A história de uma grande paixão em tempo de guerra.
Quem sabe se a vida do capitão Afonso Brandão teria sido totalmente diferente se, naquela noite fria e húmida de 1917, não se tivesse apaixonado por uma bela francesa de olhos verdes e palavras meigas. O oficial do exército português estava nas trincheiras da Flandres, em plena carnificina da I Guerra Mundial, quando viu o seu amor testado pela mais dura das provas. Em segredo, o Alto Comando alemão preparava um ataque decisivo, uma ofensiva tão devastadora que lhe permitiria vencer a guerra num só golpe, e tencionava quebrar a linha de defesa dos aliados num pequeno sector do vale do Lys. O sítio onde estavam os portugueses. Tendo como pano de fundo o cenário trágico da participação de Portugal na Grande Guerra, A Filha do Capitão traz-nos a comovente história de uma paixão impossível e, num ritmo vivo e empolgante, assinala o regresso do grande romance às letras portuguesas.
O Capitão Afonso Brandão mudou a sua vida quase sem o saber, numa fria noite de boleto, ao prender o olhar numa bela francesa de olhos verdes e voz de mel. O oficial comandava uma companhia da Brigada do Minho e estava havia apenas dois meses nas trincheiras da Flandres quando, durante o período de descanso, decidiu ir pernoitar a um castelo perto de Armentières. Conheceu aí uma deslumbrante baronesa e entre eles nasceu uma atracção irresistível. Mas o seu amor iria enfrentar um duro teste. O Alto Comando alemão, reunido em segredo em Mons, decidiu que chegara a hora de lançar a grande ofensiva para derrotar os aliados e ganhar a guerra, e escolheu o vale do Lys como palco do ataque final. À sua espera, ignorando o terrível cataclismo prestes a desabar sobre si, estava o Corpo Expedicionário Português.
Decorrendo durante a odisseia trágica da participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial, A Filha do Capitão conta-nos a inesquecível aventura de um punhado de soldados nas trincheiras da Flandres e traz-nos uma paixão impossível entre um oficial português e uma bonita francesa. Mais do que uma simples história de amor, esta é uma comovente narrativa sobre a amizade, mas também sobre a vida e sobre a morte, sobre Deus e a condição humana, a arte e a ciência, o acaso e o destino.
José Rodrigues dos Santos is the bestselling novelist in Portugal. He is the author of five essays and eight novels, including Portuguese blockbusters Codex 632, which sold 192 000 copies, The Einstein Enigma, 178 000 copies, The Seventh Seal, 190 000 copies, and The Wrath of God, 176 000 copies. His overall sales are above one million books, astonishing figures considering Portugal’s tiny market.
José’s fiction is published or is about to be published in 17 languages. His novel The Wrath of God won the 2009 Porto Literary Club Award and his other novel Codex 632 was longlisted for the 2010 IMPAC Dublin Literary Award.
His first novel, The Island of Darkness, is in the process of being adapted for cinema by one of Portugal’s leading film directors, Leonel Vieira.
José is also a journalist and a university lecturer. He works for Portuguese public television, where he presents RTP’s Evening News. As a reporter he has covered wars around the globe, including Angola, East Timor, South Africa, the Israeli-Palestinian conflict, Iraq, Bosnia, Serbia, Lebanon and Georgia. He has been awarded three times by CNN for his reporting and twice by the Portuguese Press Club.
José teaches journalism at Lisbon’s New University and has a Ph. D. on war reporting.
Estive várias vezes prestes a abandonar a leitura deste livro. Apesar de todo o mérito jornalístico qe possa ter, julgo que o JRS não é um bom escritor de romances: não é selectivo, quer meter tudo e mais alguma coisa na história e a escrita torna-se aborrecida e pouco fluida. Passagens como a descrição da ida da família do Afonso a Lisboa, com a enumeração de todas (todas!) as lojas do Rossio, e a descrição da Exposição Universal de Paris, com todos os pavilhões, cantos e recantos, contam-se entre as que quase me fizeram desistir. Alguma informação chega mesmo a parecer metida à força na narrativa e há diálogos pouco convincentes, nomeadamente aqueles entre o capitão e a Agnès, em que alternadamente usa expressões para se dirigir a ela como "minha fofa" e "ó filha". O final da história também é um pouco desconsolador e pouco convincente. Por outro lado, ee apesar do excesso acima referido, gostei de muita da informação histórica que o livro contem, que basicamente foi o que me animou a ler o livro até ao final, embora a partir do meio, tenha lido muitas passagens "em diagonal"...
Fiquei um bocado desiluida com este livro. Era o que me faltava ler e como todas as pessoas diziam que era o melhor, criei muita expectativa. Achei demasiado pormenorizado todas as situações de guerra, o que me fez andar com muita página para a frente...o que não é meu hábito. Sendo assim, foi dos romances do JRS que menos me marcou...
Adorei. É um livro emocionante e bem documentado. E aprendi muita coisa acerca da participação portuguesa na Grande Guerra, um tema que me era quase desconhecido.
O livro combina noções de filosofia facilmente digeríveis pelas pessoas que não gostamos dessa ciência, momentos divertidos que arrancam um sorriso, momentos muito tristes que humedecem os olhos, notícias interessantes acerca da surpresa que provocavam os avanços tecnológicos da época... As cenas de sexo são comunicadas de forma bastante frontal, sem pudores ridículos que com frequência só conseguem irritar-me como leitor (se o autor não tem jeitinho para isso, por que não contorna o tema? Não poderia falar melhor de mil e uma outras coisas?).
Estamos perante uma excelente obra que alia a vertente do romance com a dos factos históricos. Neste caso, JRS dá-nos a conhecer, de uma forma cativante, o enquadramento histórico de Portugal no período da Grande Guerra. As condições de vida, a política nacional, as decisões que levaram a criar e enviar o Corpo Expedicionário Português para combater na guerra, assim como as condições dos soldados nas trincheiras da Flandres. Um romance muito envolvente e marcante, capaz de apaixonar qualquer leitor. Recomendo vivamente a quem quiser aprender um pouco mais sobre o Portugal do início do século, ou sobre a participação portuguesa na 1ª Guerra Mundial.
Esta obra é uma ilustre representação da participação portuguesa na 1ª Guerra Mundial. Um romance histórico credível, que facilmente ambienta o leitor na época descrita. Mais ainda, é uma estória de um amor condenado pelo tempo de guerra.
Apesar de por vezes demasiado descritivo, a escrita de José Rodrigues dos Santos é fluída e equilibrada, alternando entre a fundamentação histórica e um excelente desenvolvimento das personagens. O autor caracteriza muito bem o nosso país no final do século XIX e início do século XX: a pobreza das zonas rurais, a influência da religião católica, o surgimento do primeiro automóvel, entre outros detalhes históricos que iluminam esta obra.
Acima de tudo, considero este livro uma grande homenagem aos soldados portugueses que lutaram nas trincheiras de Flandres. Os detalhes com que o autor caracteriza este ambiente bélico comovem profundamente, não tanto pela estória de amor condicionada pelas circunstâncias, mas principalmente pela camaradagem entre os soldados. Gente humilde, pobre, atirada para um conflito que não pediram, que não queriam defender, continuamente enganados por promessas vãs de licenças ou reforços que nunca chegaram. Este sim é o coração desta obra: personagens credíveis que mesmo perante a maior miséria encontram a amizade e o humor uns nos outros.
José Rodrigues dos Santos deixou-me muito impressionada com a sua escrita envolvente e repleta de substância. Este é, irrefutavelmente, um romance histórico brilhante.
Quase que podia ser um grande livro. JRS ainda inexperiente, às vezes sem perceber se é jornalista ou escritor. Podia ter seguido um caminho interessante, depois resolveu ser o Dan Brown português...
Desde que me lembro que tenho curiosidade para ler José Rodrigues dos Santos, com destaque para a sua série de livros protagonizada por Tomás Noronha. Quando surgiu a oportunidade de ler este livro (uma pessoa conhecida emprestou-me o seu exemplar), eu aceitei. Era um obra muito bem comentada e já me tinha sido recomendada por alguns bloggers.
E, após 634 páginas, eis a conclusão a que chego: Este livro não é para mim.
Eis as razões:
Afonso Brandão nasceu numa família pobre e humilde, sendo o filho mais novo de seis irmãos e o único privilegiado com uma boa educação e bons estudos. Começou numa escola primária portuguesa, mas desistiu, como tantos outros jovens da sua época, para puder começar a contribuir para o sustento da casa, sendo-lhe mais tarde oferecida a oportunidade de estudar no seminário e, posteriormente, na Escola do Exército, tendo já ascendido a capitão na altura da entrada de Portugal na Grande Guerra. Em França, conhecerá Agnès Chevallier, uma bela baronesa com quem viverá um grande amor.
Já que não sei muito bem o meu rumo nesta minha opinião meia-incerta, começo por falar da escrita, que é quase sempre aquela que nos oferece a nossa primeira impressão quando começamos uma leitura. Logo nas primeira páginas que ela me desagradou - não gostava da maneira como a história era narrada nem me cativava muito por aí além. Ao longo dos capítulos, no entanto, fui percebendo melhor porquê: a escrita de um livro é muito importante para mim, necessito de gerar uma ligação com ela e esta insistia em empurrar-me para trás. Fugia de mim, não estava interessada em agradar-me; falava-me num tom tão formal que depressa percebi que ela não estava minimamente preocupada em criar laços comigo. Falo por mim, talvez ela tenha sido mais acessível convosco, mas não simpatizou comigo e assim continuou ao longo das páginas, carrancuda e sem vontade de me aturar. Isso acabou por gerar uma indiferença da minha parte e lá de vês em quando ela decidia chamar-me à atenção com descrições que me faziam revirar os olhos. Destaco a cenas mais picantes que não me agradaram minimamente - a cada comparação, a cada personificação, a cada hipérbole lá eu fazia cara feia e despachava as linhas e o parágrafo, esperando que a próxima cena não aparecesse tão cedo. Senti-me tão distante do autor. Não por este ser um livro narrado na 3.ª pessoa, mas porque tive a sensação de que ele tinha medo de falar comigo. Tão ausente quando podia ser presente estando ausente ou ausente estando presente. Já contava dois - a escrita e o narrador - que não iam com a minha cara por nada deste mundo.
E depois temos o romance, que foi a maior desilusão deste livro. Não gostei. Não me senti ligada. Não torci por eles ou me senti comovida por todas as dificuldade que tiveram que ultrapassar. Nunca, antes sequer de os protagonistas se conhecerem, me tinha conseguido ligar a uma personagem em particular. Não me intrigavam, não me interessavam. Quando o romance começou, não o senti. Começou por haver uma atração física entre os intervenientes e, quase num piscar de olhos e sem eu ter essa perceção, tornou-se amor. Não percebi (sinceramente não percebi) quando, como, ou por que é que as personagens se apaixonaram. É verdade que, quando se trata de amor, não há um quando, um como ou um porquê, mas não senti nenhuma ligação entre eles. Não decifrei a origem desse afeto, desse relacionamento sentimental e não somente físico. Muito menos fui capaz de imaginar Agnès no papel de uma elegante baronesa vestida com elegância e toda ela elegância, charme e glamour. Começou por ser Agnès, doce e delicada como uma flor, transformou-se numa requintada dama e, após se envolver com Afonso, voltou a ser Agnès, carinhosa, frágil e nada dominante, e esta mudança fez-me confusão. Não gostei dela. Não simpatizei com ela. E os "momentos amorosos" foram tão lamechas que não revirar os olhos era quase impossível.
Relacionado com o cenário e o tempo histórico deste livro - França durante a 1.ª Guerra Mundial: nota-se que o autor teve um enorme trabalho de pesquisa, mas eu dispensava a maior parte da informação. Informação sobre guerra, ataques, defesas, ofensivas (seja lá o que isso for) que não compreendi nem interiorizei, porque, lá está, não compreendi nem metade. E bem... guerra é guerra e guerra cansa. No entanto, mais do que cansar, enerva-me, por ser tão ridícula, tão desprovida de sentido. Expliquem-me o seu propósito, comentem a minha opinião: O que é a guerra senão um jogo, uma aposta? «Olha, eu quero as tuas colónias lá em África. Fazemos assim: eu pego em alemães, tu pegas em portugueses e pomo-os a matarem-se uns aos outros e, quem ficar para último, fica com Angola, que tal?». Porque é que desconhecidos que nunca fizeram mal uns aos outros se hão-de matar sem motivo? Porque a maldita da nação precisa de se sentir mais importante? Eu até entendo a intervenção militar em algumas situações mais extremas, mas, digam-me, de que valeu tudo isto a milhares de crianças órfãs, milhares de mulheres viúvas, milhares de lágrimas de mães chorosas? Umas malditas colónias que viriam a ganhar independência seis décadas mais tarde - que, aliás, mereciam a independência desde o início? Se tiver que apontar uma qualidade desta obra, escolho o facto de me ter feito, em alguns poucos momentos, experienciar as lutas dos nossos soldados, dos nossos guerreiros, que lutaram até o fim, contra as condições mais adversas e custa-me que as suas vidas tenham sido sacrificadas num maldito jogo. Qual Jogos da Fome qual quê, quando temos a nossa história manchada de conflitos armados entre nações com objetivos políticos que no fim só prejudicam a situação social e económica dos países? Sim, os Jogos da Fome são uma coisa horrenda, mas, enquanto o Capitólio tira a vida a 23 jovens todos os anos, milhares de outros, na vida real, perderam o pai, o irmão, o avô. Estariam os dois na mesma posição (pois os números não podem classificar a dor) se o mundo criado por Suzanne Collins fosse real. Viver as lutas de Matias Grande, Baltazar Velho, Vicente Manápulas e Abel Lingrinhas só revoltou ainda mais a minha alma. Destaco sobretudo o primeiro - ensinou-me grandes lições sobre a vida e foi o único a única personagem por quem senti algum afeto e que me conseguiu comover, embora não o suficiente. Não sofri com as perdas, porque não entrei na história. Nem sempre estive na pele destes homens, porque eram raras as cenas que achei que mereciam a minha atenção. Só lá mais para o final consegui sentir alguma emoção.
Um título diz muito sobre a história, dá-lhe mais significado - uma história sem título é uma história sem alma - mas este não é um desses casos. A existência de uma filha, ainda por cima com tão pouca importância, não é razão para chamar a este livro A Filha do Capitão.
Relendo a minha opinião, vejo que a escrevi num tom mais amargo do que gostaria, embora não tenha sentido quaisquer rancores por esta obra. Não foi uma leitura má. Simplesmente, há livros que não foram feitos para nós, que não nos agarram como parecem agarrar a maioria, que não nos convencem como convenceram a maioria. A escrita não me convenceu, o romance não me convenceu e a guerra revolta-me. Não vou querer ler sobre este tema nos próximos tempos. Mas ainda sou capaz de me aventurar por outras obras do autor - mas, definitivamente, não os romances.
À excepção da falta de algumas notas que esclarecessem algumas expressões idiomáticas (o que pode ser contornado com o uso de um dicionário), este livro revelou-se encantador.
Desde às descrições da Exposição Universal de Paris, à Lisboa oitocentista e à Primeira Grande Guerra, propriamente dita, tudo nos introduz num mundo primeiro, prometedor, depois, catastrófico mas com um fundo de esperança.
A linguagem, excepto na dificuldade já referida, é extremamente acessível o que torna a leitura mais rápida e voraz, ainda que se note a falta de alguns «clichés» literários próprios das ditas obras-primas clássicas.
A descrição da guerra é nua e crua: enquanto os soldados chafurdam na mais completa miséria, os oficiais debatem-se com o conforto de lençóis das casas ricas onde pernoitam...
Apesar de tudo que nos possa desesperançar quanto à raça humana, existem sempre exemplos de que nem tudo está perdido e de o amor e a amizade por perdurar para além da morte.
Actualização 23/Maio/2016: Tendo em conta as inúmeras leituras posteriormente realizadas e qualitativamente melhores, decidi descer esta pontuação para as 3 estrelas.
Afonso Brandão teve a sorte de aprender a ler com o padre de Rio Maior, a sorte de ir estudar num seminário de Braga e de terminar os estudos no Exército. Sorte decidida por Isilda, mãe de uma paixoneta de Afonso, Carolina. Isilda não queria que a sua filha casasse com alguém sem estudos e por isso fez esforços para graduar Afonso e mantê-lo longe de Carolina. Mas em 1916 Portugal é chamado a defender os Aliados em França e Afonso vai para a guerra como Capitão e é aí que conhece Agnés, a estudante de medicina que lhe ensina o que é amar.
De todos os livros que li de JRS dei-lhes 5 estrelas e este não é exceção. É tão bom, mas tão bom! Aquilo que mais aprecio na escrita do autor é que mistura factos reais a factos fictícios. Todas as suas obras são previamente estudadas com a ajuda de manuais e todo o tipo de material que lhe possam tornar a narrativa o mais aproximada da realidade possível. E é isso que tanto adoro, porque sei que quando pego num livro dele vou aprender muito e que será sem dúvida enriquecedor. Do 5º ano ao 9º ano na escola, anos em que tive disciplina de história, só tive um professor que conseguiu motivar a turma a gostar e a interessar-se por história. Sempre gostei daquele bichinho de conhecer mais e mais, mas a Matemática sempre foi a menina dos meus olhos. O que quero dizer com isto é que pouca coisa ficou retida de todas as aulas de história que tive, por culpa de professores e minha também. Pouco ou nada sabia da presença de Portugal na Primeira Guerra Mundial e foi com imenso agrado que finalmente soube como tudo se passou através desta obra ficcionada. Agora consigo perceber o porquê da imagem que Portugal por vezes tem lá fora. Somos ridicularizados e poucos nos dão valor. Fomos para a guerra sem organização e pouco motivados. Ainda o país estava a lutar pela República quando tivemos de ir defender Inglaterra na guerra. Lisboa pouco queria saber dos soldados a defender a nossa reputação. Mas foram heróis que lá estiveram! Mesmo mal preparados lutaram e fizeram o que puderam por nós.
Tenho muito para dizer, mas o mais importante é que recomendo muito!
Já li quase todos os livros deste autor mas ainda não tinha lido este, que penso ter sido o 1º publicado por ele. Um livro sem Tomás Noronha é sem duvida uma lufada de ar fresco e gostei bastante deste livro. Como habitualmente acho que se perde um pouco nas descrições das situações histórias mas provavelmente isso é deformação profissinal por ser jornalista. Recomendo a quem ainda não o leu
É de longe um livro como não lia há muito tempo. Muitíssimo bem escrito, com uma história de amor simples e bonita, muito ao estilo de Eça de Queirós. O que mais me surpreendeu neste livro foi a envolvente histórica, a descrição quase perfeita de uma época, de costumes e mentalidades, como se o autor tivesse vivido nos fins do Séc. XIX, inícios do Séc. XX. Seria de esperar que tanto pormenor sobre a época em questão, que tanta descrição de factos históricos tornassem o livro maçador mas, isso não acontece. Antes pelo contrário, os factos são de tal forma integrados na ficção que tudo se conjuga de forma perfeita. Aprendi imenso sobre a história de Portugal, sobre a Instauração da República e da participação de Portugal na 1ª Guerra Mundial. O porquê de termos entrado na guerra, a falta de condições dadas aos soldados, o quase abandono a que foram votados. Acho que é um livro que só poderá ser inteiramente compreendido por nós, portugueses, por vivermos diariamente num pais cheio de contradições e por vezes tão ingrato para quem o defende. Ao ler o livro, identificamo-nos muito com as personagens portuguesas, com as suas frustrações, desesperos e desejos porque, embora tenham passado tantos anos, não somos assim tão diferentes como povo. A sensação com que fiquei depois de acabar de o ler é que, é definitivamente um livro escrito por um português, sobre Portugal, porque ficamos com a sensação que os nossos avós poderiam ser uma das personagens do livro. As expressões usadas pelos soldados da Brigada do Minho, reforçam ainda mais essa sensação, são hilariantes!
Uma leitura agradável, com uma história de amor que cobre os anos 20, em Portugal e França. A história de Afonso e da francesa Agnès Chevallier pode muito bem tornar-se numa adaptação para cinema.
Um romance histórico em que as histórias de vida de duas personagens de interligam. Gostei muito do romance, mais do que os outros livros como o codex. É incrível a parte histórica com os pormenores e a participação de Portugal na 1a guerra. Confesso que gostei mais no inicio, a parte da descrição da guerra, para mim, foi demasiado extensa e a história parecia não avançar. De qualquer forma, é um bom livro histórico.
Bem escrito, com uma história interessante é um romance que nos faz lembrar os clássicos Os Maias ou Ana Karenina.
A Filha do Capitão narra a história de duas personagens que se cruzam num cenário imprevisível. Afonso Brandão é o sexto filho de Rafael e Mariana, uma típica família ribatejana, nascido em 1890. Um ano depois, em França, nascia Agnés Chevallier, no seio de uma família aristocrata.
Afonso faz os seus estudos num seminário, em Braga, afastado da família, até ingressar na vida militar, que o levará a combater nas trincheiras francesas, durante a Primeira Guerra Mundial, enquanto Capitão Afonso. E é em terras francesas, durante a guerra, que conhece uma deslumbrante baronesa. Desse encontro nasce uma atracção irresistível, um amor proibido entre o oficial português e a deslumbrante francesa.
Será capaz de um amor sobreviver à guerra? Como lidar com o desespero, com a solidão, com a ausência de quem se ama, ou das suas palavras?
Uma história de amor, mas também um relato histórico da época, onde vida e morte, sagrado e profano, arte e ciência, acaso e destino se cruzam a cada página.
As I said when I was writing the review of José Rodrigues dos Santos' first book ("A Ilha das Trevas") although I had read several of his book through the years, I have recently decided that I would read them all in the same chronological order they were published. This book is an excellent window through which the reader can feel transported into early 20th. Century, in Portugal and in France... The childhood of the two main characters who will only meet years later, is relevant to give the reader some feedback on each one's culture and upbringing, at the same time as the Author shows good knowledge of the main societal and historic atmosphere of each country. Later, all the detailed description of the war in the trenches are quite realistic and informative. But mostly, it is a moving book about the life of a young man who later finds out that most of his life was laid down to him by others. His self questioning about God and Life, Destiny and Free Will, are a form of restlessness that is common heritage of all Humanity.
I loved the book and think it deserves attentive reading.
Absolutamente fascinante, nem sei se existem palavras para descrever tal apaixonante narrativa. Uma ternura comovente. Um romance com um brilhante enredo, uma brilhante história e uma brilhante descrição do ambiente dos soldados portugueses que combateram nas trincheiras na Primeira Grande Guerra. Enfim, tudo brilhante. Após a leitura é impensável não pensar no mundo de outra forma, visto que a história nos remete para a imensa fragilidade da condição humana e o esforço dos soldados portugueses para vencerem essa fragilidade é notável. Uma reflexão sobre a vida e a morte, o amor e as opções tomadas na vida. Aconselho vivamente este estrondoso romance de José Rodrigues dos Santos, vale a pena em todos os sentidos ler a obra. Sem palavras.
Este foi o primeiro livro que li em que o cenário era a 1ª Guerra e a participação portuguesa.
Gostei imenso dos cenários e das descrições sobre o Portugal da época. A história do capitão e do seu amor pela francesa também me cativou pelo realismo que o JRS lhes deu.
Recomendo a todos. Mesmos àqueles que não são fãs de romances históricos. Vale mesmo apena!
É um pageturner, mas com déjà vu em cada página. Há quem goste do estilo, porque os livros saem como latas de atum nos supermercados, mas não fica nada na retina.
Este GRANDE ROMANCE procura reproduzir factos históricos ocorridos na Flandres entre 1917 e 1918. As personagens são fictícias, no entanto, os acontecimentos e episódios por eles vividos aconteceram. Há 3 anos, Feira do Livro de Lisboa, tive o prazer e a felicidade de conhecer e estar à conversa cerca de 10 min. com José Rodrigues dos Santos. Assim e aproveitando a sua enorme simpatia e disponibilidade, coloquei-lhe algumas questões sobre o livro, questões essas que me elucidaram sobre alguns dos factos e que originaram um deslumbramento ainda maior por este magnífico romance. Nesta opinião tentarei então abordar a obra segundo as minhas percepções e também segundo aquilo que me foi transmitido pelo próprio autor do livro: José Rodrigues dos Santos. O livro tem o seu início temporal em 1890, ano do nascimento de Afonso Brandão, personagem principal da obra. De origem humilde mas com uma inteligência e curiosidade apurada, é-nos relatada a vida pobre daquela humilde família de seis filhos no meio ribatejano. Nessa mesma altura em Lille, França, nasce Agnés de Chevallier, filha de um abastado enólogo e comerciante de vinhos. Nascida em berço de ouro, Agnés tem de tudo. Uma educação esmerada, dinheiro, comida da melhor, acesso à cultura e inclusive chega a visitar em 1900 a Exposição Universal de Paris onde sobe, diliciada, a Torre Eifiel. Aqui Rodrigues dos Santos mostra-nos bem a diferença que havia entre o interior francês e o português, universos muito distantes, completamente opostos. Ao mesmo tempos aproveita para descrever a célebre exposição de Paris. Nos primeiros capítulos acompanhamos assim a infância de Afonso e Agnés, sendo fácil de adivinhar que, mais tarde ou mais cedo, as vidas deles se vão interligar. De salientar que o facto de o livro começar em 1890 não ter sido por acaso. Rodrigues dos Santos pretendeu narrar alguns dos factos que surgem por essa altura e que tanta importância irão ter no futuro. É assim descrito a vinda a Lisboa da família de Afonso e o fascínio que demonstram pela cidade e pelas novidades, algumas delas demasiado futuristas. De notar o pormenor de eles andarem descalços e de ficarem admirados por verem as pessoas no Rocio (Rossio) a passearem-se calçados. Curioso também a descrição do surgimento do futebol enquanto jogo do povo em Portugal e dos primeiros jogos entre o Carcavelos e o Fotball Club Lisbonense, desporto esse que, para além de rivalizar já com a tourada, adquiria, para essa gente do Ribatejo, o nome de fubôu. Curioso também ser nessa altura que surgem as “fotografias vivas” passadas no Real Colyseu e no Teatro D. Amélia, que era nada mais nada menos que exibições do animatógrafo, logo os primórdios do cinema. E mais, o livro está cheio de curiosidades históricas. Quando Afonso atinge os 14, 15 anos (1904-1905), começam-se a dar em Portugal acontecimentos que irão ficar gravados num lugar de destaque da nossa História. E aqui Rodrigues dos Santos é exímio na narração desses acontecimentos, conseguindo interligar as personagens, a história do livro com os factos históricos. O assassinato do rei D. Carlos e do seu filho, o príncipe D. Luiz Filipe no dia 1 de Fevereiro de 1910 em plena Praça do Commércio. Os tempos agitados que se seguiram até à implantação da república no dia 5 de Outubro de 1910. Acreditem, é empolgante, delicioso, excepcional. Até que numa manhã de Agosto de 1914, já Afonso era tenente num quartel em Braga, inicia-se um novo capítulo do romance e o seu principal motivo de interesse A Grande Guerra. Devido a interesses que envolvia um acordo secreto entre a Alemanha e a Inglaterra, acordo esse que definia em segredo as possessões ultramarinas portuguesas, o governo português apercebeu-se que a sua velha aliada estava a fazer jogo duplo. Por outro lado, a aproximação anglo-espanhola e a frieza com que os dois países, ambos monárquicos, viam a implantação da república em Portugal, indiciavam que a Inglaterra fecharia os olhos a uma possível anexação de Portugal por parte da Espanha, chegando mesmo o governo britânico a avisar o governo português que as obrigação da aliança Portugal-Inglaterra visava apenas a garantia da defesa da costa marítima e não das fronteiras terrestres… Assim e devido a todos esses acordos que punham em perigo a nossa integridade e independência, o governo português não teve outra alternativa do que provocar a Alemanha no sentido de esta nos declarar guerra, para assim tomarmos a posição das forças aliadas e podermos ocupar a mesa das negociações no pós-guerra, defendendo assim as colónias e as fronteiras do continente e ilhas. Para quem quiser saber mais sobre estes jogos, aconselho a leitura de “Crónicas de Guerra” do mesmo autor. É então que em Abril de 1917, o Corpo Expedicionário Português (CEP), composto por algumas dezenas de batalhões, é enviado para a frente de combate, as temíveis trincheiras da Flandres. Como comandante da Infantaria 8 ia o tenente Afonso Brandão. Começa nessa altura a terrível odisseia de milhares de homens que, praticamente sem qualquer tipo de treino militar, se vêm nas trincheiras atolados em “merda”, em condições sub-humanas, a servirem, literalmente, de carne para canhão. Estes acontecimentos são assim o grande objectivo de Rodrigues dos Santos. Narra episódios reais da estadia do CEP nas trincheiras que se estendiam por Fauquissart, Neuve Chapelle e Ferme du Bois. E é angustiante ler as terríveis provações que os nossos soldados passaram. Eles foram enviados para as trincheiras simplesmente para morrerem, porque quantas mais baixas houvessem, mais apreciado era Portugal pela comunidade internacional. O governo de Lisboa não tinha qualquer interesse e consideração pelas tropas. A partir do momento que chegavam a França, o contigente português jamais era substituído e o regresso dos soldados apenas se dava em sacos mortuários, quando havia alguma coisa para colocar nesses sacos… ”ai minha rica mãezinha, não me deixem morrer!” Afirmava m homem cujo rosto era uma massa ensanguentada... Um retracto do inferno. As outras tropas aliadas e alemãs eram substituídas regularmente, os portugueses mantinham-se nas suas posições até morrer, definhando, apodrecendo atolados em lama tendo por companhia o zunir das balas e as ratazanas. Passaram fome e frio, andavam rotos com fardas fornecidas pelo exército britânico, logo, grandes para os soldados portugueses. Ao mesmo tempo a maior parte dos oficiais, que estavam contra a guerra, faziam de tudo para se afastarem da frente, inclusivamente até se faziam de doentes para serem enviados para Lisboa, ficando o CEP quase sem oficiais. Por isso imaginem o moral das praças, homens simples, a maior parte deles analfabetos que passavam o dia na lama, a cheirar e a pressentir a morte, vendo os oficiais fugir como as ratazanas que lhes passavam por cima. Mas a fé mantinha-se, a coragem e os sonhos faziam com que aqueles homens acreditassem que o seu esforço tinha um objectivo e que o dia do regresso a casa estaria para breve… É neste contexto que José Rodrigues dos Santos nos dá uma verdadeira aula de História de Portugal na Grande Guerra e do enorme e heróico esforço que os nossos soldados realizaram. Quanto a mim o romance vale por isso. Mas a história continua com Afonso e Agnés até ao seu encontro… Que posso dizer mais sobre este soberbo, fenomenal, excepcional e grandioso romance? Antes de mais asseguro que é dos melhores livros de sempre da literatura portuguesa. Depois, fez-me sentir muito orgulhoso dos meus compatriotas que lutaram tão heroicamente naquela guerra. Deliciei-me igualmente com a escrita fluida e com a forma narrativa de Rodrigues dos Santos. A descrição da ofensiva alemão em Abril de 1918 ao contigente português (La Lys) é terrivelmente real e angustiante. Está tão bem descrito que parece que ouvimos o troar dos canhões, o matraquear das metralhadoras, o zunir das granadas e das balas, os gritos de raiva, medo e angustia de milhares de soldados que lutavam por uma nação e pela sua vida. La Lys foi um episódio marcante da nossa história e este livro presta homenagem a todos aqueles que lá combateram. Segundo o autor, um dos objectivos do livro é precisamente o de exorcizar velhos fantasmas, o de prestar homenagem ao Corpo Expedicionário Português e a milhares de homens que tão garbosamente combateram nas trincheiras da Flandres. A história de Afonso e Agnés passa assim para segundo plano. Não que Rodrigues dos Santos o tenha feito premeditadamente, não! A história está sempre presente e é narrada como tema principal, sendo a guerra o pano de fundo, mas sei que o valor do livro está nos factos históricos. Não pretendo alongar-me mais, no entanto este é daqueles livros que gostaria de escrever, escrever, sem, contudo, conseguir expressar o enorme fascínio que o mesmo me provocou. Com ele percebi o porquê do desastre português em La Lys e do sofrimento de todos aqueles homens que lutaram por uma causa que desconheciam. Foi um romance que me comoveu imenso. Em três, quatro ocasiões, tive que fechar o livro porque simplesmente a comoção era enorme. Foi também, e que me lembre, o único livro em que depois de lida a última página, voltei à primeira. ”Sabe meu capitão, descobri que o mais duro não é fazer guerra, o mais difícil é sobreviver a ela, é viver com ela depois de ter vivido nela, percebe o que quero dizer?”. E esta deixou-me de rastos: ”Marianne ficou a estudá-lo, hesitante, receando acreditar. Deu um passo em frente, a medo, depois outro e outro ainda, começou a andar e o andar transformou-se em corrida, correu para ele como se sempre o tivesse conhecido, ninguém lhe disse que era ele mas ela soube-o, talvez fosse desejo, talvez fantasia…”; “… daquele murmúrio da voz embargada que lhe brotava dos lábios e era repetidamente soprado aos ouvidos da menina que o enlaçava pelo pescoço. Ma petite fille”. Um romance excepcionalmente admirável. Aconselho vivamente, rogo-vos que o leiam, exijo que o façam, pois estamos perante um dos grandes romances de sempre da nossa literatura.
“Eram pequenos, atarracados, uns com rostos largos, outros de caras chupadas e maçãs salientes, simplórios, rudes, mal barbeados, botas sujas e descosidas, vestiam roupas ridículas, rotas, casacos azuis com mangas tão grandes que nelas se escondiam as mãos, uns usavam pelicos com peles de carneiro, outros tinham ar andrajoso, pareciam tristes, desenraizados, arrastavam-se pelas ruas em grupo, a fumar, alguns seguiam solitários, metidos consigo, eram miúdos sem alegria da vida, crianças sem infância, homenzinhos abandonados numa terra distante.” [Os Portugueses na Grande Guerra]
“se Deus era omnipotente, raciocinava Afonso, como poderia Ele deixar que existisse mal no mundo? E, se o homem tinha sido feito à imagem de Deus, isso não significaria que Deus continha maldade, uma vez que o homem era capaz dela? […] Deus queria que o homem construísse o seu próprio caminho de rejeição da maldade e que só o podia fazer se o mal existisse. Afinal de contas, qual é o mérito de se ser bondoso se não há alternativas[…] Pois, se Jesus curava uns enfermos, porque não havia Ele de curar todos? E, se Jesus ressuscitava Lázaro, por que não havia Ele de ressuscitar todos os mortos? Porquê descriminá-los? E, se ninguém tivesse doenças, ninguém morreria. Seria isso realmente bom? Não seria a morte de uns uma condição necessária para a vida de outros?”
“Então como é que deste em oficial, Afonso, tu que não fazes mal a uma mosca”, quis saber D. Basílio Crisóstomo. Digamos que andei à procura de uma profissão em que não se faça nada. Como vocês não me deixaram ir para padre, lá fui eu para a tropa.”
“Matias começou gradualmente a perceber que a guerra era feita de oitenta por cento de tédio e rotina, dezanove por ceto de frio polar e um por cento de puro horror, o mesmo horror que naquele momento o paralisava, a si e aos seus companheiros.”
“era preciso estar longe, bem longe, para imaginar que a guerra engrandecia a pátria e enobrecia os homens. Só com a barriga cheia e vivendo em conforto se podia teorizar sobre conceitos abstractos como a bravura, a honra, o patriotismo.”
Demasiado descritivo e extenso. Pouco enredo e com um desfecho sem resolução e apressado para quem teve tanta preocupação em detalhar toda a vida da personagem principal. Um livro chamado a filha do capitão e a filha do capitão mal surge como personagem. Dou 3 estrelas porque mesmo assim consegue entreter (com alguma resiliência do leitor).
Um bom livro que retrata um pouco da vida e mentalidade portuguesa e francesa e dos avanços da sociedade no final do século XIX e inícios do XX, no entanto diminuía algumas páginas têm muita descrição desnecessária, nomeadamente na primeira parte.
Retrata muito bem o papel dos portugueses na 1ª Grande Guerra e é um excelente livro para quem é obcecado por história. Explica o funcionamento da sociedade da altura e apaixona desde o início.
Gostei. Ainda não tinha lido nenhum livro do José Rodrigues dos Santos sem ser da série Tomás Noronha. Confesso que quando peguei no livro pela primeira vez achei-o um pouco chato e enfadonho e, imediatamente, coloquei-o de lado. Mas, ultimamente, tenho-me voltado para a História e para o romance histórico e decidi voltar a pegar neste livro. A verdade é que no final até gostei de o ler.
O enredo vale pelo último quarto, quinto do livro, porque até aí não me agarrou. Excelente trabalho de pesquisa, mas integrar as curiosidades e os factos históricos na narrativa não é o forte do autor. Esses detalhes deveriam complementar a narrativa, ao mesmo tempo informando o leitor, mas sem serem intrusivos. Em muitos momentos toda aquela informação desviava-se tanto da história que me fazia desejar estar a ler as obras de referência consultadas pelo autor, porque é de facto informação pertinente e interessante, contudo mal aplicada no contexto de um romance. Há muito conteúdo que soa forçado, os próprios diálogos pareceram-me, na sua maioria, forçados. Para além disso, a escrita enfadou-me. Não foi há muito tempo que li "Os Maias", e as descrições eram deliciosas, era um prazer acompanhar o abrandar da ação e apreciar a narração descritiva. Este foi o oposto, assim que a ação desacelerava, eu acelerava a leitura. Não peço uma mestria tão grande como a do Eça, mas para uma narrativa tão ambiciosa era de esperar mais. Considero, portanto, que o livro beneficiava em não ser tão longo. Por último, as descrições mais picantes foram de um contraste tão grande com o tom do resto do romance que mais parecia estar a ler um romance erótico barato. Não percebo a necessidade de se ser tão gráfico, tantas vezes; até era capaz de entender se o momento da ação assim o justificasse, mas isso ocorre, talvez, uma vez. Nunca me esquecerei de uma descrição de Anthony Powell, em "A Dance to the Music of Time", que em vez de se focar no ato em si, opta antes por exprimir o estado de espírito dos intervenientes, transformando a ação numa espécie de análise do espírito humano, tanto numa forma particular como geral, contribuindo também para o desenvolvimento do caráter dos personagens. Foi uma descrição que combinou perfeitamente com o estilo do autor, não contrastou; como leitor, não fui expulso do universo no qual me tinha imergido. Neste caso, só não fui cuspido com brutalidade, porque, primeiramente, o autor falhara em cativar a minha atenção.
THE CAPTAIN'S DAUGHTER One book. Two stories become one.
The life of Afonso could be a Hollywood movie or a novel, but for now it's only a book. Still young, he falls in love with Carolina, but, since he's poor, the intended mother pays for his studies in a Seminary, in Braga, where he falls for Philosophy.
Back in Lisbon, he falls in love again with Carolina. However, Isilda, the girl's mother, quickly stops the passion by sending Afonso to the army. When he returns, once again, faces an unexpected news: Carolina is engaged to a men of good families.
Agnés had a normal adolescence. She was born in Lille and studied Medicine. Meanwhile, she meets Serge and gets married. After three months, her husband dies in World War I and Agnés becomes a widow with only 23 years. And, since life doesn't stop, soon she gets married again with Baron Redier, who helped her after the war.
In her new mansion she meets Afonso. It's live at first sight and Afonso's desire of unravel that woman's mystery is inevitable. The baron eventually finds the affair and Agnés ran away with Afonso. From this moment on begins a distance love, with concrete barriers of the war.
In parallel, "The Captain's Daguhter" debate several themes of society, such as the existence of God, the creation of a war and the futility of a patriotic death. The book promotes a reflection about the war and the role of a man in his own life ("kill a man for money and you're a criminal. Kill a thousand men for an idea and you're a genius"). In addiction, portraits the daily lives of the Portuguese soldiers, in a unjustified war, and the suffering of their families. The Portuguese Army is characterized as fragile and mocked by everyone.
An epic book that helps understand the past and triggers a reflection about the future.