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O Clube dos Jardineiros de Fumaça

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Em um cenário formado por coníferas milenares, estradas sinuosas e falésias, a região californiana do Triângulo da Esmeralda concentra a maior produção de maconha dos Estados Unidos. É lá que o jovem professor brasileiro Arthur busca recomeçar a vida, depois dos acontecimentos que o levaram a deixar Porto Alegre. Aos poucos, ele se insere na dinâmica local e passa a fazer parte de uma história que começa com a contracultura dos anos 1960 e se estende até o presente.

À vida de Arthur e daqueles com quem estabelece vínculos - o atormentado Dusk, a solitária Sylvia, a indecisa Tamara - mistura-se a de personagens reais que participaram do embate que levou à descriminalização do uso da maconha, fazendo deste um poderoso romance panorâmico. Cruzando história e ficção, com uma linguagem original e ousada, a meio caminho entre Brasil e Estados Unidos, Carol Bensimon compõe em O clube dos jardineiros de fumaça um brilhante retrato da geração hippie e de seu legado.

392 pages, Paperback

First published November 28, 2017

14 people are currently reading
481 people want to read

About the author

Carol Bensimon

28 books422 followers
Nasceu em Porto Alegre, em 1982. Seu primeiro livro, Pó de Parede (Não Editora), um tríptico de novelas, foi publicado em 2008, enquanto cursava o mestrado em Escrita Criativa na PUCRS.
Depois, publicou três romances, todos pela Companhia das Letras: Sinuca Embaixo d'Água (2009), Todos Nós Adorávamos Caubóis (2013) e O Clube dos Jardineiros de Fumaça (2017). Em 2012, foi incluída na edição Os Melhores Jovens Escritores Brasileiros da revista britânica Granta.
Seus livros foram publicados na Argentina e na Espanha e, em 2018, Todos Nós Adorávamos Caubóis sairá nos Estados Unidos.
Já traduziu histórias em quadrinhos francesas e escreveu contos e ensaios para o Estado de S. Paulo, O Globo, Folha de S. Paulo, Superinteressante, Piauí e para a editora norte-americana McSweeney's. Algumas crônicas que escreveu para o jornal Zero Hora e para o Blog da Companhia foram reunidas no livro Uma Estranha na Cidade (Dublinense, 2016).

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Community Reviews

5 stars
76 (20%)
4 stars
148 (40%)
3 stars
114 (31%)
2 stars
24 (6%)
1 star
3 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 37 reviews
Profile Image for Lenio Carneiro Jr..
32 reviews11 followers
December 15, 2021
eu tenho uma insistência pessoal muito grande com as obras da carol bensimon. não saberia explicar exatamente o porquê, mas reconheço que esse fascínio resida em mim. esse foi o terceiro que li dela e estava disposto a não gostar, por mais doído que fosse, já que não curti tanto o sinuca embaixo d'água. felizmente, adorei a leitura.

o jardineiros (ou o clube? não sei a melhor abreviação) tem o texto característico de bensimon: cru, descritivo e realista. mas tem também uma temática muito bem trabalhada. já assisti cinco ou seis longas entrevistas/lives/conversas com a autora sobre o papel da pesquisa na construção de um romance e, uau, aqui fica evidente como uma boa narrativa não precisa ter como pilar um aporte emocional, pode beber muito também da pesquisa. acho que é até mais difícil transportar o leitor dessa maneira sem precisar engatilhá-lo. uma experiência museológica.

o mergulho nos personagens secundários fica cada vez mais convincente na medida em que se avançam as páginas. o protagonista, arthur, é tanto um fio condutor de vidas californianas que partilham conflitos familiares e canábicos quanto uma personalidade marcante, com motivações bem construídas e postas.

gostei que o tom do livro não tem nada a ver com romances policiais. se tivesse uma pegada máfia, eu odiaria. a maconha (logo o tráfico, o policiamento, etc) é mais um objeto comum entre vidas ordinárias do que propriamente o elemento principal da história. entre tantas informações muito bem colhidas e colocadas em um texto de natureza ficcional, o resultado final excede as expectativas.

o gostinho final (ou o último trago, se me permitem metaforizar) é de que, no fim, o importante é ter consciência limpa e boas companhias.
Profile Image for Guilherme Smee.
Author 27 books190 followers
December 20, 2018
Eu gosto muito do Pó de Parede. Acho que de lá para cá, neste livro, o estilo da Carol acabou se pasteurizando. E eu gosto muito de identificar "marcas de estilo", por mais clichês que elas possam ser, a gente se sente confortável sabendo que aquele livro é daquele autor que a gente tanto curte. As melhores passagens deste último livro da Carol são as que envolvem os brasileiros. As partes com americanos me parece aqueles filmes em língua que não é a nossa e a gente não consegue guardar os nomes, porque não são familiares. Talvez seja uma barreira minha, talvez seja um barreira proposital que a Carol colocou entre os leitores brasileiros e os personagens americanos. E essa dicotomia, acaba incomodando porque não tem como colocarmos um ritmo nela, já que não existem "partes americanas" ou "partes brasileiras". Tudo está imiscuído. Mas por vezes, as vozes dos personagens brasileiros ganham importância. E fica muito bom. A minha parte preferida deste livro é o capítulo de Marina Nunes. Se a Carol tivesse escrito o livro com a Marina como protagonista, talvez ficasse bem melhor que o resultado final. Neste capítulo, a Carol poderia ter feito muitos julgamentos sobre a Marina, mas prefere não fazer, deixar pro leitor. Isso é o MAIS legal. Por isso eu acho de essa parte render TANTO. O livro demora a engrenar. Demora simpatizar com os personagens. Eu só sei que gosto muito do estilo da Carol no Pó de Parede. Ou talvez esse livro não era pra mim. Ou não era pra brasileiros que não conhecem os EUA ou pra americanos que não conhecem o Brazil.
Profile Image for Priscilla Negreiros.
27 reviews4 followers
October 21, 2019
Um livro lindo, mas não necessariamente pela história dos personagens ou das plantas de maconha da Califórnia. Uma narrativa que permite que você entenda a beleza dos detalhes. Cada frase reproduz imagens que essas sim contam histórias. O livro me fez mudar um pouco a forma que eu observo a vida ao meu redor. Acabei me pegando reparando em banalidades como o cardápio da padaria da minha rua, tentando ver a graça de saber o que ele é. E como em um curso de fotografia que consegue ensinar que a luz cria mil imagens do mesmo objeto, a Carol conseguiu usar as mesmas palavras que estão sempre por aí, para descrever, com a precisão do real, sobre vidas e sentimentos que poderiam ser o de todos nós. Super recomendo.
Profile Image for Nayara Almeida.
88 reviews7 followers
January 7, 2025
Gostei desde as primeiras páginas. Parece não existir nenhum grande acontecimento no livro, mas a verdade é que a autora faz uma coisa meio subaquática, por cima calmaria, por baixo um turbilhão de vida: as personagens vivendo grandes mudanças. Elas se transformam enquanto rememoram os eventos que as trouxeram até ali e aos poucos vão deixando as tralhas da vida passada pelo caminho.
56 reviews1 follower
July 12, 2018
Da Carol Bensimon, já tinha lido Pó de Parede (muito bom, por sinal), Uma Estranha na Cidade, e namorado seus dois romances. Por isso, vim com uma expectativa grande para esse novo livro, sobre o qual a autora já havia dado pistas na crônica final de Uma Estranha...

Ao final, posso dizer que a leitura, apesar de superior à imensa maioria dos best-sellers internacionais (cuja linguagem Bensimon tenta emular em alguns pontos, dando uma abrasileirada aqui e ali) - cujo "checklist", se é que algo assim existe, "O clube dos jardineiros" preenche talvez inteiramente -, deixou um pouco a desejar. A história de Arthur não é exatamente cativante, embora seja um pouco mais interessante pra quem conhece Porto Alegre, e ficou evidente a sensação de que as outras personagens teriam servido melhor como protagonistas, e poderiam ter sido bem mais exploradas na narrativa (especialmente Tamara e Sylvia). Se a opção por Arthur foi artística ou mercadológica, não saberia dizer.

A seu favor, como dito, temos um pano de fundo interessante, com a liberação iminente do uso recreativo da maconha, a paisagem montanhosa do norte da Califórnia, personagens curiosos, como Marina Nunes e Dusk, além das já citadas Tamara e Sylvia. Além disso, Carol Bensimon claramente amadureceu como escritora desde Pó de Parede, há 9 anos (apesar de ainda preferir aquela obra). Mas o resultado toda deste seu último romance poderia ter sido muito mais positivo, no geral - mais inventivo, mais ousado, talvez.
Profile Image for Tiago Germano.
Author 21 books124 followers
November 24, 2018
O livro cresce bastante quando nos deparamos com o passado de Arthur no Brasil e começamos a compreender suas motivações em Mendocino, e os capítulos que intercalam sua trajetória e a dos personagens que o acompanham na Califórnia vão fazendo mais sentido, constituindo talvez um panorama histórico da maconha - de símbolo e vilã da contracultura até sua legalização em alguns estados dos EUA. A técnica de Carol é impecável, uma escrita limpa e madura, perfeitamente simétrica no equilíbrio entre reflexão, descrição, ação, diálogo. Esse trabalho de linguagem, que o texto de contracapa considera "a meio caminho entre Brasil e Estados Unidos" e que fomenta muitas das críticas voltadas a uma geração de escritores que parece escrever "como se tivesse traduzindo um texto em inglês", aqui, me parece surtir um interessante efeito de comunicação entre forma e conteúdo (algo também presente numa outra narrativa recente, "O Filho de Deus", do Lourenço Mutarelli - que no caso torna isso um componente caricatural do livro). Não é ainda meu preferido da autora (estilisticamente, me alinho mais aos contos de "Pó de Parede" e o "Sinuca embaixo d'água"), mas sem dúvida representa um salto nesse caminho iniciado com os "Cáubois" e na execução de uma obra de maior fôlego.
Profile Image for Pablo.
67 reviews
June 7, 2020
O começo do livro é difícil, não flui muito bem. O livro se passa, em sua maioria, no norte da Califórnia, no condado de Mendocino, alternando para Rio Grande do Sul em alguns momentos. Por seguir mais de um personagem, embora seu protagonista seja Arthur, o ex-professor de história, a trama fica um pouco confusa e até morna na primeira parte do livro. Capítulos que terminam e começam abruptamente, sem situar propriamente o leitor de quem ele está acompanhando e onde, colaboram para aumentar essa confusão (principalmente no início do livro), uma vez que o leitor ainda não está envolvido na trama ou "próximo" de todos seus personagens.

Do meio para frente o estilo já começa a funcionar. A trama é boa, o pano de fundo também. A história de Arthur é envolta na de oturos personagens secundários (Tamara, Sylvia, Dusk, Noah) é fundida com trechos históricos da guerra anti e pró legalização da maconha nos Estados Unidos. A partir do momento que as motivações de Arthur ficam aparentes, a história se torna um pouco mais interessamte. Ademais, os personagens são um tanto quanto rasos. A autora explora pouco as motivações e emoções de Arthur, embora este seja o personagem principal do livro...
1 review
August 30, 2018
Simplesmente fantastico! A autora expõe a história da maconha e como seu cultivo afeta a economia, a cultura e as interações sociais de um lugar. Mostra seus dissabores e sua beleza. Expõe a face que muitas vezes nao conseguimos ver, inclusive discorrendo sobre a potencialidade de seu uso medicinal. O enredo é salpicado por personagens fascinantes, gente como a gente, pessoas recheadas de erros e acertos, fissuras e delicadezas. É uma história rica, emocionante, divertida, que ao final faz com que olhemos pro céu ... somos mesmo apenas um ponto em um universo muito muito vasto... mas é bom fazer parte dele.
Profile Image for Kalany Ballardin.
53 reviews23 followers
May 20, 2019
A escrita é maravilhosa, intricada. Infelizmente, nada muito relevante acontece na história e essa foi a parte que dificultou o interesse em manter a leitura. Os capítulos históricos/romanceados sobre personagens históricos são muito legais, e constroem camadas de pontos de vista sobre a maconha.
Profile Image for Carla Cortegoso.
31 reviews1 follower
September 20, 2018
Maconheirxs, leiam esse romance. Leitura leve, profunda e cheia de infos relevantes sobre a história da cannabis na Califa. O livro está concorrendo à algum prêmio que não lembro o nome.
Profile Image for Luísa.
31 reviews1 follower
October 12, 2023
cara eu daria 3,5. adoro adoro adoro a maneira q ela constrói a lógica dos personagens e os vínculos entre eles. às vezes a história fica meio lenta, mas ainda assim é muito confortável de ler. tu sente mt parte e sente proximidade com os personagens
Profile Image for Julia Coppa.
126 reviews17 followers
November 4, 2020
Eu gostei bastante puxa tudo que eu li da Carol até agora achei bem bom bem bom.
Profile Image for Uva Costriuba.
396 reviews13 followers
December 14, 2020
leitura gostosa, com ecos de amigos que não vejo há um tempo e esse conforto esquisito de ler personagens de Porto Alegre que podiam ser meus vizinhos em São Paulo.

gostei de tudo no livro menos do protagonista. o cara não me convenceu, me irritou e no final até me deu desgosto. claro que combina muito com a cena, parece que esse cara estava presente de alguma forma em toda e qualquer ficção sobre maconha que eu vi na vida. me perguntei se seria interessante ler na perspectiva da Tamara mais ou menos no momento em que as focalizações da narrativa começam a trocar mais rapidamente entre ela, Sylvia e arthur.

Sylvia me lembrou Réquiem para um sonho, o filme de 2000 com a senhora das pílulas que vê a geladeira pular. Achei ótimo descobrir o que estava acontecendo com ela. Acho que essa alternância das senhoras entre a mãe do arthur e a Sylvia me manteve lendo até o fim.

me diverti muito com os capítulos que romantizaram a vida de sub celebridades reais da história da legalização da maconha nos estados unidos. me diverti menos com as investidas de sexo (puxadas em lances de pornografia de internet) e violência armada que tem apenas aparições rápidas na trama mas são ameaças constantes. tem um relacionamento poli no meio da história que é especialmente frustrante (talvez até coerente com o resto da história porque é frustrante mesmo). acho que esses são ganchos comerciais do texto que abrem caminho pra momentos mais interessantes talvez... não sei. no final a composição fica bonita e complexa.

talvez um dia eu leia de novo, talvez eu faça essa viagem, quem sabe né...
recomendo para todos que piram nos eua e não se incomodam com expressões do inglês costuradas no meio do texto em português.
aliás, é uma leitura leve, ótima pra esses tempos de covid.
Profile Image for Gabriel.
51 reviews6 followers
November 21, 2022
Tenho lido pouquíssimo. Morar num país cuja língua escandinava é paradoxalmente cada vez mais estranha e familiar para mim (a aquisição de uma língua vai na contramão de uma acumulação de conhecimento, passando pela estarrecedora conclusão do quão pouco sabemos em comparação às migalhas das regras que vão se fazendo conhecidas) me faz dedicar a maior parte do (já antes escasso) tempo livre a incursões em jornais e romances adolescentes em uma melodia composta em outra escala que não a Maior: talvez uma escala de tons inteiros ou pentatônica, as resoluções da harmonia prosódica sendo totalmente irreverentes na boca dos falantes em comparação ao que espero, inconscientemente, do português. Não quero me estender de forma prolixa ou pedante aqui, mas apenas realçar o lugar de onde escrevo essas linhas.

O romance de Carol Bensimon veio numa segunda tentativa, quase três anos depois da original, às vésperas do seu novo livro. Parece que eu finalmente rompi a barreira das primeiras páginas insossas, que antes me fizera jogar para o alto a história. E eu acho que entendi o que o faz ser tão apelativo e distante de ser processado.

Inevitável ficar com um gosto pungente de estar lendo um romance traduzido do inglês para o português quando lia “o clube dos jardineiros”. Uma sensação que atravessou todos os personagens e me fez cogitar a possibilidade de: a) ou ela ter escrito originalmente em inglês e subsequentemente traduzido, ou b) produzido esse efeito de forma artificial para que tenhamos a impressão de estar lendo algo de fora do Brasil. Em cabeças que raciocinam em línguas diferentes.

Não a toa, o mundo interno de quase todas as personagens diz respeito a um universo de nomes, objetos, práticas, e lugares que nós não tivemos acesso. Vez ou outra, a autora, didática, se lembra que o livro é destinado a brasileiros e procura ensinar ou explicar trivialidades da cultura norte-americana no timbre de um narrador onisciente contemporâneo.

Mas essa mesma tática é a coisa que também afasta de toda a potência envolvente na escrita de Carol. No final, como alguém uma vez disse numa resenha, é como se ela nem escrevesse algo para os americanos (que poderiam se identificar com quase tudo que ela narra) nem os brasileiros, que são brindados pela familiaridade da língua escrita, mas numa distância emocional de um precipício com as personagens, precisando o tempo todo enxertar sentido para o que se vive no Brasil. Como quem assiste um filme de ação hollywoodiano que finalmente muitas cenas acontecem mas pouco lembramos da história da personagem principal.

O que assombra é a qualidade da pesquisa que ela fez para levantar essa história. Cada fato e prática, inventada ou real, está posto no devido lugar com uma sanha obsessiva. Minha opinião e entendimento (ao menos parcial) sobre a maconha foi com certeza afetado pela leitura do romance, fim que imagino ser um dos seus objetivos. Falar sobre o que é tabu, por que ainda no campo da ilegalidade. Mas, por opção politica, o cultivo da maconha parece ser apenas enxergado na história como uma panaceia para aliviar o mal-estar contemporâneo da desconexão com o mundo (afetivo) e ignora a conversa sobre seus efeitos psíquicos deletérios, dando uma ênfase enfim importante a outras drogas modernas (como o fanatismo religioso).

Finalmente, criei uma especial afeição à Sylvia e sua história (a mais orgânica entre todas as moradoras de Mendocino, talvez por ser a que mais se transforma) e penso que Mariana Nunes foi um potencial desperdiçado, pois também poderia ter trazido mais cor à narrativa. Embora enxergue o núcleo conflitivo do Arthur no passado com a mãe e dado solidez à trajetória, ele não me convenceu como personagem “de verdade” no presente da narrativa, do mesmo modo que com Dusk e Tamara. Acho que inclusive pedaços maiores da história de Arthur poderiam ter sido adiantados.

Logo passo para o Diorama.
Profile Image for Ana Beatriz.
75 reviews2 followers
July 2, 2018
O clube dos Jardineiros de Fumaça, Carol Bensimon (Nota: 4/5)

Após perder seu emprego em Porto Alegre como professor de história após um problema com a polícia e de perder sua mãe para um câncer, tudo de uma vez só só, Arthur decide ir viver no condado de Mendocino, Califórnia, sem contar a ninguém.
Apesar das vistas estonteantes do oceano Pacífico e das florestas de sequoias milenares, Arthur está interessado numa atividade agrícola comum na região e motivo pelo qual o lugar é conhecido nos Estados Unidos: o plantio de maconha.

Nesse romance da gaúcha Carol Bensimon, somos levados pela escrita impecável da autora a microcosmos pessoais diversos que são afetados. É extremamente recompensador ver um livro escrito com tanta pesquisa e com tanto esforço em fazer com que o enredo tenha a ver com a realidade e possa, ao flertar com ela, nos fazer refletir sobre nossos preconceitos e ignorâncias. A autora tem um ritmo de escrita e um jeito de colocar as ideias, mesmo que muitas vezes pareçam contrapostas, que me tocou profundamente e eu já estou procurando os livros anteriores dela.

Carol neste livro irá tocar em pontos muito diversos como o envelhecimento, nossa moral, relacionamentos poliamorosos, machismo e feminicidio, legalização da maconha, hipocrisia... E o que é o ponto alto do seu livro torna-se também seu revés uma vez que os muitos assuntos acabam sendo eclipsados pelo enredo e de certa forma também o eclipsam. Acredito que os muitos núcleos e personagens e a profundidade que tentou ser dada a todos eles ao mesmo tempo pode ter sido um fator complicador e o motivo pelo qual dei quatro estrelas.

É uma história que irá te desafiar por te obrigar a questionar-se sobre o que é certo é errado para sua vida, sem necessariamente colocar o dedo na sua cara e torcer uma ferida.

instagram: @anatomialiteraria
Profile Image for Eduardo Peretto Scapini.
201 reviews4 followers
December 28, 2023
após 5 ANOS finalmente acabei, acho que demorei todo esse tempo até pensando em um amadurecimento que precisou acontecer pra eu aproveitar 100% o que essa narrativa se propõe a ser. e posso dizer que nessa última empreitada o meu prazer foi ao máximo lendo isso.

bem, acho que é legal começar destacando como a Carol tem uma destreza singular na alternância de narrativas, viajando sob diferentes perspectivas e conseguindo construir um mundo bastante verosímil, acho que até identificável em algumas passagens, pensando meu lugar enquanto porto-alegrense, tendo caminhado pelas ruas que Arthur vai citando ao longo do livro — ao mesmo tempo li um comentário aqui que também boto muita fé, comentando sobre como os personagens gringos estão presos numa tradução mal feita deles mesmos, acho que operando como
uma barreira pra me simpatizar consigo, visto que tava sempre mais entusiasmado pra ler sobre o Arthur, a Lúcia ou a Marina. além disso, acho que os recortes temporais que acontecem, e as colagens de biografias no meio dos capítulos trazem um enriquecimento ABSURDO, e até mesmo um pensamento mais político-reflexivo (não que eu ache que um leitor de Bensimon precisasse mas eu achei muito bom).

enfim, acho que quando penso em retrospecto, e percebo a ausência de uma grande bomba que tá prestes a explodir na narrativa, me vejo adorando muito toda a trajetória agridoce com um tom de superação de luto interessante, penso que para mim ele poderia durar muito mais e ser um baita magnum opus da carol, baita história.
Profile Image for Raquel Bello  Vázquez.
101 reviews1 follower
October 16, 2023
Publicado em 2017, O clube dos jardineiros de fumaça é um romance que acontece em dois espaços (Porto Alegre, no Brasil, e Mendocino, nos Estados Unidos), e em vários tempos que se sobrepõem em diversas narrativas evocadas de forma fragmentada na memória das personagens.

O protagonista (ou, talvez, o fio condutor) é Arthur um jovem portoalegrense professor de história que vai morar a Mendocino, conhecido pelas suas plantações de maconha, tanto legais quanto ilegais, depois de ter sido preso pela polícia por cultivar a planta de forma ilegal na sua casa de classe média/alta em Porto Alegre.

A história de Arthur serve a Carol Bensimon para tecer uma narrativa com múltiplas personagens (reais e ficcionais) e diversas perspectivas, que se entrelaçam com a própria história do cultivo e consumo da maconha, desde a sua perseguição até à legalização para usos medicinais e, depois, "recreativos".

Narrado em terceira pessoa, o romance adota a perspectiva de diversas persongens: Arthur, Tamara, Sylvia, Samantha, Marina Nunes, de forma a compor um mosaico de vivências nas margens, que são abordadas sem moralismos nem justificativas. A variedade de perspectivas, serve para propor interessantes questionamentos sobre legalidade, justiça e privilégios de diversos tipos.
Profile Image for Joao.
90 reviews
May 20, 2024
é engraçado pq nada nesse livro me prende. a história de arthur, por mais diferente que possa ser, não me cativa, tamara e seu amor poligâmico são esquecíveis até certo ponto, sylvia e dusk talvez tenham sido os personagens mais interessantes da história. mas apesar disso tudo, ainda é uma leitura agradável, as passagens pela paisagem do norte da california são tão visuais quanto um filme, creio que foi isso que me fez gostar de verdade do livro. meu primeiro romance da autora, me deixou curioso pra ler outros, talvez um que se passe no brasil e não tente emular um romance gringo com personagens brasileiros
8 reviews
October 23, 2019
A narrativa é extremamente confusa e feita em cortes conforme os capítulos passam, te dando a impressão que você pulou algo, algo que me irritou pois tive que voltar a leitura diversas vezes pra ver se eu tinha perdido algo.
Não consegui me conectar com nenhum dos personagens, não captei a emoção deles e estava pouco interessada na história, que aliás, com mais de 300 páginas eu não sei onde a autora quis chegar.
É regular por trazer questões políticas sobre a maconha e curiosidade sobre a luta recreativa e medicinal da erva, mas não é uma escritora que eu queira ler de novo.
Profile Image for Guilherme Kawachi.
18 reviews5 followers
May 3, 2025
Esse livro me irritou profundamente. Não porque é ruim, talvez justamente pelo contrário: a trama é excelente, o assunto é original, a capacidade narrativa da autora é igualmente boa também. Mas tudo isso se perde nesse estranhamento que é a linguagem que ela escolhe: uns inglesismos no texto que não fazem sentido em nenhuma das línguas; uma sensação de estar lendo legendas mal-traduzidas de um filme (que quer ser) indie americano; umas oportunidades desperdiçadas no aprofundamento das personagens. Não é pra mim, definitivamente.
Profile Image for Igor Morais.
26 reviews1 follower
December 18, 2018
O livro mistura um enredo ágil e muita habilidade narrativa - com trocas de ponto de vista fluídas e ótimas elipses - para fazer uma etnografia tardia do Emerald Triangle, com o grande trunfo de uma análise crua da geração hippie, que moldou a cultura stoner/canábica local e internacional, para o bem e para o mal.
Profile Image for Fernando Ferrone.
Author 3 books20 followers
September 27, 2019
Depois da decepção que me foi, há alguns anos, a leitura de "Sinuca Embaixo d'Água", foi com uma agradável surpresa que li este. Bensimon atingiu um nível muito alto de qualidade literária e se destaca grandemente da massa dos escritores de sua geração, preocupados sobretudo em exibir destreza formal (ou um arremedo disso). Imperdível e merecidamente premiado.
Profile Image for Gui Martins Pinheiro.
34 reviews2 followers
January 27, 2021
Um belo livro com uma estória interessante sobre o norte californiano. A autora consegue amarrar bem as pontas entre o Brasil e os EUA, o que sugere um contato próximo com ambas culturas.
As idas e vindas através dos capítulos não atrapalham e o toque “não-ficcional” está bem feito.
Livro rápido de ser lido, tipo “livro de verão “
Profile Image for Sergio Maduro.
229 reviews
Want to read
August 30, 2023
“Escritora e mestre em escrita criativa, é autora de Sinuca embaixo d’água (2009), Todos nós adorávamos caubóis (2013), O Clube dos Jardineiros de Fumaça (2017) – vencedor do prêmio Jabuti de Melhor Romance e finalista do prêmio São Paulo de Literatura – e Diorama (2022). Seus livros foram traduzidos nos Estados Unidos, França, Itália, Espanha e Argentina” (apresentação da BibliON)
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Debora.
53 reviews6 followers
August 6, 2024
arrrr to chateada que gostei tao pouco desse. achei a narrativa tão perdida e sem ritmo, só alguns focos me interessaram - o trisal e a relaçao de arthur com a mãe principalmente. a ideia de narrar histórias sobre o cultivo de maconha é muito boa e também foi parte do que me prendeu mais. infelizmente a ficção não prendeu tanto 😞
10 reviews
October 26, 2021
Really interesting point of view, with a pretty realistic and involving plot for a piece of fiction. I confess I was a bit lost at the end, which didn't have any kind of conclusion to the plot, but maybe that was exactly the point, to force the reader to look for a conclusion between the lines
Profile Image for Mateus Bernardes.
9 reviews2 followers
February 8, 2022
Um livro que tem como maior trunfo o local onde se ambienta. Cenário e temática muito atraentes. Personagens complexos e história não linear, o que é bem legal. Porém, em nenhum momento empolga.

Confesso que esperava mais de um vencedor do prêmio Jabuti.
Profile Image for Ana Nehan.
370 reviews32 followers
March 1, 2025
Apesar de ser uma premissa que muito me interessa, a narrativa não me prendeu e não consegui me conectar de verdade a nenhum dos personagens. Dito isso, é um livro curioso, então acho que vale “testar” se a escrita da autora funciona pra você.
Displaying 1 - 30 of 37 reviews

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