Entre grandes nomes canónicos já desaparecidos e novas e auspiciosas vozes, o mundo da poesia portuguesa contemporânea é-nos apresentado com uma frescura e originalidade inesperadas. Através de cem poemas, o leitor é conduzido numa viagem íntima por esse universo paralelo que, nas palavras de Sophia de Mello Breyner, «é uma luta contra a treva e a imperfeição»: a poesia.
Longe dos cânones académicos e dos espartilhos da notoriedade, esta é uma leitura incontida e luminosa do panorama poético português para fruir sem constrangimentos, marcada por um cunho muito pessoal na sua selecção e organização, mas, acima de tudo, pela vontade e entusiasmo de dar a conhecer ao leitor o que de melhor se fez na poesia portuguesa nos últimos cem anos.
José Mário Silva, neste livro, compromete-se a reunir os cem melhores poemas portugueses dos últimos cem anos, tarefa difícil e, na minha opinião, não completamente cumprida - como seria natural e desculpável. Deste livro, fazem parte quatro secções - retratos, relatos, desacatos e hiatos - que reúnem os poemas pelos diferentes temas e distintas abordagens que possam conter. Há autores sobejamente conhecidos, como Camilo Pessanha, Alexandre O'Neill ou Fernando Pessoa (representado em dose tripla, por força da heteronímia). Há revelações mais ou menos inesperadas, como Daniel Jonas, Matilde Campilho ou Vasco Gato. E há, também, ausências indesculpáveis, desde David Mourão-Ferreira, José Régio ou António Gedeão. Descobri, através desta antologia, belíssimos poemas de que ignorava a existência, recordei muitos que, numa ou outra fase, me fizeram sentido e, depois, me caíram no esquecimento e reli alguns que me alegram, invariavelmente, os dias. É uma antologia. Imperfeita, portanto. Com faltas inexplicáveis e presenças discutíveis, por gostos ou aproximações pessoais e intransmissíveis. Ainda assim, o trabalho feito é de enorme valor. A edição da Companhia das Letras é primorosa e muitíssimo bonita.
Quero mais poesia na minha vida. Mais paz na alma, mais aconchego no coração. Quero ser desarmada e atingida com força pelas palavras. Quero que mexam e remexam as minhas emoções à flor da pele. Quero um nó tão grande na garganta que me faça gritar as mágoas. Nada melhor do que começar este ano com poesia lusófona para atrair qualidade nos trabalhosos 365 dias de 2018.
Esta seleção de poemas foi feita pelo José Mário Silva. Ele é critico literário no Expresso (o meu preferido, leio tudo, adoro). Esta obra é um convite a todos os leitores e não leitores de poesia. Uma porta de entrada para os que não costumam ler poesia. Uma homenagem a grandes poetas e poetisas. Acredito que muitos ficaram de fora. Mas para quem conhece pouco, como eu, será um prato cheio.
O livro está dividido pela seguinte ordem: Breves Notas; Retratos; Relatos, Desacatos; Hiatos e Autores por Ordem Cronológica. O livro apesar do fraco papel usado, tem uma capa resistente e bonita. Fiquei apaixonada por vários poemas e cheia de vontade embarcar nesta viagem desconhecida da poesia. Alguns conhecia da escola, dos cadernos, por aí. Outros nomes nem por isso e foi uma surpresa encontrar novos nomes para acrescentar na minha lista de "preciso de ler". Acreditem, foi difícil escolher o poema preferido.
Realço os seguintes nomes, Ruy Belo; Almada Negreiros; Maria Teresa Horta; Rui Costa; Rui Lage; Hélia Correia, Nuno Júdice; Herberto Hérder; Joaquim Cardoso Dias; Golgona Anghel; António Maria Lisboa; Mário Dionísio; Adília Lopes; Daniel Jonas; Ana Hatherly; Fernando Pessoa e os seus heterónimos.
Gosto de poemas sobre o obscuro, a dor, a solidão. Gosto de poemas sobre as pessoas e o mundo. Gosto das palavras arrancadas da alma, da pele e de todo o sofrimento capaz de estar nas palavras. Gosto de não entender e reler e voltar a não entender. Gosto de sentir sem entender. Gosto de poesia e nunca pensei que gostasse tanto.
Uma pergunta, porque raio o blogs.sapo.pt não reconhece a palavra "poetisa"?
Escolhi um dos meus poemas preferidos com alguma dor no coração. É de uma poetisa que pretendo explorar mais este ano.
Na realidade, é um 3.5, mas arredondado para baixo.
À partida, José Mário Silva avisa logo que estes são os poemas que para ele fazem sentido estarem neste livro, por isso não pretende que fossem escolhas universais a todos os leitores. O livro apresenta apenas um poema de cada poeta, o que é muito bom, da minha perspectiva, pois fiquei a conhecer alguns poetas que desconhecia.
No entanto, apesar de ter gostado de alguns poemas, apenas dois achei mesmo fascinantes. Outros, conhecendo o trabalho dos poetas e poetisas, não seriam a minha escolha como representação do seu trabalho. Mas lá está, mais até do que a literatura em geral, a apreciação de poesia é muito subjectiva.
É um bom livro para descobrir nomes "novos" no panorama nacional da poesia e, quem sabe, descobrir um gosto pela poesia ou um novo autor preferido!
Uma boa antologia para "curiosos", ou seja, quem não seja aficionado, mas tenha um ligeiro interesse. Embora não concorde com algumas das escolhas e lamente que não tenham incluído o André Tecedeiro ou a Cláudia Sampaio, reconheço que estão aqui os principais nomes que representaram o género nos últimos 100 anos em Portugal.
“olha eu gostava é que tu gostasses de mim os livros não são feitos de carne e osso e quando tenho vontade de chorar abrir um livro não me chega preciso de um abraço”
“A terra é feita de céu. A mentira não tem ninho. Nunca ninguém se perdeu. Tudo é verdade e caminho.”
“e a natureza precária do tempo carecesse por vezes de ser enfrentada sem o ónus da vitória.”
Bom espólio de poemas portugueses. Para quem, como eu, não lê poesia (falta de conhecimento, falta de interesse, falta de poder de abstração, eu sei lá), esta é uma excelente opção para conhecer, ainda que superficialmente, alguns poetas nossos. É refrescante ouvir a melodia destas palavras. “(…) O que eu li e vi Serve-me apenas para ser mais lúcido, não Para ser melhor pessoa. Adquiri esta regra (ou nasci com ela): - e é talvez uma moral - mover-me apenas em direção ao que gosto. (…)” Gonçalo M. Tavares.
Como todas as compilações compiladas por alguém que não nós, houve momentos bons e momentos menos interessantes. Mas passado um momento inicial em que achei que este livro não era para mim, acabei por gostar muito, rever poemas que muito aprecio, conhecer poemas novos de autores do meu coração, e conhecer poemas novos de autores que não conhecia.
Uma antologia que se concentra nos 100 anos que nos precederam e que sintetiza no mesmo número de poemas o 'corpus' que lhe interessa fixar. Mais do que um cânone, importa aqui a panorâmica possível que, sem deixar de fora os autores consagrados pela tradição, inclui os novos e novíssimos.
CDU: 821.134.3-1 821.134.3-82
Livro recomendado PNL2027 - 2018 2.º Sem. - Poesia - maiores 18 anos - Fluente
Uma coletânea que, apesar de só refletir o gosto pessoal do José Mário Silva, cumpre bem o seu papel de "aperitivo" - dar a conhecer a um público (talvez mais apressado) um pouco do que se fez pela poesia em Portugal e despertar interesse em autores que, sabe-se lá porquê, passam despercebidos.
Cem poemas, cem poetas. Como, então, afirmar serem os "Cem melhores poemas portugueses dos últimos cem anos? Nem para José Mário Silva, que organizou o livro, o título fará sentido. Bom para aumentar vendas. Mas todos os poemas selecionados são belíssimos...
This entire review has been hidden because of spoilers.
5/10 estrelas Usually, I feel like anthologies can be a little all over the place and not really give a good portrait of what the author was trying to say. In fact, the man who compiled this anthology even states is that an anthology says more about the man who compiled it than it says about the authors. Nevertheless, I really wanted to pick this book up because, not only did I start to get more into poetry recently and I have been loving it, but also I figure there were still a lot of poets I didn't know, especially Portuguese poets. So if anyone is trying to get a taste of a huge variety of Portuguese poets, this book is just what you need. There is only one poem per poet (some of them don't have a title). My favorites were: Um Adeus Português de Alexandre O'Neill, Alberto Caeiro, Elegia Azul de Rui Costa, Parte-se de José Agostinho Baptista, António Ramos Rosa, Errata de Manuel de Freitas, Ana Hatherly, Jovem Mulher numa Capela de Aldeia de Rui Lage e Bénédice Houart.