Ruy Castro, nascido em 1948, começou no mundo das letras como jornalista. Atuou com destaque, competência e talento em vários jornais e revistas. A partir de 1990 dedicou-se à escrita e seu talento como escritor, já reconhecido através dos artigos e matérias que publicava tornou-se notório e internacionalmente reconhecido. Autor de vasta obra com destaque para os best-sellers “Chega de saudade: a história e as histórias da bossa-nova”, “O anjo pornográfico: a vida de Nelson Rodrigues”, “Estrela solitária: um brasileiro chamado Garrincha”, “Carmen – uma biografia” além dos romances “Bilac vê estrelas” e “Era no tempo do rei”, o mineiro, natural de Caratinga (MG) mas carioca por opção e cidadão benemérito do Rio de Janeiro, já recebeu o prêmio Nestlé de literatura, o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte e, nada mais, nada menos, do que quatro prêmios Jabuti.
“Trêfego e peralta” é uma ótima seleção de artigos, reportagens e entrevistas da lavra de Ruy Castro. Publicados em vários veículos da mídia impressa esse material, inédito em livro, mostra toda a verve do autor em textos memoráveis. Todo esse material produzido ao longo de cinquenta anos de vida dedicada ás letras foi dividido em nove seções. Em “Jogando com as palavras” o autor faz divertidas digressões sobre o sentido – ou a falta dele – presente em expressões consagradas pelo uso e pelo senso comum. Em “Pequenos homens públicos” os figurões de nossa república pouco republicana são desancados sem dó nem piedade. Na seção “Com todo o respeito” Ruy consegue transformar temas aparentemente banais em pura reflexão algo existencialista. Em “Línguas soltas” podemos degustar “pérolas de sabedoria” e surpreendentes informações em entrevistas com figuras como Millôr Fernandes, Ibrahim Sued, e o especialista em desempenho sexual masculino Elsimar Coutinho. “Desconstruindo heróis” é a seção em que o autor derruba do pedestal figuras notórias e incensadas como Gay Talese, Lillian Hellman, Jack Kerouac além do rock e da Nouvelle Vague. “Ilibando vilões” traz o autor divagando sobre a “verdade” por trás de notórios vilões da cultura pop ocidental. Em “Um elenco de improváveis” personalidades como Jânio Quadros, Xuxa, Baby e Pepeu, Moreira da Silva, Cheetah e Zé Carioca são mostrados de uma forma surpreendente e divertida. “Ecos de 1968” nos traz as reflexões de Ruy acerca do notório ano de 1968 e seu legado. E em “O autor pelo avesso” somos surpreendidos com informações sensacionais por trás do levantamento de informações que possibilitaram a produção de livros como “Chega de saudade” e “Estrela solitária”.
Excelente pedida para todos aqueles que se preocupam em conhecer um pouco melhor esse nosso Brasil pelas palavras e pensamentos de um grande escritor.