Em Maria Erótica e o Clamor do Sexo, do jornalista Gonçalo Júnior, eu já havia conhecido a história da Grafipar, a editora paranaense que ousou "fugir do eixo". Esse eixo seria tanto o eixo Rio-São Paulo, que até hoje concentra a maior produção da cultura do Brasil, que nunca foi descentralizada, como também dos conteúdos da revistas em quadrinhos. A Grafipar produzia outro tipo de histórias em quadrinho, eram revistas principalmente eróticas que desafiavam a censura da ditadura nos anos 1970 e 1980. Contudo, este livro de Gian Danton, consegue dar um outro enfoque para a Grafipar, fazendo paralelo com o de Gonçalo Júnior. Ele dá mais enfoque para os artistas do que para a editora em si. Algo que eu estava procurando também sobre a Grafipar é como ela desenvolveu quadrinhos gays naquela época e consegui encontrar um pouco (pouquinho) aqui, mas já é algo. Este livro também traz depoimentos inéditos do artistas envolvidos com a produção daquelas histórias em quadrinho e traz três exemplos da produção de HQs que eram desenvolvidas naquele período em que a Grafipar existiu, para que o leitor possa entender como eram esses trabalhos.