Hesitei entre dar 3 ou 4 estrelas a este livro, mas como tenho uma alma muito positiva decidi-me pelas 4. Comprei o "Génio Vazio" de Mihai Eminescu sem qualquer conhecimento tanto da obra como do autor. Gostei do que vi e toca a levar para casa. Para além de positivo também sou supérfluo; umas palavras bonitas na capa e cometo a loucura de gastar 2,50 €, o que por acaso fez com que não tivesse dinheiro para a sopa naquele dia.
Sem mais demoras, e para apaziguar as vossas bocas salivantes ansiosas por saberem mais, digo-vos sem muito pormenor, porque não quero estragar quem no futuro adquira este livro, qual a história contada. Certo dia um homem conhece outro homem, Toma Nour, num bar. Começam com conversas intelectuais e rapidamente descobrimos que este, por alguma, sofre de uma melancolia atroz. Mais tarde, Toma, escreve uma carta ao seu amigo (não sei se já repararam mas não me lembro do nome deste senhor engenheiro), porque está a morrer num país estrangeiro, a contar a sua história de vida. E é isto que ocupa a maior parte das páginas. São relatados os dois eventos mais importantes da sua vida: a paixão por Poesis e sua participação na guerra.
Posto isto, tenho a dizer que a parte do amor não me "convenceu" muito. Tenho sempre alguma dificuldade em compreender estas paixões fulminantes por mulheres de belezas impossíveis, especialmente, como o é neste caso e na minha opinião, feito sem muita imaginação. Agora, no que toca à guerra, posso dizer que adorei. Eminescu tem muita qualidade em descrever cenas fantásticas de crueldade explorando a transformação psíquica das pessoas nestes conflitos revolucionários. Preparem-se para imagens bastante explícitas de carnificina.
Por fim, gostava de dizer que não percebi o fascínio do autor pela lua. Em quase todas as páginas a lua era referida, quando não acontecia múltiplas vezes numa só página. Acho que martelar tantas vezes uma coisa, e assim retirando-lhe qualquer subtileza, acaba por lhe tirar o significado pretendido.