Dividido em dez partes, representativas das dez fases da nossa evolução política, este livro acompanha o desenvolvimento de Portugal de condado a nação e a país integrante da União Europeia, da OTAN e da ONU. Escrita num tom acessível e direto e filtrada pelo olhar singular e pela experiência incomparável de Diogo Freitas do Amaral, esta obra é essencial para quem quer conhecer o passado de Portugal e entender os porquês políticos e estratégicos das decisões que mudaram o nosso país.
DIOGO FREITAS DO AMARAL nasceu na Póvoa de Varzim, a 21 de Julho de 1941. Licenciou-se na Faculdade de Direito de Lisboa (1963) e nela se doutorou em Ciências Jurídico-Políticas (1967). Na mesma ensinou Direito Administrativo (1964- 2007). A partir de 1977 tornou-se também Professor de Direito na Universidade Católica de Lisboa. É um dos fundadores (19 de Julho de 1974) do Centro Democrático Social (CDS). Presidiu à União Europeia das Democracias Cristãs (UEDC) (1981-1983), foi Ministro dos Negócios Estrangeiros (1977-1978; 1980; 2005-2006), Primeiro-Ministro interino (1980-1981) e Ministro da Defesa e Vice-Primeiro-Ministro (1981-1983). Em 1986 candidatou-se à Presidência da República obtendo 48,82% dos votos. Foi eleito, em 1995, presidente da Assembleia-Geral da ONU (1995-1996). Além da sua vasta obra jurídica publicou: O Antigo Regime e a Revolução. Memórias I (1995), D. Afonso Henriques, Biografia (2000), D. Manuel I e a construção do estado moderno em Portugal (2003), Quinze meses no Ministério dos Negócios Estrangeiros (2006), Transição para a Democracia - Memórias II (2008), Glória e Tragédia de Gorbatchov (2012), História do Pensamento Político Ocidental (2012) e D. Afonso III, o Bolonhês: um grande homem de Estado (2016). Foi condecorado pela Presidência da República com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo (1983) e com a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada (2003). Faleceu a 3 de Outubro de 2019, em Cascais.
Apesar de não me rever na visão do mundo do autor deste livro, dei por mim a apreciá-lo, em modo de leituras imparável. Notem que o demarcar dos pontos de vista mais conservadores, de direita ideológica, não significa menorizar a importância do autor, que é uma das figuras respeitáveis do Portugal do final do século XX. Só menoriza quem não é capaz de ultrapassar visões polarizadas do mundo. Não tenho de concordar com todas as ideias de um livro para gostar dele, até porque a exposição a ideias contrárias às nossas é sempre saudável.
A perspetiva desta história resumida tem um curioso lado nostálgico, muito patente quando fala do nascimento de Portugal como nação, da época dos Descobrimentos, da restauração da independência, ou da colonização. Basta ver o título para perceber isso, o uso do termo lusitânia invoca logo ideários muito específicos. Salienta tempos mais próximos da nossa memória viva com um olhar que se percebe mais enviesado. Ao falar do estado novo, sublinha o lado das obras públicas e só por alto o lado repressivo de uma ditadura, e foca muito o progressismo da ala liberal. Ao falar da guerra colonial, descreve-a com uma tragédia para os portugueses, mas no enumerar dos nossos mortos e feridos, deixa de lado os dos adversários. Por outro lado, é interessante ler sobre a história do pós-25 de abril pelo olhar de alguém que a viveu dentro dos acontecimentos.
O livro lê-se como um resumo da história portuguesa simplifcada, uma visão pessoal mas erudita. Tem um conjunto de ideias que lhe são basilares, argumentos que repete ao longo do livro. Uns são curiosos, o perceber que a expansão do condado Portucalense até à ocupação de todo o território português segue essencialmente pelas linhas das antigas demarcações romanas. A ideia mais perene em todo o livro é apresentar Portugal como um país precursor e pioneiro- o primeiro, na península ibérica, a fixar as suas fronteiras; a sua longa história de independência (o domínio filipino é apresentado como uma uniáo e náo uma ocupação); na forma como Portugal se tornou independente, Amaral traça até um paralelo com os Estados Unidos, observando que a rebeldia bem sucedida que forma um país é precisamente a origem da nossa nação; conhecedor de leis, Amaral mostra como em muitos casos os quadros legais portugeses se anteciparam aos dos restantes países europeus (e não só na abolição da pena de morte).
É uma visao rosada da história, assumidamente resumida mas erudita. O livro deixa escapar uma certa nostalgia por um Portugal imperial, espalhado pelo mundo, o que até é uma marca de época, recordemos que o autor faz parte das elites conservadoras. No entanto, náo é um livro ideológico, é aquilo que pretende ser, um traçado de saber pessoal pela longa história do nosso país. E uma leitura surpreendentemente agradável, factual, longe de cinzentismos académicos ou tiradas políticas.
Bom livro para quem tenha interesse na historia alargada de Portugal, cobrindo todos os periodos relevantes de forma superficial mas completa.
Afirmando-se como um livro de história, tinha demasiadas referencias e extrapolações subjectivas do autor e uma visão marcadamente paternalista (sobretudo no tema dos Descobrimentos, Império Colonial/Ultramarino e descolonização).
Tais comentários prejudicaram a minha leitura não percebendo onde acabava a historicidade objectiva do autor e começava a sua subjectividade.
"Quem, como nós, se relacionou durante tanto tempo, e com tanta naturalidade, com a África, as Américas, o Médio Oriente alargado, a Índia, a Austrália, o Japão, a China e em geral todo o Extremo-Oriente, e tem milhões de cidadãos seus, e luso-descendentes, espalhados por todos os continentes, nunca terá falta de amigos políticos e de parceiros económicos. Só precisa de uma boa diplomacia."
De 1143 a 1982, Diogo Freitas do Amaral leva-nos a conhecer os principais acontecimentos do nosso país, os seus protagonistas e as suas implicações, sempre de uma forma clara e acessível, sem artifícios de linguagem nem teorizações desnecessárias.
Apesar de não ser o livro mais completo de História de Portugal que poderão encontrar, é sem dúvida um dos mais acessíveis, podendo optar-se por aprofundar temas que aqui vêm descritos de forma mais superficial.
Este livro poderia e deveria ser lido por todos os portugueses e mantido acessível na prateleira para as consultas necessárias. Porque é necessário conhecer a nossa História, assim como a de outros países. Primeiro para que não se cometam os erros do passado e segundo porque ser-se ignorante é passar a vida a ser manipulado por todo o tipo de informações falsas que por aí circulam. Se já assim era num tempo anterior às redes sociais, agora ainda pior.
Recomendo vivamente e deixo a minha admiração pelo autor, que sempre se esforçou por democratizar o conhecimento no nosso país.
Eu gostei do livro, parece-me bem escrito e abrangente. Achei muito interessante o autor ter feito todo o retrocesso á nossa história bem inicial, antes de Portugal. A meu ver o autor explora de forma adequada (nem muito, nem pouco) os temas para o leitor ficar com um bom conhecimento e esclarecimento da nossa história.
Caso tenha de apontar alguma coisa menos positiva, seria o fato do "hiper" nacionalismo que de vez em quando surge. Portugal tem de fato muitos pontos por quais se orgulhar, que são devidamente explorados, outros (mais especificamente nos pontos dos descobrimentos e pós descobrimentos quando comparados com uma Europa mais desenvolvida) que me parecem um pouco forçados e enaltecidos. Outra coisa que achei que foi mais a fundo do que eu pessoalmente gostaria foi nos detalhes técnicos de constituições, jurisdições, ...
Por outro lado, gostei do fato de por diversas vezes o autor fazer uma análise de decisões tomadas na época. Não me parece ter feito demasiado, e com um grau de imparcialidade adequada.
Resumo: livro fácil de ler, elucidativo para qualquer idade, para quem quer conhecer mais da história de Portugal.
Provavelmente, a minha notação é um pouco injusta dado que, naturalmente, quem se propõe escrever um livro sobre 2000 anos de história, não poderá fazê-lo aprofundadamente, tendo de seleccionar os episódios mais marcantes (selecção na qual, à parte daqueles que reúnem consenso, não pode deixar de preponderar a subjectividade do autor). De resto, o próprio autor refere que a abordagem da obra é a que o leitor nela encontra; portanto, ninguém vai ao engano, se engano pudesse haver, olhando apenas ao número de páginas do livro confrontado com o período abrangido. Ainda assim, penso que, sem aumento de volume significativo, poder-se-ia ter ido um pouco mais longe, eventualmente apenas nalguns dos momentos mais impactantes. De realçar a escrita escorreita e de leitura acessível, que caracteriza o autor, não só neste tipo de obras a que se tem dedicado, mas também nos manuais de Direito da sua lavra, revelando assim excelência enquanto pedagogo (claro que esta é a minha opinião mas estou segura que muitos dos que, tal como eu, foram seus alunos, a partilharão)
É uma leitura incrível para quem (como eu) desconhece os meandros da história do nosso país. Capítulos curtos mas muito informativos sem serem "massudos". Aprendemos também que a história de Portugal é juicy, dramática e estranha - tal como nós.
Um bom começo para quem se quer lembrar das aulas de história e o autor deixa uma pequena bibliografia no final de cada capítulo, ideal para quem quiser expandir o conhecimento em alguma fase da história portuguesa em particular. Para um livro de história, o autor dá a sua opinião demasiadas vezes, e dependendo da posição política de cada um, pode-se gostar mais ou menos do livro.
Um bom panorama geral da história de Portugal, de Viriato a Mário Soares. Apesar de leitura fluída e agradável, existem uma vasta gama de omissões e certas idealizações sobre a história lusitana. Pelo menos o autor deixa bem claro na introdução do livro que não pretende apresentar um relato imparcial da história do país: trata-se, essencialmente, de uma história da perspectiva puramente portuguesa.
Um bom resumo de fácil leitura dos vastos anos da História de Portugal. Não se pode esperar um extenso desenvolvimento de muitos dos temas. O livro peca por uma abordagem excessivamente subjectiva e parcial, um certo paternalismo nos momentos menos bons da nossa História.
Destaco a forma coesa que o autor abordou o complexo período do pós-25 de Abril.
Another great, informative and accessible book by prominent Portuguese scholar, historian and former politician. Intended for a wide audience, this book offers an encompassing review of Portuguese history going back two thousand years. Loved it!
Bom trabalho de organização e síntese numa obra que poderia ser facilmente transformada em vários livros, mas com demasiados comentários subjetivos para valer uma avaliação superior.