“Tengo algunas cosas que enseñarte, seguía la carta:
1) Sos una cosa viva. 1.1) Estás en un planeta llamado Tierra junto a otras cosas vivas. 1.2) El Universo que está sobre tu cabeza funciona con las leyes mecánicas de un reloj, y no tiene más vida que un montón de pesos, contrapesos y poleas. 1.3) Hasta donde sabemos el Universo es entonces una inmensa máquina sin vida. 1.4) La existencia viva, en medio de un Universo carente de vida, es un desafío a la inmensidad muy difícil de soportar. 1.5) Existir en estas condiciones cansa y angustia. 1.6) Inhalá. 1.7) Exhalá.
2) La única gran revolución histórica hasta el momento la hicieron los monos. 2.1) Muchos monos murieron para llegar a ser hombres. 2.2) Darwin fue el primer y último historiador de una verdadera revolución. 2.3) La humanidad es hija de un holocausto animal. 2.4) El próximo gran historiador contará huesos humanos de a miles de millares. 2.5) Muchos hombres ya mueren para llegar a ser máquinas. 2.6) El nuevo historiador no será humano. 2.7) Inhalá. 2.8) Exhalá.
3) Cuando la Tierra era el centro del Universo había un cielo que como una cúpula protegía al hombre de la abrumadora inmensidad. 3.1) Copérnico, el Titán, movió las cosas y puso al sol en el centro. 3.2) La Tierra quedó en la periferia, en alguna coordenada incógnita de la inmensidad. 3.3) Copérnico, la termita, corroyó el cielo protector. 3.4) El hombre quedó en un planeta más, ante la intemperie sin fin. 3.5) En la intemperie, el hombre odió a la Tierra y al cielo. 3.6) Asfalto, luces eléctricas, mundos virtuales. 3.7) La Tierra solloza; sufre las vibraciones del hombre enloquecido. 3.8) Prefiere verlo morir. 3.9) Inhalá. 3.10) Exhalá.”
J. P. Zooey nació en 1973. Vive en Buenos Aires. Su pseudónimo y obras fueron recibidos como una pequeña sorpresa entre la crítica argentina. Estudió Periodismo en la UBA.
nas entrevistas que dá e em sua bio do instagram, zooey se denomina um “confundista”: criatura solitária, agrupada e dispersa ao mesmo tempo, que não quer tomar posições, está confundido, pois “a humanidade parece ter optado pela divisão em grupos que estabelecem uma relação de oposição com certezas sobre o que é o bem e o que é o mal, o que é o justo e o que é o injusto, quem é amigo e quem é inimigo”. de fato, “sol artificial” parece ser um resumo dessa ideia.
apesar de extasiado pelas descrições de imagens belíssimas, isso não foi suficiente pra me manter interessado (em alguns momentos, pensei porque posterguei durante tanto tempo me aventurar em ficção científica) e boiando.
em alguns momentos achei pretensioso e desatualizado (?).
será que a ficção científica contemporânea saturou?
Talvez a nota mais adequada seja 3,5/5, mas merece uma meia-estrela a mais. Aqui, me chamou a atenção como o autor conjuga elementos do texto jornalístico - entrevista, ensaio, crônica - e das fábulas e histórias surrealistas para dar corpo ao tom destes contos: o de acontecimentos e pensamentos que ocorrem todo dia e com frequência, assim como a presença da internet na sociedade do século XXI; mas a mesma presença torna esses acontecimentos tão singulares que são dignos de um mundo que não está presente na realidade. Enfim, curti bastante.
Conto preferido: aquele em que Hamlet vira queijo roquefort. Sério.
imaginacion desbordada, locuras ciberneticas, con algo de borges. Pero me costø conectar con este libro. Quizas era demasiado, aunque si me gusto su originalidad.
Numa era de chatGPT, IA's, algoritmos, os contos de J.P. Zooey são premonitórios acerca das relações humanas num meta-mundo virtual. Fazendo parte do mesmo universo interconectado, os contos do livro seguem a lógica fantástica cortaziana: eles tecem um comentário sobre aquele mundo como se o leitor fosse um próprio interlocutor dele. Desde histórias em que um cientista descobre que microbytes estão fazendo campos de concentração nazistas até uma inteligência artificial capaz de mudar uma letra (e todo o sentido) de Hamlet, vemos aqui uma investigação muito profunda dos velhos temas literários aliado as questões mais recentes do mundo cibernético. É muito bom ler algo que fala sobre algoritmos, IA's (registros que ainda estamos aprendendo a conviver) sendo contrária na sua forma à uma simples reciclagem e reprodução: este é um livro inventivo, original, que mostra a importância (ou o problema) candente do ser humano, sendo ele num mundo binário ou não.
"A obra reúne 12 contos em que o autor funde elementos de ficção científica, ensaio, jornalismo e surrealismo para especular de forma aguda sobre uma humanidade confusa cada vez mais conectada e, não apenas dependente, mas transformada pela sua relação com a tecnologia. Como se catalogasse as fases de criação de uma nova espécie híbrida: a humanidade do futuro e suas máquinas dotadas de consciência."
Para saber a resenha completa, acesse o vídeo no canal Admirável Mundo Livro:
"Fenomenología del domingo" es un pastiche excelente del "Evaristo Carriego". Hay algunas joyas, como "El asunto Hamlet". La misma sensación de alegría y desencanto que después de leer los cuentos de fantascienza de Primo Levi.
Quando publicado originalmente em 2009, os contos de Sol Artificial, do argentino J.P. Zooey, miravam para o futuro. O autor classifica a ficção cientifica como uma “sociologia antecipatória”. Lançado no Brasil em 2020 pela DBA, o livro agora se torna um conjunto de crônicas sobre o presente, sobre a relação conflituosa do ser humano com a tecnologia.
O que faz da prosa de Zooey singular é a mistura de ironia e farsa, como um Borges antenado, mas cético aos novos tempos. Aliás, as referências ao longo do livro são inúmeras. São citados trechos de Lacan, Shakespeare, Goethe, Lévi-Strauss, André Breton, Marx e outros. Contudo, mais do que mostrar erudição, o autor quer confundir o leitor, entre o cômico e trágico, o conhecimento científico-acadêmico e a pura invenção. É um jogo intrigante que nos desafia a ver as (im)possibilidades da tecnologia, a ficção científica e a própria literatura com olhos menos convencionais. Bela tradução de Bruno Cobalchini Matos.