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640 pages, Paperback
First published January 1, 2008
O livro começa relativamente bem, com a vida dos Duques de Bragança e com o nascimento da princesinha, luz dos olhos de (quase) todos os tiveram a felicidade de se cruzarem com ela. Podemos, então, acompanhar não só o nascimento/crescimento de Catarina (em Portugal) durante uma das fases mais conturbadas da monarquia portuguesa como também toda a situação política daquela altura em particular. Até aqui tudo ótimo. Temos vista privilegiada da vida familiar e pacata destes duques que pouco davam nas vistas e dos seus filhos. Contudo esta vista privilegiada continua, continua, continua, continua, continua, continua, continua, continua, continua, continua, por umas altamente tortuosas (quase infinitas) 300 páginas!!!! O livro tem 600 páginas! Concordo plenamente em fazer-se uma introdução da vida duma personagem e, em particular, no período marcante da ascensão à coroa e de todas as intrigas, guerras e jogos políticos. Mas sendo franca, era preciso 300 páginas disto? De capítulos só sobre como Teodósio pescava peixinhos vermelhos dum tanque, dava a Catarina para ver e voltar a atira-los de seguida para o tanque? 150 páginas para este fim bastariam.
Conhecendo já um pouco o trabalho desta autora pareceu-me que, neste romance, certas partes históricas acabaram por ser pouco trabalhadas, gostaria de ter visto ainda mais política e intriga que havia na corte. Infelizmente, neste romance a autora acabou por se focar bastante na parte ficcionada ou seja, no que as personagens sentiam, o que pensavam sendo a parte histórica às vezes relegada para segundo plano. Isto acabou por não facilitar a leitura pois quase todo o discurso das personagens e a escrita foi feita num tom quase afetado, a roçar o lamechas atribuindo (em particular) a Catarina uma aura de pessoa tontinha, coitadinha. Ainda que não tenha tido preparação de outras mulheres da corte inglesa ou francesa não me parece que uma tolinha sem sal fosse capaz de se manter no trono duma Inglaterra protestante com tanta (e feroz) oposição.
Felizmente lá consegui ultrapassar as 300 páginas. Após um imenso tempo que tardava não chegar, Catarina finalmente chega a Inglaterra e à corte inglesa. E foi a partir daqui que começou a ficar mais interessante. Ao longo desta segunda parte podemos acompanhar a evolução duma Catarina “pacóvia” numa governante e numa autêntica rainha. Realmente dá que pensar como é que é Catarina, uma rainha nascida em Portugal, mal preparada para aquela corte, sem falar a língua, num país que não professava a sua religião e com poucos aliados conseguiu sair com a cabeça colada aos ombros de volta ao seu país de origem. Ainda que esta segunda parte tenha melhorado significativamente em comparação à primeira ainda achei muito aquém do romance Inclíta Geração.
A parte histórica poderia ter sido ainda mais explorada. Houve partes (interessantes) lá mais para o fim onde senti que tudo acontecia a correr, como se a autora estivesse já farta de escrever e quisesse despachar o assunto. Houve muitos episódios que poderiam ter sido explorados em detrimento de outros e que infelizmente não o foram.
As personagens tal como o enredo poderiam ter sido um pouco mais trabalhadas e aprofundadas tais como as amantes de Charles afinal, acabaram por prejudicar e afetar bastante a vida não só da rainha como da corte. Gostaria de dar especial destaque a algumas personagens como a D. Luísa de Gusmão, mãe de Catarina, Nan, Meg, marquês de Sande e D. Luís que, de facto me pareceram mais trabalhadas e mais interessantes.