Comecei Com amor, Charlie com uma expectativa enorme já que era uma história muito bem falada e conhecida por destruir corações e te deixar sem ar no final. Fui com tanta sede ao pote que acabei descobrindo que, realmente, quanto maior a expectativa, maior é a queda. Foi uma decepção.
Eu sou uma grande fã de obras dramáticas que deixam o leitor com o coração destroçado e sem saber o sentido da vida e com Com amor, Charlie eu não cheguei nem perto disso, deixa eu explicar o porquê.
A sinopse da história, primeiro, não dá muitas informações a respeito do enredo, só conhecemos um pouco dos personagens. Ela é a seguinte:
"Ela é fria como gelo.
Ele é quente como fogo.
E ele está mais do que determinado a derreter o coração dela.
Charlie Archer tem a vida sob controle. É uma mulher inteligente, independente e perspicaz.
Então ela conhece Kellan Dawson.
Com o sorriso torto, olhos cinzas e o corpo perfeitamente esculpido ele quebra mais corações do que é capaz de contar.
Ele a quer, mas Charlie não o suporta. Os flertes, as piadinhas e as investidas não funcionam com ela. Mas ele não vai deixa-la em paz tão facilmente.
Afinal, Kellan Dawson sempre consegue o que quer."
Na parte "Charlie Archer tem a vida sob controle. É uma mulher inteligente, independente e perspicaz" eu logo criei a imagem de uma mulher forte e segura que não se deixa abalar por qualquer coisa, o que aumentou essa visão em "os flertes, as piadinhas e as investidas não funcionam com ela"
Além da nota da autora que diz:
"Essa não é a história sobre uma garota que conhece um garoto e se apaixona.
Essa é a história sobre uma garota que conhece um garoto e se perde.
É triste. É cruel. É real."
Pronto, para mim, além disso tudo ela sabia quem era. Mas logo nos primeiros capítulos, antes mesmo de conhecer Kellan, temos uma Charlie insegura, rasa e que permanece assim quase até o fim da história. Isso fez com que eu pensasse, a cada página, que, não era uma personagem que se envolve em um relacionamento horrível e se perde de si, e sim que ela nunca se conheceu.
Ela já tava fodida quando entrou nisso e iria colocar toda a culpa nele, pensei. E isso acontece.
Quando ela se envolve com Kellan, isso fica ainda mais visível já que, a todo momento ela pergunta para ele porque escolher ela já que tinha tantas outras garotas mais interessantes. Ela tenta mascarar falando que é apenas curiosidade, mas fica na cara que não. É insegurança. Sim.
"Porque você poderia ter qualquer uma das dezenas de garotas que estavam naquela festa.
É sério. Qualquer uma.
E sempre foi assim para você.
Você via. Você queria. Você conseguia.
Então, por que eu?
E eu não estou dizendo isso porque me acho feia, desinteressante ou algo do tipo. É apenas por pura e simples curiosidade. Afinal, havia garotas muito interessantes e não apenas bonitas atrás de você. Então isso sempre me fez pensar: Por que eu, Kellan?"
Outro ponto que me incomodou foi a falta de maturidade dos personagens já que são adultos e a faculdade se torna uma presença constante no decorrer da trama. Me pareceram mais adolescentes do primeiro ano do ensino médio, disputando a atenção da garota mais bonita, por exemplo nessa passagem em que Kellan aposta a Charlie com o Elliot:
"— Quer saber? Vamos fazer uma aposta. — Você disse, ainda sorrindo.
— Que tipo de aposta?
— Se você ganhar o jogo, eu deixo vocês dois em paz e saio do time pelo resto do ano.
— E se você ganhar?
Então você tirou os olhos de Elliot e me encarou.
Você sorriu e, ainda olhando para mim, disse lentamente: — Eu ganho a sua garota."
Apesar de ser uma história curta e que o leitor consegue terminá-la rapidamente, ela peca, e muito, pela repetição. Ela tem trinta capítulos e a impressão que dá é que em todos aparecem milhares de vezes "sorriso torto" "eu sabia que você era encrenca/problema", sendo que só o primeiro, aparece em treze capítulos (mais de uma vez). Isso acaba cansando a leitura porque parece que você está lendo o mesmo capítulo várias vezes em que os personagens estão sempre falando e fazendo a mesma coisa.
Iniciei a história acreditando que retrataria a vida de dois adultos vivendo em um relacionamento abusivo e apesar de realmente retratar esse segundo, os elementos típicos de clichês adolescentes, acabam se sobressaindo e o prometido drama, fica perdido. Salvo os dois últimos capítulos, os únicos que gostei pois temos uma Charlie reconhecendo a sua parcela de culpa, tentando ser forte e seguir em frente.
A história seria perfeita sem os excessos de clichês, repetições e se a autora tivesse melhor trabalhado a química entre os personagens, pois, eu realmente não consegui sentir esse sentimento tão forte e destrutivo que um tinha pelo outro. Acredito que uma revisão seria ótima para a sua melhoria.
Uma pena, eu gostaria muito de ter sentido o que tantas pessoas sentiram com essa história, mas os pontos levantados impediram e realmente foram incômodos.