É provável que eu morra nos próximos dez, quinze anos. Tenho filhos e netos, amei e fui amada, escrevi livros, ouvi música e viajei. Poderia dar-me por satisfeita, o que não me faz encarar a morte com placidez. Se amanhã um médico me disser que sofro de uma doença incurável, terei um ataque de coração, o que, convenhamos, resolveria o problema. Mas, se isso não acontecer, quero ter a lei do meu lado. Gostaria que o debate sobre as questões aqui abordadas, o testamento vital, o suicídio assistido e a eutanásia, decorresse num clima sereno. Mas teremos de aceitar a discussão com todos os opositores, mesmo com aqueles que, por serem fanáticos, mais repulsa nos causam. Que ninguém se iluda: a análise destes problemas é urgente.
MARIA FILOMENA MÓNICA nasceu em Lisboa, a 30 de Janeiro de 1943. Licenciou-se em Filosofia na Universidade de Lisboa, em 1969, e doutorou-se em Sociologia na Universidade de Oxford, em 1978. Colabora regularmente na imprensa. Entre outros livros publicados, é autora de «Eça de Queirós» (Quetzal, 2001), «Bilhete de Identidade» (Alêtheia, 2005) e «Cesário Verde» (Alêtheia, 2007). É investigadora-coordenadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
No mês em que a Lei da Eutanásia vai finalmente ser uma realidade, depois de aprovada por uma maioria parlamentar e por duas vezes vetada por um presidente da República decerto mais receoso da danação eterna do que do inferno em vida em que poderá um dia viver, é interessante ler este ensaio de Maria Filomena Mónica, publicado há precisamente 12 anos.
Uma democracia laica, como é o caso de Portugal, deve respeitar os sentimentos que a fé religiosa faz brotar na alma dos crentes, mas não pode autorizar que seja ela, a fé, a ditar a formulação das leis. Os católicos têm o direito de se abster de actos que consideram pecaminosos, mas não podem impor aos outros os seus valores. Não quero obrigar ninguém a fazer o que quer que seja, mas desejo ser livre de escolher o meu fim.
Apesar de o debate que a autora pedia já se ter realizado várias vezes nos últimos anos e termos progredido ao nível dos países mais liberais da Europa, “A Morte” não se tornou um texto datado nem irrelevante, primeiro, porque gosto sempre de ler/ouvir gente sem papas na língua e, em segundo lugar, porque aborda a sua experiência com a doença de Alzheimer, assunto que muito me toca.
Os velhos muito velhos do século XXI são um fenómeno novo. Antes de nos pormos a deitar foguetes, é preciso lembrar que se trata de um grupo com grandes probabilidades de ficar demente. Calcula-se que, em 2040, 12 milhões de americanos com mais de 65 anos sofrerão de Alzheimer. O fenómeno repetir-se-á por toda a Europa: em Inglaterra, 1 em cada 3 indivíduos, nascidos no século XXI, virá a sofrer de demências.
Quem já ouviu Maria Filomena Mónica falar ou leu algo dela sabe decerto que é uma pessoa frontal, razão pela qual este livro não cairá no goto de todos e muito menos dos treinadores de bancada que, sem viverem as situações pessoalmente, acham sempre que são melhores filhos, melhores pais, enfim, melhores pessoas do que os outros. É, portanto, sem sentimentalismo que fala da morte da mãe.
Só quando cheguei a casa notei que não vertera uma lágrima. Apenas os meus complexos de culpa me impediam de reconhecer o óbvio: o que sentia não era tristeza, era alívio. Isto pode parecer – e é-o – difícil de admitir, mas é o que sucede a quem tem pais com doenças psíquicas prolongadas. Os 11 anos, em que assistira a uma mente brilhante deteriorando-se, haviam-me conduzindo ao desespero.
Falando de morte e doença, é inevitável que se debruce sobre a velhice e as consequentes maleitas.
Um dia, há não muito tempo, comecei-me a partir aos bocados. Quando me viram de canadianas, as velhotas do meu bairro meteram conversa. Detectei logo, nas suas palavras, uma peculiar mistura de sadismo e compaixão. A vizinha apressada- eu – passara a fazer parte do grupo das inválidas.
Neste libelo a favor do suicídio assistido, a autora é peremptória a considerá-lo um direito do indivíduo que deve ser legislado pelo Estado sem plebiscito…
É pena que os indivíduos que se opõem à eutanásia não percebam que a adopção de regras serve não só para proteger as minhas opções mas as daqueles que desejam prolongar a vida. Sei que nem toda a gente, mesmo em condições atrozes, deseja morrer. Posso admirá-las, mas não desejo trilhar essa via.
…e, para o ilustrar, traz referências cinematográficas como “Million Dollar Baby” de Clint Eastwood, e literárias, como esta, muito nossa.
Outras sociedades, distantes no tempo e no espaço abordaram o tema. Miguel Torga que, além de escritor, era médico, inclui, no seu conto “O Alma Grande”, a figura do “abafador”, o homem que, nas aldeias transmontanas, abreviava a vida do moribundo, sufocando-o.
Maria Filomena Mónica escreve sobre a morte e algumas implicações que esta tem na vida de cada um. Parece estranho, eu sei... mas se eu referir o tema eutanásia, suicídio assistido, talvez se consiga antever o que vamos encontrar nestas páginas. Questões morais, religiosas, científicas e filosóficas se levantam quando o assunto é a morte... contudo, há quem prefira nem falar nela, ignorá-la. Será a morte menos importante do que a vida, quando se trata de ser a pessoa, detentora da sua consciência, da sua moralidade, do seu corpo, decidir o que quer e pronunciar-se sobre tal, estando, assim, salvaguardada a sua liberdade de escolha sobre o fim da sua vida? Escrito com frontalidade e sem floreados, este é um ensaio que, embora tenha sido escrito há mais de uma década, merece ser lido, acreditando, porém, que há muita boa gente que o prefere ignorar, assim como a Morte.
This little book talks, almost exclusively, about the purposes and issues related to Euthanasia. An interesting study related to this topic that is so talked about and debated today. My grandmother decided, by her last word, to end life by this means. A very controversial topic.
A morte é abordada neste livro com especial ênfase para os temas do suicídio assistido e da eutanásia. São temas pertinentes que há muito têm vindo a ser debatidos mas que carecem de um acordo entre opiniões opostas.
Apesar de achar o tema do livro muito interessante, tenho dois aspectos negativos a apontar. Em primeiro lugar, o facto de todo o livro nos ser apresentado num texto corrido (não há capítulos, tópicos, sub-tópicos ou simplesmente um espaçamento entre parágrafos com temas distintos) torna a leitura algo confusa para quem , como eu e possivelmente a maioria das pessoas, não lê todo o livro de uma assentada. Ficava difícil decidir quando fazer uma pausa na leitura e depois não sabíamos bem onde recomeçar.
Contudo, o principal aspecto negativo que tenho a apontar está relacionado com a autora. Esperava que alguém que escolhe escrever sobre um tema tão delicado tivesse uma sensibilidade extra, ao contrário da frieza que ela parece transmitir ao longo de toda a obra. E depois há certas coisas que ela diz que me deixam boquiaberta, tal como a vez em que Maria Filomena Mónica, só porque foi mal atendida por uma funcionária de um Centro de Saúde, decidiu retirar o seu nome da lista de dadores de orgãos pois, segundo ela, "o Estado não merece o meu fígado". Só espero que ela não tenha o azar de ser mal atendida num supermercado, ou terá de começar a ir fazer compras a Espanha para não contribuir para esses vilões execráveis portugueses que têm algures um funcionário que um dia registou uma lata de grão de bico a mais.
Aspectos negativos à parte, considero que o livro é interessante para quem deseja, em complemento com outras obras, aprofundar os seus conhecimentos sobre esta temática.
"Em 1968, um grupo de peritos reuniu-se na Faculdade de medicina de Harvard para repensar no conceito morte. Com base no critério de ser o cérebro o órgão que define uma pessoa, passou-se a declarar morto qualquer individuo que evidenciasse sinais de paragem cerebral. A decisão foi pacifica, uma vez que a Igreja Católica não se opôs à definição. "
O tema é pesado, mas a escritora consegue colocar uma leveza e aquela sensação descomplicada em relação ao assunto. Pensava que ia ficar com um peso enorme nas costas depois de ler este livro, mas pelo contrário. É retratado de forma muito sensível e fez-me refletir bastante sobre as mortes ingratas e tristes nos hospitais portugueses. Parece que a taxa de mortes em hospitais aumentou significativamente ao longo dos anos.
Neste livro, a autora fala na primeira vez que teve contacto com a palavra morte. Acho que também aconteceu o mesmo comigo. Na catequese ou na disciplina Religião e Moral, falam bastante no inferno e no céu como duas opções para a morte. Lembro-me de questionar bastante a professora sobre este assunto e nunca aceitar as palavras como certezas absolutas. Assim como a autora deste livro. Mais tarde, Maria Filomena Mónica é confrontada com a doença de Alzheimer da mãe e a sua morte. Tudo o que ela escreve é de uma sinceridade incrível e alguma comoção.
"...o que sentia não era tristeza, mas alívio. Isto pode parecer - e é-o - difícil de admitir, mas é o que sucede a quem tem pais com doenças psíquicas prolongadas. Os onze anos, em que assistira a uma mente brilhante deteriorando-se, haviam-me conduzido ao desespero."
A forma como a sociedade lida com a morte tem vindo a mudar bastante. Os rituais mudaram, assim como a maneira como falamos na morte. Através de várias referências literárias e casos reais somos levados a questionar sobre a eutanásia. Também nos é dado factos sobre a forma como o Estado trata o envelhecimento prolongado.
De todas as histórias relatadas neste livro, a mais marcante é a história de amor de dois velhinhos que ocorreu em 2011. Ela com 89 anos, ele com 85. É caso para dizer, "felizes para sempre, até que a morte os separe". Muito comovente. E mais uma vez levamos uma chapada da realidade.
Recomendo muito este livro. É sem dúvida uma leitura completa, que nos vira do avesso e nos mete a refletir sobre a eutanásia, morte, e consequentemente, vida. Escrito de forma bastante acessível e envolvente. Não deixem de ler esta pechincha de livro (custou-me menos de 3,50€) pertencente à editora Fundação Francisco Manuel dos Santos. Tem títulos fabulosos que não me canso de recomendar.
Outro livro sobre o tema, é o romance de Tolstoi, A Morte de Ivan Ilyich. Referido neste ensaio, li há uns anos e foi uma leitura absolutamente marcante. Também recomendo.
Saio desta leitura com a certeza que quero ler mais livros desta notável escritora.
Maria Filomena Mónica ..."É provável que eu morra nos próximos dez, quinze, anos. Tenho filhos e netos, amei e fui amada, escrevi livros, ouvi música e viajei. Poderia dar-me por satisfeita, o que não me faz encarar a morte com placidez. Se amanhã um médico me disser que sofro de uma doença incurável, terei um ataque de coração, o que, convenhamos, resolveria o problema. Mas, se isso não acontecer,...more É provável que eu morra nos próximos dez, quinze, anos. Tenho filhos e netos, amei e fui amada, escrevi livros, ouvi música e viajei. Poderia dar-me por satisfeita, o que não me faz encarar a morte com placidez. Se amanhã um médico me disser que sofro de uma doença incurável, terei um ataque de coração, o que, convenhamos, resolveria o problema. Mas, se isso não acontecer, quero ter a lei do meu lado".
David Pimenta..."Decidi ler este pequeno livro da coleção “Ensaios da Fundação”, com o título “A Morte”, por ser o nome que mais me chamou à atenção quando andei a vasculhar os pequenos livros à venda num dos cafés em Lisboa. Por 3 euros e meio não tive qualquer problema em escolher um deles. “A Morte”, da autoria de Maria Filomena Mónica, trata-se de um curto ensaio que aborda a temática da morte tendo como focos principais a velhice e o assunto da eutanásia – recusado a ser discutido por grande parte dos portu...more Decidi ler este pequeno livro da coleção “Ensaios da Fundação”, com o título “A Morte”, por ser o nome que mais me chamou à atenção quando andei a vasculhar os pequenos livros à venda num dos cafés em Lisboa. Por 3 euros e meio não tive qualquer problema em escolher um deles. “A Morte”, da autoria de Maria Filomena Mónica, trata-se de um curto ensaio que aborda a temática da morte tendo como focos principais a velhice e o assunto da eutanásia – recusado a ser discutido por grande parte dos portugueses mesmo atualmente. Apesar de ser um ensaio sobre um tema que me interessa, a informação que me foi apresentada não contém tanta informação científica como esperava encontrar. Mesmo sendo um tema provavelmente recente (apreciar a morte chegada aos mais idosos e aos que desejam morrer) gostaria de ter lido mais dados baseados em vários autores do que a mera opinião da escritora. Nada contra ela como é claro mas se é suposto ser um ensaio então onde anda a informação de que precisamos? Apresenta uma bibliografia no final mas mesmo essa é dada como “os que mais me ajudaram a formar uma opinião”. E sejamos sinceros, já li ensaios bem mais interessantes. “A Morte” contém apenas 80 páginas mas não são de todo interessantes ou escritas de forma a despertar a curiosidade por mais dados e informação. Espero que todos os outros livros desta coleção não sejam assim, sinceramente"!
Cátia..." Um livro necessário e importante para a reflexão de um tema que, muitas vezes, é encarado como tabu: a Morte. Mas a reflexão que Maria Filomena Mónica faz sobre a morte incide essencialmente num ponto fulcral na sociedade de hoje, a morte assistida e/ou a eutanásia. Ao longo das linhas aprendemos o que vai no âmago desta socióloga incapaz de deixar que a sua morte seja deixada à consideração de terceiros. Todos temos direito ao estilo de vida que queremos seguir, porque não temos direito à forma c...more Um livro necessário e importante para a reflexão de um tema que, muitas vezes, é encarado como tabu: a Morte. Mas a reflexão que Maria Filomena Mónica faz sobre a morte incide essencialmente num ponto fulcral na sociedade de hoje, a morte assistida e/ou a eutanásia. Ao longo das linhas aprendemos o que vai no âmago desta socióloga incapaz de deixar que a sua morte seja deixada à consideração de terceiros. Todos temos direito ao estilo de vida que queremos seguir, porque não temos direito à forma como morremos? Por entre vários exemplos de sofrimento e problemas morais, conseguimos perspectivar a importância de colocar este tema de novo na esfera pública e legislar sobre o mesmo. Para que todos possam ter uma escolha".
Regina..."Eutanásia e suicídio assistido: teremos nós o direito a escolher a forma e quando queremos morrer? Uma coisa parece-me certa: é mais fácil decidir sobre a nossa própria morte do que sobre a de um ente querido... Tendo em conta o custo das tecnologias médicas, podem surgir situações causadas pela escassez de recursos médicos. Se apenas houver um ventilador disponível e se um doente de 90 anos e um de 20 entrarem ao mesmo tempo nas Urgências, o que deve fazer um médico? Neste caso, o gesto de não l...more Eutanásia e suicídio assistido: teremos nós o direito a escolher a forma e quando queremos morrer? Uma coisa parece-me certa: é mais fácil decidir sobre a nossa própria morte do que sobre a de um ente querido... Tendo em conta o custo das tecnologias médicas, podem surgir situações causadas pela escassez de recursos médicos. Se apenas houver um ventilador disponível e se um doente de 90 anos e um de 20 entrarem ao mesmo tempo nas Urgências, o que deve fazer um médico? Neste caso, o gesto de não ligação da máquina a um deles não significa intenção de matar. Como classificar então a sua acção?"
Decidi ler este pequeno livro da coleção “Ensaios da Fundação”, com o título “A Morte”, por ser o nome que mais me chamou à atenção quando andei a vasculhar os pequenos livros à venda num dos cafés em Lisboa. Por 3 euros e meio não tive qualquer problema em escolher um deles. “A Morte”, da autoria de Maria Filomena Mónica, trata-se de um curto ensaio que aborda a temática da morte tendo como focos principais a velhice e o assunto da eutanásia – recusado a ser discutido por grande parte dos portugueses mesmo atualmente.
Apesar de ser um ensaio sobre um tema que me interessa, a informação que me foi apresentada não contém tanta informação científica como esperava encontrar. Mesmo sendo um tema provavelmente recente (apreciar a morte chegada aos mais idosos e aos que desejam morrer) gostaria de ter lido mais dados baseados em vários autores do que a mera opinião da escritora. Nada contra ela como é claro mas se é suposto ser um ensaio então onde anda a informação de que precisamos? Apresenta uma bibliografia no final mas mesmo essa é dada como “os que mais me ajudaram a formar uma opinião”. E sejamos sinceros, já li ensaios bem mais interessantes. “A Morte” contém apenas 80 páginas mas não são de todo interessantes ou escritas de forma a despertar a curiosidade por mais dados e informação. Espero que todos os outros livros desta coleção não sejam assim, sinceramente!
Livro muito bem escrito e documentado. O livro está de citações que, se quisermos, nos podem levar a outras leituras. Embora as definições sobre o tema não sejam consensuais, fiquei mais esclarecida. Apesar de ser médica e de uma especialidade que lida muitas vezes com a morte, fiquei surpreendida com alguns factos. A falta de uma lei clara tem destas coisas. Como pode nuns hospital a eutanásia passiva ser basicamente o contrário de obstinação terapêutica e portanto algo praticado muitas vezes em doentes terminais, que é a experiência que eu tenho, e noutros ser proibido? No entanto, o livro não está isento da opinião pessoal da autora, e embora concorde com a maioria das reflexões, não se pode generalizar para a população uma vez que o nível educacional dela está muito acima da maioria. Além disso nota-se que são marcadas por ter “berço”, quase tocando o snobe. Fiquei louca com a opinião dela sobre a lei portuguesa quanto à doação de órgãos.
Através de uma escrita direta e bem documentada este livro reflete sobre a morte, dando especial atenção aos temas da eutanásia e o suícidio assistido. Talvez por partilhar do mesmo ponto de vista da autora, a leitura revelou-se bastante interessante.
"Não quero obrigar ninguém a fazer o que quer que seja, mas desejo ser livre de escolher o meu fim."
Excelente reflexão sobre a eutanásia. Escrita direta como a escritora já nos habituou. Fala sobre a experiência com a morte da mãe e lida com as incertezas da sua idade avançada.
Um livro necessário e importante para a reflexão de um tema que, muitas vezes, é encarado como tabu: a Morte. Mas a reflexão que Maria Filomena Mónica faz sobre a morte incide essencialmente num ponto fulcral na sociedade de hoje, a morte assistida e/ou a eutanásia. Ao longo das linhas aprendemos o que vai no âmago desta socióloga incapaz de deixar que a sua morte seja deixada à consideração de terceiros. Todos temos direito ao estilo de vida que queremos seguir, porque não temos direito à forma como morremos? Por entre vários exemplos de sofrimento e problemas morais, conseguimos perspectivar a importância de colocar este tema de novo na esfera pública e legislar sobre o mesmo. Para que todos possam ter uma escolha.
Não dou mais estrelas por não merecer ou por ter erros ortográficos, mas sim porque quando cheguei a meio, achei que tanta informação junta se tornou um pouco enfadonho. E digamos que nem 100 páginas este livro tem... Para além disso, acho que não estava pronta para ler um livro destes. De qualquer das formas, é interessante. A autora fez muita pesquisa e falou muito (e bem) da eutanásia e dos problemas que este assunto tem à sua volta. Recomendo apenas para pessoas que devoram qualquer tipo de livro num instante e que estejam preparadas (e queiram) ler um livro com tanta informação sobre este tema.
Para mim foi interessante porque, pela primeira vez, tomei consciência de temas como a eutanásia e morte medicamente assistida. O livro é um bom ponto de partida para se aprofundar estes problemas.
Gostei que estivesse fundamentado numa lista referências bibliográficas que irei consultar. A consideração destas temáticas irá tornar-se imperativa para sociedades envelhecidas, sobretudo, quando simultaneamente são limitados os recursos para suavizar fins de vida complicados.
«...leva-o [J.S.Mill] a defender que nunca se deve suprimir uma opinião, por mais chocante que seja, porque, se o fizermos, nunca chegaremos à mais justa.»
Neste breve texto – não creio que seja um ensaio em sentido estrito – Maria Filomena Mónica reflecte sobre a morte e, em especial, sobre o problema da eutanásia, nas suas várias modalidades (activa e passiva, para usar a terminologia empregada pela autora). O discurso desenvolvido não assenta tanto na discussão teórica e argumentativa sobre a questão, senão antes num tratamento assente em casos concretos, tidos por paradigmáticos, designadamente situações extraídas das experiências pessoais da autora ou outros casos conhecidos no espaço público. Essa é uma opção claramente assumida pela autora e que comporta vantagens e inconvenientes. As vantagens passam por uma maior impressividade e atractividade do discurso, que também permite ao leitor um vislumbre dos contornos e dos resultados concretos das várias opções e concepções em jogo; os inconvenientes traduzem-se numa menor fecundidade argumentativa e no risco inerente à generalização de casos particulares, em especial quando aos mesmos temos uma inarredável e profunda ligação emotiva. Nessa medida, não encontramos aqui uma discussão teorética da questão nos vários planos em que ela se pode desdobrar, nomeadamente ético-filosófica, legal, médica e social. A autora justifica a tese que defende – a da admissibilidade da eutanásia, mesmo activa involuntária (embora aqui seja mais cautelosa) – apelando à ideia de autonomia do sujeito, embora a questão não seja analisada em pormenor. Mais do que discutida e argumentada, é enunciada e descrita. Todavia, o livro tem a inquestionável mais-valia de suscitar a atenção para a problemática, ilustrá-la de forma clara e sugerir pistas para a sua discussão, mesmo a quem nunca nela tenha pensado. O texto apresenta-se de forma contínua, não dividido por capítulos, lendo-se com grande agrado, pois está particularmente bem escrito.
A morte mudou. A esperança média de vida aumentou devido a uma série de factores. Os avanços da medicina e da tecnologia permitem prolongar essa vida para lá de limites que seriam impensáveis de outra forma. Tudo isto exige um repensar das questões do suicídio assistido e da eutanásia. Não estou a defendê-los de per si, mas a salientar que urge reflecti-los e discuti-los socialmente. Este livro é um bom porto de partida.
Reflexão e estudo subjectivo e objetivo, incluindo restos da vida da autora bem como recurso a dados interessantes da sociedade portuguesa. Muito interessante e relevante, tendo em conta que foi um tema debatido há poucos meses na sociedade portuguesa.
É um ensaio bem elaborado e muito elucidativo. Maria Filomena Mónica debruça-se sob várias vertentes (religiosa, científica, filosófica) para explorar o tema da morte, com foco na “morte voluntária” (eutanásia).
Recomendo a todos que queiram aprofundar os seus conhecimentos sobre este tema.
Apesar de ter lido o livro recentemente e o mesmo já ter uns anos de existência, os temas que retrata são bastante atuais e no entanto são tabu ainda. Fala de temas delicados relativos à morte, mas muito importantes serem debatidos hoje em dia.
Ensaio bastante interessante e educativo sobre o suicídio assistido. Uma perspectiva pessoal mas também com muitas referências bibliográficas para mergulhar mais a fundo no tema.