Este livro consistiu numa muito agradável surpresa.
Não é a primeira vez que uma cidade se torna quase como a principal personagem de um livro de ficção, mas descrever Havana como o faz Abílio Estevez, com uma crueza e ao mesmo tempo uma imensa tristeza mesclada com pinceladas de amor, não é fácil.
Nunca fui a Havana, mas depois de ter lido este livro, parece-me que percorri essa cidade, decrépita, "velha", cheia de uma gente própria que a sente como sua e apesar de a criticar ela (a cidade) está sempre presente.
O livro foi escrito em 2000 e a realidade de hoje não deverá andar longe da que aqui é retratada, embora possa a um curto prazo, haver modificações.
É uma cidade cheia de "palácios", por vezes invisíveis e que apenas personagens tão concretas como surreais, como Victorio (o homossexual), Salma (a prostituta) e principalmente o admirável Don Fusco (o velho palhaço), conseguem vislumbrar e até vivem num deles - as ruínas escondidas de um velho e pequeno teatro - onde tudo pode acontecer...