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Um beijo dado mais tarde

Publicado pela primeira vez em 1990, «Um Beijo Dado mais Tarde» arrasta consigo, como nos diz João Barrento no posfácio a esta edição, «[…] o estigma de um diferimento afectivo, de um atraso no tempo, de uma tensão dilemática na relação com a memória. Ou, poderíamos também dizer já, pensando neste não-romance de Maria Gabriela Llansol, um desfasamento entre a língua que nos é dada e a voz própria que um dia assumimos - ou não. É da herança dessa língua e da aquisição dessa voz que se ocupa este livro. […]»

160 pages, Paperback

First published January 1, 1990

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About the author

Maria Gabriela Llansol

64 books93 followers
MARIA GABRIELA LLANSOL nasceu a 24 de Novembro de 1931, em Lisboa. Licenciou-se em Direito e em Ciências Pedagógicas, tendo trabalhado em áreas relacionadas com problemas educacionais. Em 1965, abandonou Portugal para se fixar na Bélgica. Regressou há alguns anos a Portugal. É um caso ímpar na ficção contemporânea, de jorrante, inesperada e original criatividade. De estilo muito próprio, a sua forte personalidade afirmou-se desde 1957, com as narrativas de Os Pregos na Erva, consolidando-se com O Livro das Comunidades, 1978, e com todas as suas obras posteriores, de que poderemos salientar A Restante Vida, 1978, e Um Beijo Dado mais tarde, 1990, e Lisboaleipzig, 1994 e 1995. Aliando a subjectividade enunciativa a um forte pendor mítico de implicação lírica, que funda numa visão da vida e do mundo de tipo religioso herético, sensualista e naturalista, a sua ficção caracteriza-se por uma hibridez de registos e de convocação, temporal e espacial de entidades, que no entanto assume uma coesão que lhe é dada por uma marca discursiva persistente e inconfundível. Faleceu a 3 de Março de 2008, em Sintra.

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Community Reviews

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Displaying 1 - 14 of 14 reviews
Profile Image for Paula  Abreu Silva.
423 reviews119 followers
August 5, 2026
"Nunca olhes os bordos de um texto. Tem que começar numa palavra. Numa palavra qualquer se conta. Mas, no ponto-voraz, surgem fugazes as imagens. Também lhes chamo figuras. Não ligues excessivamente ao sentido. A maior parte das vezes, é impostura da língua. Vou, finalmente, soletrar-te as imagens deste texto, antes que meus olhos se fatiguem."

Página 129


A bem dizer, o livro não se «ocupa» propriamente de nada, porque a matéria escritural do texto llansoliano não ficciona um real objectivado e exterior a quem escreve, mas absorve mundos na própria linguagem (é por isso que a sua escrita é predominantemente imagética e que nela as palavras, mesmo as mais correntes, saem do dicionário para deambularem livremente à beira do rio dessa escrita).
- João Barrento
Profile Image for Carmo.
753 reviews601 followers
September 28, 2015
Maria Gabriela Llansol, ou a arte de encriptar o que é simples.
Uma escrita que é um quebra-cabeças a desafiar todos os moldes habituais, uma escrita por onde é preciso tatear, adivinhar e sobretudo sentir. Sentir as fragilidades e as roturas dos laços familiares, voltar à infância, acordar dores e saudades, encarar a morte e o vazio consequente, o apego aos objetos, aos lugares outrora partilhados, agarrar esse fio que nos une a quem partiu e permanece testemunho de ligação entre gerações.

Uma leitura que é também um desafio à paciência e determinação do leitor.
Profile Image for Luís.
2,516 reviews1,662 followers
June 4, 2026
The concept of the writer-character in Maria Gabriela Llansol's work, especially in Um beijo dado mais tarde, redefines the traditional rules of fiction. Llansol blends the figure who lives the story with the one who writes it. In her universe, the author rejects the conventional "character." She avoids psychological puppets or mere caricatures. Instead, she uses the term "figure," which refers to a presence defined by relationships within the narrative rather than by inner depth or realism.
Profile Image for Ana Lúcia.
227 reviews
February 2, 2015
Nunca tinha lido Maria Gabriela Llansol. Descobri um estilo muito próprio, diferente, inesperado, criativo e ousado.
Neste livro, a autora monta, desmonta e volta a montar; o processo comunicativo, a leitura, a escrita, a língua, a linguagem…
LER “rompe com as fronteiras do papel e da linguagem verbal, (…) para ganhar o mundo e explorar as infinitas linguagens não-verbais”.
ESCREVER não se restringe ao significado dado pelo dicionário. A escrita é desenhada, plástica e cheia de linguagens visuais, gustativas, olfativas, auditivas, gestuais e táteis.
As relações entre as personagens alicerçaram-se no passado através do aprender a ler, do aprender a escrever, do aprender da língua.
Aprender a “voz de ler” e aprender a “voz de escrever”, dá origem a um novo mundo…no fundo, o único mundo em que vale a pena viver…
Profile Image for diario_de_um_leitor_pjv .
859 reviews168 followers
April 14, 2022
(comentário da releitura de 2020)

A experiência com a língua, a linguagem e a frase é uma presença eterna no mundo fechado e hermético de Maria Gabriela Llansol. A releitura - rápida e marcada por duas insónias - enriqueceu mais uma vez a minha paixão e desejo da obra literária de Llansol. Sendo um caminho difícil é um caminho de paixão.…
Profile Image for Daniel KML.
126 reviews37 followers
December 15, 2022
Llansol faz algo com a escrita que é muito difícil de entender, mas talvez a questão não seja entender, mas sim acessar o que ela mesmo chama de cenas-fulgor: os momentos de desvendamento do sublime no ato de ler e escrever.
Profile Image for Lee.
171 reviews
March 6, 2017
"Cada vez está mais vento, com mutações de sol excessivas para os meus olhos que agora, com o ar, o sol e a cor, se fatigam. Eu explico. Trabalho muito com eles, fixando intensamente um ponto-paisagem antes de começar a escrever; depois, o decurso do texto depende do que essa concentração, num lugar vazio, permite. O olhar atento vai voltando a si mesmo e, então, o que eu consigo ouvir são as ondulações vibratórias entre esses dois pontos. Os meus olhos recebem, num ponto-voraz, as linhas que sustentam o espaço, feixes incidentes paralelos, raios que se afastam progressivamente, termos geométricos.
Lá onde estás, deve ser assim.
Nunca olhes os bordos de um texto. Tens que começar numa palavra. Numa palavra qualquer se conta. Mas, no ponto-voraz, surgem fugazes as imagens. Também lhes chamo figuras. Não ligues excessivamente ao sentido. A maior parte das vezes, é impostura da língua. Vou, finalmente, soletrar-te as imagens deste texto, antes que meus olhos se fatiguem. O milionésimo sentido da voz, "tiro o lápis da mão", o gesto de partir a luz, o pensamento de uma criança, cópias da noite, passeio nocturno, "era um dia verde", o afecto do negro, sob o lenço da noite. O indizível é feito de mim mesma, Gabi, agarrada ao silêncio que elas representam."
Profile Image for Sagu do Mal.
4 reviews2 followers
June 27, 2021
Mesmo não estando à altura do texto, há qualquer coisa de sublime na linguagem de Llansol.
Profile Image for Catarina Alonso.
26 reviews8 followers
July 18, 2019
Posso dizer que este foi o livro mais estranho que já li. Não é um conto, não é poesia, não é um romance, não é narrativa, não é teatro... Não sei o classificar.
É bom e é preciso maturidade e tempo para o entender, o que eu neste momento não tenho.
Li as primeiras 30 páginas e vagueei pelo resto.
Profile Image for Pedro Adão.
43 reviews6 followers
August 10, 2021
Acabo de o ler e pergunto-me se - - numa realidade onde a autoria fosse desconhecida - - não o atribuiria a Vergílio Ferreira. Dentro deste mundo da Gabi escutei Paulo: a casa do Para Sempre mudou-se para a Domingos Sequeira.
Profile Image for Ivete.
18 reviews18 followers
June 25, 2011
eu adorei este livro...

a personagem pretende contar a história mas tem de enfrentar a impostura de língua, até a chegar à conclusão que não deve pensar demasiadamente no sentido das frases.
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