Valerá a pena prestar atenção a uma obra sobre o estado da arte da inteligência artificial e computação criativa escrita nos anos 80 do século XX? O campo da tecnologia caracteriza-se por evoluções vertiginosas, e a ferramenta de ponta de hoje está condenada ao esqucimento obsoletista do amanhã. Isto, claro, se alinharmos pelas estéticas do deslumbramento com a novidade, talvez o mais recorrente tipo de discurso sobre tecnologia e os seus impactos, entre o otimismo sillycon valley (não, não é erro ortográfico) à apologia da IA generativa.
Este livro surpreende, em duas vertentes. Por um lado, ao falar do estado da arte em 1984 no que respeita à automação e IA, mostra-nos o quanto evoluímos nessas áreas, muito por causa de novas técnicas de IA (aprendizagem mecânica) que colocaram de parte técnicas menos eficiantes, como a programaçáo prévia de decisões e possibilidades. Se bem que esse tipo de desenvolvimento é aboradado no livro, precisamente ao falar da complexidade excessiva desse tipo de abordagens.
Por outro lado, reparamos que há questóes que são estruturais nestas tecnologias. Questóes sobre impactos sociais, culturais e económicos, que hoje debatemos como se fossem novidade, já o eram antes. É revelador de uma certa miopia cultural das estéticas de deslumbramento tecnológico. No que respeita à questão que me levou a pegar neste livro, a ligação entre computação e criatividade, logo desde início que a posição assumida é a de que há uma ligação forte entre estas áreas, assumindo o computador não como uma mera máquina de manipulação de dados, mas através desta manipulação, um sistema de produção de novo conhecimento.
Na aplicaçáo ao domínio mais artístico que conotamos com a ideia de criatividade, o livro mostra-nos projetos, à época a ponta de lança da exploração da criatividade digital, que criaram as bases de aplicações que hoje consideramos novidade, deste a inteligência artificial generativa aos metaversos. É refrescante ler sobre projetos de criação artística com sistemas hoje vistos como primitivos de inteligência artificial, a procura por algoritmos de arte generativa, o desenvolvimento de imagens de síntese que veio da origem ao realismo nosso contemporâneo da modelação 3D, ou a criaçao de ambientes virtuais tridimensionais com interação (o que chamaos hoje de realidade virtual ou metaverso).
Mostra que esta questão da criatividade computacional já levava a trabalho, pesquisa e experimentação desde a segunda metade do século XX. E que a ambiguidade das respostas, a intuição da possibilidade de criatividade a partir do que são sistemas mecânicos, ou programados, mas cujos resultados excedem os limites conceptuais da mecanização ou programação, também já era sentida nos anos 80. Ou seja, a discussão acesa que temos hoje, sobre se as produções da IA Generativa podem ser consideradas criativas ou não, já existiam muito antes dos correntes desenvolvimentos em IA.
Há achados de alfarrabista que são fortuitos, e quando mergulhei na pilha de livros não imaginava que saísse de lá com uma leitura tão provocatória. Lida décadas depois do seu período de máxima relevância, percebe-se como documento histórico, documentando um estado da arte já passado nos domínios da tecnologia. Mas continua atual nas questões levantadas, mostrando o quão estruturais são quando se reflete nos impactos sociais e culturais da tencnologia computacional.
This review refers to the Knowledge Machine edition, which appears to be essentially the same book published under a different title.
I found out about this book thanks to a tweet in which it was mentioned. As both a professional and an enthusiast of Artificial Intelligence, it immediately caught my attention and after reading a couple of paragraphs I knew it would be a valuable read.
I can affirm that this book provides a broader, richer and more articulate view on this topic than most of the books published during the following 40 years. Many of its questions remain relevant, and things that once seemed unsolvable are now finally becoming possible with LLMs.
What impressed me most is that the book treats AI not merely as automation, but as a tool for refining, organizing and expanding human knowledge and creativity.
Being saturated with webinars, whitepapers and research presenting AI either as the panacea or as a universal threat, this reading felt refreshing. The information is presented in an objective, organized and intelligent way. The authors make a general introduction to the field, but I particularly enjoyed the section in which they discuss AI and art, which feels remarkably relevant to today’s conversations.
In summary, any professional in the AI community — or anyone truly interested in the subject — should give this book a try. It is probably worth more than hundreds of urgent news articles, perishable newsletters or technological fashions that last a week.
Favorite quotes
“If a machine is expected to be infallible, it cannot also be intelligent.”
“Knowledge is a special form in which information can be packaged so that it can be stored, retrieved, and understood by the human brain.”
“Technologies constrain their users. The more powerfully a technology serves its designed-in purpose, the more the individual is constrained by its use.”
“When dealing with complexity, the lazy way is the best way.”
“The fact that a machine appears to be able to converse impresses lay people more than practically anything else in computer technology.”
“Fears of deskilling can be balanced against the fact that it is normally not humanly possible to have all the skills that ideally one needs.”
“My hope is to produce things as interesting as trees or pebbles or old bits of wood.”
“The White Queen admonished Alice to believe six impossible things every day before breakfast.”