Por mais que o livro pareça ser uma premissa política, toda a argumentação do Francisco se dá no pensamento filosófico. E talvez, por ser tão filosófico, pra mim ele demora pegar, ou ele pega no tranco. O livro tem um preâmbulo muito grande sobre a questão de debate e discurso, o que faz sentido porque pra esse assunto, estamos lidando com questão de narrativa. Porém, é muito demorado a introdução, e talvez seja o momento onde muitos leitores podem se perder e muitas das vezes até abandonar a leitura. Mas no que se refere a argumentação filosófica e uma análise mais profunda ao aborto, o autor acerta em cheio. E ele tem o cuidado de afastar esse debate da esfera religiosa, porque sabe que ate mesmo a religião pode tratar esse assunto de forma enviesada. Então ele tem o cuidado de debater as formulações históricas sobre o feto ser um ser humano ou não, as implicações de tratar um feto como uma não-vida, a questão do dualismo mãe-feto ( o feto é corpo da mulher ou não), alimenta o argumento com questões mais biológicas e por aí vai. Quando entra na questão da ética médica, ele trás o argumento final de que a ética médica pressupõe direito a vida a todos.