Jump to ratings and reviews
Rate this book

Cartas para a minha mãe

Rate this book
Após a morte de sua mãe, uma jovem cubana vai morar com sua tia e primos. Dependente deles e de sua boa vontade, ela tem que suportar suas provocações sobre a cor de sua pele, seu comportamento e até sobre seu jeito de arrumar o cabelo. Para manter viva a lembrança do amor incondicional, ela escreve cartas para sua mãe nas quais relata o que está sofrendo e sentindo. Através das palavras ela espera superar a intolerância das pessoas e sobreviver, mas, lentamente, começa a descobrir um mundo além de seus problemas familiares. À medida que faz amigos entre outros, um jovem que também tem problemas com a família e uma velha que é ao mesmo tempo jardineira e bruxa , suas feridas começam a cicatrizar. A menina fica cada vez mais forte, consegue ganhar o respeito dos outros aprendendo a aceitar-se e aos outros.

Quando publicado originalmente, Cartas para a minha mãe foi criticado por expor o problema do racismo na sociedade cubana contemporânea, o que não impediu que recebesse o Prêmio Casa de Las Americas 2006 na categoria livro infantil.

108 pages, Paperback

First published January 1, 2006

6 people are currently reading
531 people want to read

About the author

Teresa Cárdenas

12 books39 followers
Teresa Cárdenas Angulo is a writer, poet, and dancer who was born in Cárdenas, Matanzas, in 1970.

She is a member of the National Union of Writers and Artists of Cuba (UNEAC).

Her book accomplishments include:

Cartas al Cielo: David Prize, 1997;

Hermanos Saiz Association Prize, 1997;

National Critics Prize, 1998.

Tatanene Cimarrón: Ismaelillo Prize, UNEAC.

Maldito Solar: Delia Carrera National Poetry Competition, Second Prize, Matanzas, 1998.

Cuentos de Macucupé: La Edad de Oro Prize, 2000.

She has also had poems included in anthologies in Spain, Italy, and the United States.

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
158 (33%)
4 stars
187 (39%)
3 stars
107 (22%)
2 stars
18 (3%)
1 star
6 (1%)
Displaying 1 - 30 of 74 reviews
Profile Image for Marcos Henrique Amaral.
125 reviews11 followers
May 30, 2020
CARTA PARA A MINHA MÃE

Mãezinha,

Faz tempo que não te vejo. Uma doença perigosa tomou o mundo e dizem que o melhor jeito de nos protegermos é ficar quietinho em casa. Não tem sido uma missão fácil.
Os cientistas estão falando que podemos transmitir essa doença com muita facilidade e, por isso, temos que evitar contato social. Principalmente com as pessoas mais velhas: nossos pais e avós.
Tem dias, que acordo morrendo de saudade de ver todo mundo. Abraçar, beijar. Ou só conversar sobre as bobagens da vida, como costumávamos fazer nos almoços de domingo antes dessa doença chata.
Em outros dias, tenho muita vontade de chorar. Como ontem, quando tentei te enviar uma mensagem de voz no celular e minha voz ficou embargada pelo choro que insistia em vir. Talvez seja hora de visitar (de novo) aquele médico que cuida da cabeça.
É que são muitas notícias ruins, sabe? Parece que, a cada setenta e cinco segundos, morre uma pessoa por causa da tal doença. Esta semana, Seu Francisco, faxineiro e pai de quatro filhos, foi uma das vítimas. O presidente diz que é só uma “gripezinha”. E que não precisamos nos preocupar tanto. Mas como posso acreditar nele se tem tanta gente morrendo e se os cientistas estão falando outra coisa? Não gosto dele.
Tem alguns dias que tenho tido pesadelos. Acho que todas as notícias ruins se misturam na minha cabeça e se transformam em monstros de madrugada. Aí, lembrei que quando eu era bem pequeno e tinha sonhos ruins, você me acudia. Você ia na minha cama, fazia carinho em mim e dizia para eu rezar uma ave-maria. Eu rezava uma, duas, três... até conseguir dormir de novo. Mas, hoje, essa tática não funciona mais. Talvez porque falte o afago que você fazia em meus cabelos.
Fico me revirando na cama e, no outro dia, acordo mais cansado. Mais triste também... E um pouco mais irritado. Acho que chama insônia. E aí, tudo se repete: as notícias ruins, as mortes, a doença, o presidente... a doença-presidente, o presidente-doente.
Ajuda pensar que tudo vai passar. Também ajuda saber que, mesmo longe, você (,papai, Elaine, vovós e “todo mundo”) estão do meu lado. Como é bom compartilhar amor com vocês. E aí, quando dá vontade de chorar de novo, eu penso em vocês. Nos abraços, nos carinhos e nas bobagens que gostamos de conversar.
Um amigo escreveu uma música. Ela diz que “só o que salva, no fim, é o amor”. Acho que era disso que ele falava.

(Esta carta, eu escrevi depois de ler o livro “Cartas para a minha mãe”, da Teresa Cárdenas. Aquele que te dei no dia das mães, sem poder abraçá-la. Lembrei que as professoras alfabetizadoras, como você era antes de se aposentar, gostam de pedir aos alunos para que façam releituras das obras trabalhadas em sala de aula. Fiz esta para te homenagear. Amo você)
Profile Image for Roseane Corrêa.
49 reviews7 followers
March 14, 2020
Ledo engano quem pega o livro e diz: é só mais um romance.

Toda a minha subjetividade de mulher negra foi sacolejada.

A história é situada em Cuba e é uma coleção de cartas que uma menina preta escreve para sua mãe que está no Orum.

A diáspora negra é algo que mexe comigo, podemos estar com um oceano de distância, mas os nossos atravessamentos são muito semelhantes.

A construção do imaginário do que é ser negro dentro da concepção racista e colonizadora é tão bem sedimentada que ultrapassa fronteiras. O racismo e as suas sequelas não nos dão paz em nenhum lugar do mundo.
É um “manual” muito bem escrito e disseminado. Está na televisão, filmes, nos livros, na professora, no casamento, no melhor “amigo”, no patrão... todo mundo sabe qual é o “lugar de preto” e unem força pra que não saiamos de lá.

Mas Teresa de Cardenas na sua inquietude por não ver personagens negros como protagonista, usa as palavras como ferramenta de liberdade. Não é um livro amargo, é um livro verdadeiro, são palavras e sentimentos que tinham que ser expressados por uma mulher negra. No meio de tanta dor, há muito amor. Amor é a essência preta.

Protagonismo totalmente feminino, o amor de mãe, amor da vizinha, a descoberta do amor pela prima e pela avó, a admiração pela professora... tudo vai se construindo.

O livro começa com um sonho, o sonhar com a mãe é um misto de alegria e tristeza.

A minha mãe foi para o Orum quando eu tinha 16 anos, levei muito tempo pra sonhar com ela, eu acho que eu não conseguia por causa ansiedade, eu já dormia desejando e acordava chorando e frustrada porque não acontecia. Um belo dia rolou, foi lindo, mas foi triste porque acabou.

O colorismo é fruto do racismo. Em um universo onde tudo que é negro é demonizado, ser “menos negro” pode ser uma “benção” e também um meio de oprimir quem não teve a mesma “sorte” (aumentem as aspas, aumentem muito, pesei as palavras, mas acho que vocês vão entender).

Brasil foi colonizado por Portugueses e Cuba por Espanhóis. Lá deve ter ocorrido o mesmo que aqui, uma miscigenação a base de estupro das indígenas e das Africanas traficadas para serem escravizadas. É neste misto de cores resultantes, que o racismo cega. Muitos, só na idade adulta reconhece sua identidade negra. Tornar-se Negro de Neusa Santos Souza é pra mim, o escrito sagrado da descoberta da negritude enquanto identidade, o branqueamento é uma das estratégias racistas para hierarquizar as pessoas.

A personagem lamenta por ser a mais preta e fala de uma amiga de pele clara que tem vergonha do pai retinto. Foi em Cuba, mas acontece em qualquer esquina daqui.

A chance de ter filhos frutos de um relacionamento inter-racial é uma das soluções pensada pela avó retinta, ela quer o melhor para os seus e o melhor é não gerar filhos tão negros assim. A avó sabe o peso da melanina que ela carrega. Vai lá em Neusa Santos, ela fala muito bem sobre isso.

É na infância que começam os apelidos. O primeiro que impactou a personagem foi o de beiçuda.
Lembro que em toda a minha infância meus traços negróides eram usados contra mim. O tamanho da minha bunda, meus lábios carnudos, a largura do meu nariz, meu cabelo crespo, o meu tom de pele, meu tom de voz, tudo que me compunha aos olhos do Outro estava errado. E a personagem que passa isso faz uma reflexão que um dia também já foi minha: Se Deus existe, com certeza esta furioso de ouvir tanta gente criticando sua obra”

Uma família só de mulheres, sem a presença de maridos e pais.

Os saberes tradicionais de matriz Africana através de uma mulher sacerdote, convocada no momento de doença. Ritual sagrado com ervas, flores, matança, transe, charutos... tudo o que for necessário para ajudar Lilita e agradar Obaluaê. O santo foi feito.

O preterimento e violência a mulher negra também é pautado. O abuso sexual a menina preta. A personagem principal encontra um jeito de proteger a sua prima que é criança e acamada por um problema de coluna.

A avó está contaminada por uma amargura que parecia sem fim, mas teve fim.
As constantes agressões a essa neta, a transferência de todo seu ódio a uma criança. bell hooks já falou sobre essa questão, a violência que os pais submetem as crianças. A violência como forma de controle social doméstico e a aceitação da comunidade. Nós crescemos em famílias que naturalizaram a ideia de que a violência é resposta apropriada para lidar com crises.

Então eu refleti, quem nunca ouviu falar de pais que espancaram seus filhos para o seu bem, para que ele estude, pra que não saia de casa, para que não engravide, para ajudar nas tarefas de casa... No contexto histórico racial a criança preta não foi poupada pelo branco escravizador. N
o Congo por exemplo se decapitava mãos e pés de crianças como forma de castigo, o estupro a menina negra, o espancamento do menino negro eram estratégias de sadismo e controle.


Livro forte, impactante, verdadeiro.
Uma história de amor no meio de muita dor. Porque sim, o amor é essência Africana.

Teresa Cárdenas Angulo é uma escritora, roteirista, atriz, bailarina e ativista social cubana. Sua motivação para tornar-se escritora veio ainda na infância, quando começou a ler e ficou frustrada com a ausência de personagens negras nos livros infantis.
Profile Image for Julia Landgraf.
157 reviews83 followers
July 13, 2021
Me parece que esse livro, da autora afrocubana Teresa Cárdenas, é uma experiência em si. Com capítulos de uma página (todos cartas para a mãe da narradora, que acompanhamos enquanto criança / adolescente), a leitura completa se faz em quarenta minutos. O mais interessante para mim foi o tomar de consciência da personagem ao longo de seu desenvolvimento, a maneira como percebia as coisas ao seu redor e como passou a desenvolver suas relações a partir disso. No geral, um livro bem agradável de se ler - só não dei mais estrelas porque sua leitura é uma experiência muito efêmera e eu prefiro ficar batendo cabeça numa mesma obra por mais tempo.
Profile Image for Kells.
28 reviews12 followers
May 28, 2018
A sensibilidade ao tratar assuntos sérios como racismo, luto, violência e assédio é impressionante. Logo nas primeiras cartas é possível se emocionar com o sofrimento que a menina passa ao se ver sem a mãe em uma família que não a aceita. Ao decorrer das cartas é possível observar as mudanças na vida da menina e dos outros personagens que aparecem no livro, todos tem alguma evolução no caminho. Apesar de ser um livro curtinho, é muito bonito.
Profile Image for Maria Fernanda.
63 reviews4 followers
October 23, 2024
um livro pequeno. sensível. não é sensacional. mas que te faz querer escrever pra alguém.
Profile Image for Felipe Vieira.
789 reviews19 followers
November 4, 2022
#BingoLitNegra #LeiaNegros #LeiaMulheres

Infelizmente Cartas para a mamãe é um livro muito curto e com um desenvolvimento que deixa a desejar, mas mesmo assim eu gostei muito. Cárdenas consegue expor muitos dos conflitos e das violências que mulheres negras passam ao longo da vida. Conflitos e violências que se transformam em sofrimento. A autora discute também sobre família, pertencimento, amizade, laços de uma forma geral e o poder de transformação.

É tudo muito simples, mas acredito que a autora conseguiu de certa forma passar o que gostaria mesmo com o desenvolvimento precário. É possível discutir e pensar muito sobre a história que escreveu. Recomendo.
Profile Image for Marcela Cor.
86 reviews3 followers
June 23, 2024
Não achei um livro ruim, pelo contrário, é uma leitura rápida, que perpassa temas relevantes. Mas achei um tanto raso. Os personagens acabam ficando muito no lugar de mocinhos ou vilões, apenas alguns se redimindo num fim catártico. O desenvolvimento da trama parece feito a cumprir discursos que precisavam ser narrados, e não o contrário. De qualquer maneira, recomendaria esse livro a um amigo, afinal literatura contemporânea de vozes não hegemônicas são sempre fundamentais de serem lidas.
Profile Image for Maria .
88 reviews
September 10, 2022
3,9 ☆
Achei meio fraco, esperava talvez um pouquinho mais. Mas a história não deixa de ser adorável.
Profile Image for Ana Estrela.
96 reviews1 follower
November 18, 2024
Livro curtinho, da pra finalizar em uma tarde, sobre a infância e adolescência de uma órfã negra que escreve cartas para a mãe morta. Achei muito superficial, como se quisesse emocionar a todo custo o leitor e acaba sendo apelativo.
Profile Image for Ana Helena.
155 reviews12 followers
January 24, 2021
Cartas para sobreviver ao luto e organizar a vida ao redor, com suas violências e felicidades.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for analu.
334 reviews28 followers
April 19, 2023
sensível, singelo, e com muitas mensagens subentendidas. já é uma das melhores leituras do ano 🩷
Profile Image for Carolina.
116 reviews3 followers
June 25, 2024
Leitura muito rápida, tem umas passagens interessantes, a estrutura da coisa me fez achar pouco crível que uma criança tenha de fato escrito aquilo e sinto que me perdi nesse pensamento nas primeiras cartas, mas ainda assim fui ficando curiosa com o que viria a seguir e como ela iria lidar com a própria vida à medida que ia crescendo. Queria mais, esperava mais também.
Profile Image for Naomi.
30 reviews
June 6, 2025
incredibly tender and raw, i wish it were longer
Profile Image for Carolina Marchesin.
262 reviews2 followers
December 26, 2025
Leitura rápida mas sensível, carrega muitas dores. Bonito ver a criança mudando aos poucos a relação que tem com a morte da mãe, lidando com o luto e buscando se reinserir no mundo.
Profile Image for Giulia Barão.
26 reviews2 followers
October 7, 2020
Simple y sensible, logra ponernos en el lugar de la niña pequeña que ha perdido su mamá y tiene que lidiar sola con el racismo estructural, que atraviesa sus propias relaciones familiares. A pesar de ello, no predomina el dolor, sino la incredulidad frente a las categorías maniqueas y sinsentido del racismo y la recusa en reducirse a ellas. Se desarrolla una relación de hermandad entre la protagonista y Lilita y una relación de protección y cuidado mutuo, de inspiración también con Menú. Aunque en pocas páginas, es posible conectar con ellas, identificarse en estos lazos, pero una termina la lectura deseando conocerlas más, acompañarlas por más tiempo. No me parece que esta sensación manifieste una insuficiencia del libro, sino una decisión consciente y significativa de la escritora.
Profile Image for Tina Lilian  Azevedo.
83 reviews2 followers
July 14, 2022
A protagonista, uma criança, órfã, vai nos contando seu dia a dia por meio de cartas que escreve para sua mãe. Mãe, que é fonte de um amor genuíno, infantil, belo. Mesmo vivendo em um mundo brutal, onde aquelas que deviam lhe amar, cuidar, só lhe destinam raiva e desprezo, nossa protagonista não perde a ternura, a capacidade de disseminar afetos, pois o recebe de uma rede de apoio que surge em sua vida pouco a pouco. Conhecemos nas cartas uma família de mulheres, cuja luta pela sobrevivência, lhes faz repetir a violência de que também são vítimas. Teresa Cárdenas conta uma história forte, triste, mas repleta de amor. Leria novamente, daria de presente e leria outro livro da autora.
Profile Image for Ama.
666 reviews14 followers
February 25, 2008
When her mother dies, the unnamed narrator is sent to live with her grandmother, aunt and cousins. There she writes letters to her beloved mother, detailing the abuse her family deals to her on a daily basis – all because she is dark skinned. Although very short, this is a powerful story of family and racism.
Profile Image for Amanda.
1 review32 followers
July 28, 2012
This is a wonderful book and a quick read. It shows that racism exists even between the same color and even between family. Your heart goes out to Teresa and you just want to show her love and kindness.
Profile Image for Mariana Guerrero.
45 reviews
April 27, 2018
Un libro triste pero lindo, cartas de una hija que extraña a su madre quien al parecer se suicidó cuando su hija era pequeña. Una gran ausencia de su madre le dejó en su corazón. Cada carta cuenta una historia y muestra el gran amor que le tiene a su madre aunque esta no esté ahí para escucharlas.
Profile Image for Amanda.
77 reviews2 followers
December 27, 2023
Meia hora de leitura que possui o mesmo efeito de horas tendo seu coração estraçalhado, recuperado, emendado e curado.

Selecionei o livro imaginando apenas que me emocionaria com a proposta: cartas direcionadas a mãe, talvez se tratando de alguém que já havia falecido ou apenas confissões de uma menina sobre a sua relação materna. Recebi (felizmente) muito mais que isso. Achei de um toque fenomenal a opção de ter a mãe como destinatária das cartas, em relação aos outros núcleos existentes - não apenas permite a perscrutação de uma honestidade afetuosa, como também acabamos por conhecer essa personagem, que não está fisicamente presente no livro, para além de ser apenas a “mãe”. Tale as old as time: para uma filha, perceber sua mãe como pessoa (e portanto, como criança, menina, adolescente, mulher, etc.) é sentimento precursor de um amor muito mais profundo. E nesse livro, podemos fazer isso juntamente da protagonista, que, ainda tão nova, também está enfrentando a sua própria percepção como pessoa no mundo após a morte de sua mãe.

Uma obra belíssima. Perpassando pelo luto da protagonista, uma criança de apenas 10 anos, conhecemos o cotidiano de sua vida após a perda da mãe, tendo que enfrentar os reflexos do racismo em seus próprios familiares e as consequências doloridas de ações que não são suas.

Cada capítulo (ou carta) tem no máximo uma página (acredito que apenas dois se excedam) e é brilhante a forma como a autora consegue carregar em tão pouco texto uma carga emocional, espiritual, social, racial, com discussões sobre classe e gênero, de forma tão bem construída, pelo olhar e ingenuidade de uma criança.

Ela percebe seus arredores na introspecção em que foi forçada a viver - apresenta discussões sobre divisão racial do trabalho, prostituição, abuso sexual, entre outros, de maneira tão crua que não há o que se fazer além de chorar em todas as cartas apresentadas. Além disso, também traz epifanias sobre auto-amor, perdão e espiritualidade, utilizando-se de imagens etéreas de sua mãe que, apesar de também induzirem lágrimas, completam o livro de tal maneira que assistimos, às vezes sem perceber, nossa protagonista crescer e processar seu luto juntamente de seu desenvolvimento pessoal.

A obra termina também lindamente. Uma das melhores que li no ano e talvez em minha vida. Leitura rápida e impactante.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Augusto Cardoso.
6 reviews
February 16, 2025
O livro de Teresa Cárdenas é um retrato visceral da infância marcada pelo luto, racismo e violência doméstica. A protagonista, uma menina negra de 10 anos que vive em Cuba, perde a mãe e passa a morar com a avó, a tia e as primas. Porém, longe de encontrar acolhimento, ela enfrenta rejeição, maus-tratos e a sensação constante de ser um fardo para a família.

A narrativa se desenrola por meio de cartas escritas pela menina, o que cria uma experiência intimista e profundamente emocional para o leitor. A escrita da autora não apenas descreve os eventos, mas os faz acontecer diante dos olhos do leitor, colocando-o dentro da mente da protagonista, com todas as suas dúvidas, dores e pequenos momentos de esperança.

Apesar da dureza do começo, onde a menina sofre discriminação dentro da própria casa e é constantemente culpabilizada por situações que fogem de seu controle, a história ganha novas cores com a chegada de Roberto. O garoto franzino, mas determinado, se torna o primeiro a lutar por ela, dando-lhe uma sensação inédita de proteção e carinho. Esse momento marca um ponto de virada na vida da protagonista e planta as sementes da superação que virá ao longo do tempo.

Conforme os anos passam, a narrativa revela mudanças não só na protagonista, mas também nas pessoas ao seu redor. O livro aborda questões como memória, perdão e transformação, mostrando que, mesmo diante de tanto sofrimento, há espaço para crescimento e reconciliação.

O desfecho do livro é profundamente tocante, com uma última carta que sintetiza toda a jornada da personagem. A autora encerra a obra com uma reflexão poderosa sobre o impacto do passado, a aceitação da dor e a força do amor, mesmo na ausência.

Teresa Cárdenas constrói uma história que é, ao mesmo tempo, cruel e esperançosa. Sua escrita brilhante capta a essência da infância, do luto e da resiliência de forma genuína, sem romantizar a dor, mas também sem negar a possibilidade de mudança. Um livro forte, emocionante e inesquecível.
Profile Image for Adriana S..
812 reviews8 followers
Read
July 24, 2024
Clube de leitura BibliOn
Nossa que livro doído! Uma menina perde a mãe bem nova e, com tamanha dor e para manter a presença materna em sua vida, decide escreve cartas a ela, relatando seu amor pela mãe, bem como o dia a dia (sofrido) com os racismos que vivencia. Ela vai morar com a tia e as duas primas e é vista como uma pessoa indesejada na família, então tudo que ela faz é malfeito (sendo uma criança de uns 10 anos). Apanha constantemente por não gostar dos apelidos racistas, como beiçuda, por estar muito cansada da sobrecarga de afazeres domésticos e nem as primas as acolhe com carinho. Após apanhar muito, conhece uma velha que decide cuidar de suas feridas e nasce o carinho entre elas. Surge uma amizade linda com um menino branco, tão triste quando ela, que posteriormente é relatado que é filho de uma prostituta. A tia traz um homem para dentro de casa, que abusa de Lilita - a filha mais velha dela. A narradora, sabendo que a tia não acreditará no que disser, decide dormir com a prima (a mesma que a rechaçava) para protegê-la. Com o passar do tempo, o homem sai de casa, deixando a tia grávida. Há duas revelações no final: o pai dela também é pai de Lilita, por isso a tia a odeia tanto; esse homem abandonou a mãe e ela se suicidou. A jovem diz que não consegue sentir raiva da mãe por deixá-la porque a ama muito e esse amor se sobrepõe a qualquer outro sentimento. Ela e Lilita tentam juntas encontrar o pai.

"Para cada um existe um céu diferente. Eu imagino que é um lugar onde não existem mentiras e onde todo mundo se dá muito bem. Quero um céu em que as avós sejam boas e distribuam doces entre seus netos. Onde ninguém maltrate as crianças, nem as obrigue a fazer coisas que não gostam. Um céu onde ninguém me chame de beiçuda nem de feia e onde eu não me sinta sozinha. Para mim, o céu está cheio das coisas que você mais quer. "
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Henrique.
1,031 reviews28 followers
January 8, 2024
Livro bem pequeninho e bonito. Pode ser lido em apenas uma hora e conta uma história singela e delicada. Basicamente, é a história de uma menina cuja mãe morreu e que passa a escrever cartas para ela, contando sobre as coisas que lhe aconteciam. A menina passou a viver com a tia, as primas e as avós, e de nenhuma recebia um tratamento decente. Suas pequenas cartas retratam a realidade de famílias negras e pobres em Cuba, geralmente com a figura masculina ausente ou praticando violências e abusos variados. Aos poucos, porém, começam a surgir algumas esperanças para a personagem do livro. Em relação ao texto, é sempre difícil traduzir o pensamento de crianças, e acho que, vez ou outra, teve alguma "forçada" por parte da autora, mas a maioria dos efeitos funciona e a leitura é fluente.
Profile Image for Vanessa Dunk.
7 reviews1 follower
November 10, 2021
Um livro curto que em uma sentada se lê. Mas as suas palavras e as histórias ficaram reverberando dentro de mim por muito tempo. São os tais atravessamentos que falam, né?
Uma menina que escreve cartas para sua mãe que morreu contando sobre tudo que está acontecendo com ela agora que sua mãe não está mais lá. A gente vai sentindo sua dor, vai vivendo suas histórias e vibrando quando ela vai se sentindo amada, cuidada, quando ela vai se reafirmando e é tocante quando vemos as feridas começarem a se cicatrizar.
Uma história forte e linda!
Profile Image for Theo Shlic.
37 reviews
September 11, 2024
A sensação de querer odiar alguém mas não conseguir é muito impotente
E ainda amar alguém que você sabe que nunca mais poderá abraçar ou ouvir o som da voz é um dos sentimentos mais tristes que existem
A vivência de uma mulher negra em uma família em que não gosta de ser negra é dura e rígida e muitas vezes cansativa
Os relatos em forma de carta mostram a evolução de alguém que aprendeu a se desprender daquilo que a faz mal
Seja o ódio semeado por pessoas que também passaram por coisas horríveis, ou até mesmo o luto pela sua falecida mãe que conseguiu descansar
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Flávio Porto.
24 reviews
July 7, 2022
Órfã que vai morar com a vó, tia e primas, e decide escrever cartas para a mãe como um refúgio de tudo que a cerca; toda violência, todo abandono, todo desamparo nos apresentado a partir desse desejo de não estar e não se sentir sozinha que é mais poderoso que a morte.

Conta para mãe seu dia a dia e da religião, da raça, da paternidade/maternidade, aceitação, trabalho, descobertas, aprendizados, perdão - tudo de maneira clara, direta, informal e comovente.
Profile Image for Uendel S. Damacena.
28 reviews
November 8, 2023
Dá para terminar em uma sessão de leitura e acho que seja até melhor ler todo de uma vez.

Alguns reflexos da realidade, principalmente se você não for uma minoria étnica, são mais profundamente entendidos se outras leituras sobre racismo forem feitas antes.

Recomendo, fortemente, ler "Mulheres, raça e classe" da Angela Davis, antes desse, por conta da abordagem de ambos sobre serviços domésticos.
Profile Image for Ernest Kincaid.
66 reviews2 followers
September 16, 2019
Heartbreaking and deeply moving, though an intricate and beautiful picture emerges from the simple letters of this young girl. She is astute, observant, and will engage the depths of your being in empathy. Drips with pathos in small digestible bits so as not to utterly overwhelm. I am a better man for having read this book.
Profile Image for Heitor Derisso.
97 reviews6 followers
October 25, 2021
Esse livro é de uma sensibilidade tamanha! Eu devorei em uma única sentada e imediatamente se tornou um dos melhores que eu li esse ano!

Eu tenho algumas críticas em relação à progressão das cartas, mas não foi nada que realmente tenha atrapalhado a experiência.

Em geral, um livro muito bom e com uma proposta sensacional, além da edição da Palas ser muito confortável para ler.
Displaying 1 - 30 of 74 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.