Guia de sobrevivência para choninhas e pessoas sem wi-fi Autor de «Por Falar Noutra Coisa» Melhor blog de 2016, 300 mil leitores. “Chapadas à Padrasto”, expressão celebrizada por Guilherme Duarte, no seu blogue “Por falar noutra coisa” é também uma metáfora para o que vai encontrar neste livro. Texto após texto, o autor, que também é capaz de ser meiguinho e até de comover os leitores, dispara chapadas a torto e a direito: mas só para quem merece. Nesta edição gold, premium, gourmet e VIP, para ler ao brunch ou ao sunset, num rooftop, vai ainda a ficar a saber coisas fascinantes e indispensáveis como: - Dez tipos de personagens nas praias portuguesa - Como é a vida de um estudante de Engenharia - Quais os diferentes tipos de mães - Coisas que se aprendem a viver com a namorada - Tipos de assaltos na Buraca: dicas e quebra-gelo - Tipos de pessoas no dia dos namorados - O que acontece numa viagem de finalistas do liceu - E um ensaio sobre os limites do humor
Se o famoso livro de auto-ajuda O Segredo fosse realmente honesto, só teria páginas em branco para continuar a ser um segredo.
GD e os cruzeiros:
Um café, só porque estou em Roma, não passa a valer quatro euros. Já me bastara perceber que tinha sido enganado nas gorjetas e, pior, nos portos das cidades. Quando dizem que o cruzeiro pára em Roma, eu, não percebendo muito de geografia, estou à espera de que o barco atraque à porta do Coliseu e não que o porto seja a uma hora e tal de viagem de autocarro.
Com isto tudo, faria novamente este cruzeiro? Sim. Foi giro, eu é que tenho um dom especial para dizer mal de tudo. Vim cansado de tanto andar, com peso a mais de tanto comer, e com tonturas e vertigens durante um mês, o que, pelo que vi no Google, é comum a chama-se síndrome do marinheiro. Como bom hipocondríaco que sou, também é possível que fosse um tumor cerebral, mas, como ainda não morri e já passou um ano, devo estar safo.
GD e os limites do humor:
Por isso, parece-me óbvio que definir temas proibidos - já que dependem da sensibilidade de cada um - é um erro, uma vez que a subjectividade é tanta, que tudo seria passível de ser considerado ofensivo. «Temas tabu deviam ser os que causam sofrimento a pessoas!», dizem alguns. Certo, mas, nesse caso, o futebol seria intocável, porque causa sofrimento, especialmente a quem é do Sporting, como eu.
Voltando a fazer a pergunta: existem limites para o humor? Sim. Os limites do humor existem, mas são pessoais e intransmissíveis. O humor tem limites, mas não cabe a ninguém impô-los.
Guilherme Duarte é, na minha opinião, um dos humoristas mais inteligentes de Portugal (a seguir a RAP e a Bruno Nogueira). E isso, por si só, já diz muito. Por isso, é óbvio que este livro tem toda essa inteligência humorística que lhe é característica e que nos faz querer mais!