Na contracorrente dos protofascismos emergentes, Pensar Nagô é um convite ao encontro transcultural e não violento entre modos diversos de crer, existir e pensar. Muniz Sodré formula aqui a hipótese de uma filosofia que começa na cozinha da casa em vez de nos desvãos celestes da metafísica. Esta é a perspectiva de um modo afro, de uma forma intensiva de existência com processos filosóficos próprios. Afro designa a especificidade de processos que assinalam tanto diferenças quanto possíveis analogias para com os modos europeus. Buscando descolonizar o pensamento, Pensar Nagô é um novo lance de abertura no xadrez dos estudos brasileiros.
Não é um livro fácil - o autor cita filósofos que vão desde gregos da Antiguidade até pensadores contemporâneos. Mesmo com formação em Filosofia, tive de ler com muita calma e, certamente, eu precisaria de mais algumas leituras para realmente compreender algumas passagens. Mas a ideia é exatamente mostrar como o pensamento nagô insere-se, com suas especificidades e originalidade, na história da filosofia, basicamente ainda vista no meio acadêmico como uma história do pensamento europeu. É um livro muito interessante, apesar de, para mim, a leitura ter sido bastante truncada em alguns pontos. E muito importante também, para pararmos de ver como filosófico apenas o pensamento da Europa ou (atualmente) da América do Norte.