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A desgraça do ateísmo na economia

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O (falso) dilema que assola o cristão moderno é invariavelmente o mesmo: ou tornamos o cristianismo relevante para a nossa época por meio de sua acomodação à linha de pensamento dominante, ou nossa fé está fadada ao esquecimento e defasagem intelectual, quando não ao escárnio dos descrentes.
Entretanto, neste conjunto de ensaios, Sandlin, de maneira sucinta, nos presenteia com aplicações concretas do pensamento bíblico a temas candentes como a crise econômica, o intervencionismo estatal e a mentalidade progressista que corrosivamente se entranha na cultura ocidental como um todo.
Ora, sendo a revelação escrita a comunicação do Deus Criador ao homem, é impossível que ela seja reduzida a esta ou aquela ideologia senão pelo mais explícito falseamento ou depauperamento de sua verdade. Porém, desde a Revolução Francesa, passando pelos ideais de Marx até a hermenêutica da suspeita no século XX, a “ideologia” (termo cunhado durante o Período do Terror, por Antoine Destutt de Tracy) tem sido o critério absoluto de julgamento, e o cristianismo tem sido acusado ou definido como puro servilismo ao aparato de poderes políticos ou econômicos. Assim, nessa perspectiva acusatória, a teologia não é “o ensino de viver perante Deus” (William Ames), mas mera sistematização e justificação da vontade de poder de um grupo.

Nesta obra, porém, Sandlin faz o caminho inverso, apresentando panoramicamente uma “teologia da ideologia”, por assim dizer, e expondo as raízes teológicas das ideologias modernas. Pesando as paixões políticas por meio da balança da Palavra de Deus, Sandlin demonstra que todas as formas de soteriologia política, tanto à esquerda quanto à direita, ainda que aparentemente divergentes entre si, têm em comum sua revolta contra o Criador e contra a ordem de sua criação.

123 pages, Paperback

Published January 1, 2018

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P. Andrew Sandlin

69 books19 followers

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Displaying 1 - 4 of 4 reviews
Profile Image for Luiz.
50 reviews1 follower
February 23, 2019
Achei bom! Fala muito de política (o que é de esperar, na verdade), mas aborda a influência do "não crer" no mundo atual.
Profile Image for João Vitor Oliveira da Silva.
11 reviews1 follower
October 1, 2019
Todas as pessoas, em seu modo de pensar em agir, em quaisquer áreas da vida, partem de uma cosmovisão. Toda cosmovisão, por sua vez, tem uma base religiosa, não se relacionando primariamente ao conjunto de ideias ou ao conhecimento do indivíduo, mas ao âmago do seu ser, incluindo sua vontade e suas emoções. Também, pudera: num mundo criado por Deus e habitado por seres humanos que carregam sua imagem, não seria possível ser de outra maneira. Carregamos a centelha divina, e, mesmo que a direcionemos a outra coisa que não a nossa verdadeira Origem, a manifestamos em tudo o que fazemos, seja como indivíduos, seja como sociedade.

Isso não é menos verdade na economia. E essa é a premissa de Andrew Sandlin nesse conjunto de quatro ensaios. O autor analisa, na ordem, o intervencionismo estatal, o marxismo libertário, a crise financeira de 2008 e o liberalismo político contemporâneo dos EUA, em todos eles fazendo o mesmo tipo de pergunta: quais são os pressupostos teológicos? É preciso dizer, logo de cara, que Sandlin acertou em cheio nessa estratégia. A cultura ocidental precisa, urgentemente, se despir da ideia falsa de que existe uma razão neutra que pode ser aplicada à política e à economia, e encarar com honestidade suas concepções basilares a respeito do que é a vida, de quem é o homem, de qual é o seu propósito e de outras questões últimas.

Infelizmente, a execução desta estratégia não é tão boa quanto o esperado. Apesar de apontar o caráter idólatra da ideologia, que toma um aspecto da realidade criada e o eleva acima desta, Sandlin, ironicamente, não denuncia o próprio caráter ideológico do seu argumento, que consiste em identificar a cosmovisão cristã com o conservadorismo político e o liberalismo econômico. De capa a capa, o autor insiste na tese de que, para sermos consistentes em nosso pensamento cristão, precisamos defender o livre mercado.
Não me parece, contudo, que Sandlin se refere apenas ao mercado enquanto um mecanismo útil de sinalização das condições econômicas por meio dos preços, o que, indubitavelmente, auxilia nas decisões de investimento, produção, consumo, comércio etc. Ele defende um compromisso intelectual absoluto com a liberdade econômica, sem se deter nos perigos e contradições internas desse princípio, como, por exemplo, os riscos de distorções do próprio mecanismo de mercado pela criação de monopólios. Sandlin toma a inevitabilidade das desigualdades sociais num mundo imerso em pecado e atribui a elas um caráter quase normativo, como se não houvesse qualquer coisa de positivo que pudéssemos, ou devêssemos, fazer para aliviar a condição do “órfão, da viúva e do estrangeiro”. A certa altura, Sandlin louva tanto o mercado, exaltando a liberdade econômica como a responsável pela prosperidade anglo-saxônica, sem levar em consideração que EUA e Inglaterra foram dois dos países que mais utilizaram da intervenção estatal na economia para prosperarem (para mais sobre o assunto, leia “Chutando a Escada”, de Ha-Joon Chang).

É possível que esse defeito considerável seja resultado da natureza do livro. Não é um livro academicamente rigoroso, que trata de todas as nuances de um tópico. Os ensaios são adaptações de palestras proferidas por Sandlin. Portanto, seu objetivo é mais convencer que analisar. Os limites de escopo e de espaço obrigam um autor nessas condições a ir direto ao ponto. Seria interessante ler um livro de Andrew Sandlin em que ele fundamente, com rigor, seu argumento de que o cristão deve ser um liberal econômico e um conservador político. Enquanto isso não é possível, sugiro ao leitor que leia A Desgraça do Ateísmo na Economia acompanhado do fenomenal livro de David Koyzis, Visões & Ilusões Políticas. Koyzis certamente tem uma coisa ou duas pra dizer a Sandlin.
Profile Image for Leandro Texeira.
179 reviews5 followers
February 10, 2021
"Quando o homem perde a esperança na santificação espiritual, ele passa a esperar pela perfectibilidade humana. Do mesmo modo que o intervencionismo é uma forma de providência secular, também a engenharia social é uma maneira de santificação secular."

Livrinho espetacular e essencial.
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