Imagine que Camões, Petrarca e Shakespeare eram uma só pessoa e escreviam um livro juntos. Essa pessoa nunca leria este livro. Abandonemos esta ideia.
Agora imagine que Camões tinha um filho com Bocage. Essa criança enfrentaria sérios problemas, desde logo por ter sigo gerada num ventre masculino. Abandonemos igualmente esta ideia.
Gregorio Duvivier prova, neste livro, que não é apenas autor de sketches estúpidos para a Porta dos Fundos — também sabe escrever sonetos perfeitamente imbecis.
Gregório Byington Duvivier é um ator, humorista, escritor, roteirista e poeta brasileiro. Ficou conhecido pelo seu trabalho no cinema e no teatro e, a partir de 2012, destacou-se como um dos criadores dos esquetes da série Porta dos Fundos, veiculada pelo Youtube.
É autor dos livros "A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora" , "Ligue os pontos - Poemas de amor e Big Bang" e "Put Some Farofa".Também assina uma coluna semanal na Folha de São Paulo.
Este livro é fininho mas cheio de humor. Cada página contém um poema de 14 linhas. Alguns são rudes e fizeram-me corar mas quase todos induziu gargalhadas também.
Super fácil de ler e com sentido de humor, é nestas pequenas coisas que eu gosto de investir para valorizar certas personalidades. O soneto sobre o café e Portugal é digno de emoldurar.
Para quem conhecer o Duvivier da “Porta dos Fundos” sabe que podemos esperar o inesperado, mas confesso que nunca esperei um livro de poesia. É de leitura simples e rápida, e é exatamente assim que consolida a sua qualidade. Não é Florbela Espanca, mas dá um baile ao Pedro Chagas Freitas (eu sei, não é difícil). São poemas sobre a vida, sobre as pequenas coisas, mas não são exclusivamente bons pelas suas índole humorística, as suas reflexões são realmente pertinentes, e existe muita verdade no meio das gargalhadas: "Repare nas pessoas conversando: Não é um bate-papo, é uma luta. Todos querem pra si o olhar do bando. Ninguém se entende nem sequer se escuta.” Muitas vezes temos a tendência a reduzir o humorista à pessoa engraçada, àquele a quem pedimos “conta uma piada” mas nunca perguntamos o que acha do estado da nação, pensamos sempre que a resposta vai estar carregada de ironia ou sarcasmo. Mas a verdade é que para se ser um bom humorista tem que se ter uma enorme capacidade para observar as pessoas, as suas interações, ver aquelas pequenas coisas que as distinguem e ter uma visão consciente e crítica do mundo. E não podemos associar estas características a muitos escritores? Nunca será um best seller, mas Sonetos de Gregorio Duvivier é sem dúvida um livro que recomendo.
“Mahatma se amarrava numa glande, Leonardo, pra mais de vinte, dava. Marat só se amarrava se era grande. Não Descartes um pau, René pensava. Calígula viveu co'a língua lá, Picasso não tirava o seu Dalí. Madre Teresa sabe em qual cu tá, Implorava a Florbela: espanca aqui. Agostinho gostava era de nabo. São Tomás tomava aqui no rabo. Até Jesus fazia troca-troca. Há quem diga: só falas de cacete? Se quiseres falamos sobre Goethe, Que, aliás, adorava uma piroca.”
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“Esse poema, mesmo, é um entulho. Não muda nada - mas ao menos rima” podia ser a sinopse e o livro podia ser uma conta de instagram. Meia estrela para cada soneto interessante 🥸
Boa leitura, os sonetos são super engraçados! Dou duas estrelas porque em alguns deles estava a espera de mais, e não sei se sou assim tão fã deste tipo de escrita. Contudo recomendaria para alguém que queira uma leitura simples e engraçada (li isto em nem meia hora ahahahah)