D'alguns me lembrei fallar; outros ficaram na piedosa tristeza da minha memoria não porque as suas lagri mas me pareçam menos dignas de se rem recolhidas, não porque sejam me nos estimados, mas porque quasi nada poderia interessar aos outros a repetiçâo d'essas Singelas historias de vidas simples, monotonamente' eguaes pelo soffrimento.
Intelectual, jornalista, ensaísta, conferencista, feminista e republicana, considerada uma das mais notáveis teóricas dos problemas da emancipação das mulheres foi uma dedicada e incansável lutadora pela igualdade de direitos. Fundadora da literatura infantil em Portugal, (o aspecto vulgarmente mais salientado da sua biografia) com Para as Crianças, uma colecção que iniciou em 1897. Nascida em Mangualde, foi residir para Setúbal, onde casou com Paulino de Oliveira tribuno republicano. Desenvolveu uma intensa actividade em prol dos direitos das mulheres. Fundadora da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, do Grupo de Estudos Feministas e da Cruzada das Mulheres Portuguesas. Dirigiu várias publicações destinadas às mulheres e colaborou com inúmeros artigos, na imprensa, numa linha de actuação, comum à maioria das mulheres republicanas, que privilegiou a educação e a formação de uma opinião pública feminista esclarecida. Realizou conferências e comícios. Foi consultora de Afonso Costa, Ministro da Justiça do Governo Provisório, na elaboração da lei do divórcio.
Ana de Castro Osório escreve vários contos onde a simplicidade da vida (e muita vezes as dificuldades) estão presentes. A escrita é do séc XIX daí ter uma beleza poética e ser um texto muito enriquecido a nível vocabular.
"Recorda-a com tantas particularidades, com tal clareza de incidentes, que me enche de admiração. Coisas passadas há menos tempo não as recorda ela tão nitidamente! Lembra o sinal vincado com a unha na passagem mais interessante dum romance e que de folha para folha se vai conhecendo menos até desaparecer de todo"