muito cientes do momento atual que vive o Brasil, fazendo deste livro não só um veículo representativo da arte contemporânea como um documento histórico do que vive o país.
Bem, como todas as coisas avant-garde nas artes, Baiacu divide opiniões. Divide até a minha própria opinião que não sabe se gosta ou desgosta. Por isso, ela ficou na média. Tem umas partes legais bem legais. E umas partes chatas bem chatas. Tem umas partes feias bem feias. E umas partes bonitas bem bonitas. Tem umas partes bem nada a ver MESMO. E tem o Cascão molhado. =P As partes que mais gostei foram as dos pai/mãe/filho Coutinho que foram as que mais falaram pra mim. Outras partes não me disseram nada. Nadica. Outras partes eu precisava ver quem fez aquela pérola ou aquela porcaria no final do livro. Então eu acho que aquelas partes que passaram em branco pra mim, não conquistaram seu objetivo como arte. Já aquelas que eu tive de ver quem fez por ser legal ou horrível, feia ou lindíssima, avacalhada ou blasfemante dos meus valores, essas sim, são arte, ao menos no meu conceito e como acho que era a proposta dessa coletânea feita numa residência de artistas. Reclamei do preço da publicação, mas no fim comprei na CCXP mais barato e de quebra levei um autógrafo dos Coutinho e ainda tirei foto com eles. Então fiquei bem satisfeito no final, pelo menos dentro das minhas expectativas.
Baiacu é certamente um dos projetos mais criativos e inovadores no quesito do design e do storytelling que surgiram no Brasil nos últimos anos, com uma qualidade gráfica mesmo, impressa, impressionante e todos os quadrinhos, contos, poemas e informação extra muito bonitos e diferentes, todavia há uma certa falta de melhor filtro para o que entraria no livro, como as vezes acontece em grandes projectos experimentais como este; mas o livro é impressionante e tenho que enaltecer o “conto” Vernissage de Anna Claudia Magalhães porque simplesmente está no Zeutgeist de hoje e transporta o leitor para dentro de si.
É irregular, como se espera de obras experimentais deste tipo, de temática aberta e com vários autores. Tem algumas páginas bem sofisticadas como as de Laura Lannes e outras bem toscas, com desenhos do tipo "meu sobrinho de 3 anos faz igual". Os textos em prosa são dispensáveis.