ata... eh complexo e interessante; até tentei traduzir algo,,
Na leitura das palestras de Marie-Louise von Franz, estudos de Jung, a alquimia aparece menos como uma técnica antiga de laboratório e mais como um espelho profundo da alma humana. Tudo o que acontece fora passa a ser visto como parábola de um processo interior. Os alquimistas trabalhavam com fogo, metais, vasos e substâncias, mas o que realmente se movia ali era o inconsciente, de maneira ingênua e não corrigida, conteúdos psíquicos na matéria, sem perceber descreviam processos interiores e por isso seus textos, contos, histórias são tão simbólicos: ainda não havia a separação moderna entre psique, natureza, ciência e religião.
Alquimia se situa justamente antes dessa correção racional, quando o inconsciente ainda fala livremente, daí a sensação de que a matéria é viva, portadora de espírito, dotada de mana (uma energia divina e semi-material comparável à eletricidade), nesse sentido, nesse sentido alquímico, houve um momento onde poderia não ser absurdo pensar que o inconsciente possua um aspecto material, pois talvez a matéria, através da psique, esteja conhecendo a Si mesma.
Toda realidade, diz Von Franz, só se torna visível porque projetamos algo sobre ela, sem projeção não há mundo. Corrigir uma projeção, porém, nunca é indolor: gera desconforto, crise, amargura. Ela narra a história alquímica mundial e traduz algumas imagens e termos, tipo o nigredo que corresponde ao caos, à depressão, ao sentimento de peso e vazio simbolizado pelo chumbo; o albedo traz a purificação, a distância reflexiva, o primeiro clarear da consciência; a rubedo marca a integração final, quando aquilo que foi dissolvido volta à vida com força renovada. Daí, na visão da autora, esses estágios não são abstrações: aparecem em sonhos, sintomas corporais, crises emocionais e experiências espirituais profundas e, quando a pessoa atravessa essa tensão sem fugir, nasce algo novo: o instinto da verdade.
O alquimista aprende que ele próprio é o lugar da obra daí, diz ela que, "encontrar o próprio conflito insolúvel é encontrar-se com Deus" porque "o que tem luz nasce na escuridão, e é ali, nesse ponto íntimo e secreto, que a vida continua a se criar."
"É uma união mística com a Divindade, e a Divindade, como verão vocês, é feminina."