Eu já passei 6 anos da minha vida empreendendo. Ajudou muito na minha formação como pessoa e principalmente como profissional. Enfrentei problemas que eu nunca enfrentaria de outra forma. Aprendi sobre assuntos que eu nunca teria sabido da existência se não tivesse aberto minha própria empresa. Mas mesmo assim, eu sou um cara que sabe que o empreendedorismo não é o único caminho para alcançar a honra, dinheiro, satisfação. Sou totalmente contra aquelas frases como “se você não segue seu sonho, você faz parte do sonho dos outros” ou algo imbecil desse sentido. Sou partidário do pensamento de que você pode empreender em qualquer lugar, mesmo sendo CLT em uma empresa qualquer. De qualquer forma, sei que tem níveis de risco. E quanto mais risco tomar, mais aprendizados e com certeza mais sucesso você pode ter.
Facundo Guerra descreve o empreendedorismo dessa forma que eu não compartilho. Pra ele o empreendedorismo é a única forma de vida e ele deixa muito claro nos primeiros capítulos. Ele conta toda a história dele como “empregado”. Descreve todas as tribulações e insatisfações durante sua vida profissional e como ele conseguiu a vitória por meio do empreendedorismo depois de uma longa e tenebrosa jornada. A história é incrível e a forma com que ele descreve é fascinante. Mas denigre e muito quem prefere não seguir o caminho do empreendedorismo.
“E, no limite, mesas de pebolim e de pingue-pongue, que servem meramente como decoração. São arapucas pra os olhos dos que estão ocupados demais, trabalhando doze horas consecutivas para bater metas irreais.” — Fagundo Guerra
Durante o livro ele fala muito dos erros que ninguém comenta no mundo real. Ele mostra suas decisões ruins e seus pensamentos errados. Ele da dicas e conselhos importantes sobre controle pessoal, disciplina e até a escolha dos sócios corretos.
“Os melhores [empreendedores] com quem me deparei respeitam o dinheiro pelo o que ele pode fazer para transformar a realidade, não por ele poder comprar pedaços da realidade que está aí” — Fagundo Guerra
Adorei sobre como ele descreve de forma racional o deslumbramento maldito das pessoas sobre as empresas ratoeiras, que de forma artificial tentam ser diferentonas para atrair os desavisados. E o pior, em como as pessoas caem nessas ladainhas achando que estão entregando valor para o negócio e para o público. De fato estão, mas estão perdendo valor próprio ao se renderem à essas armadilhas em troca do falso glamour de se trabalhar em uma empresa com uma “cultura cool”. Estou olhando pra vocês que trabalham em startups unicórnios.
Recomendo o livro para qualquer um que já empreendeu ou que está muito afim de tentar. Realmente quem empreende é um subversivo irremediável.