Crônicas e ensaios sobre filosofia, arte, ensino e cotidiano. Neste livro, Marcos Ramon (professor de Filosofia, escritor, podcaster) relata experiências e propõe reflexões sobre a realidade a partir do que observa e vivencia. Um convite a uma forma mais atenta de se olhar o cotidiano.
Descompasso é, em uma grande parte, um livro diy-do it yourself. Digo isso porque na maior parte do tempo o livro não oferece declarações categóricas acerca de questões como cotidiano, educação, consumo etc. Ao invés disso, oferece pontos de partida para essas questões que, se começam com o pensamento do autor, toma rumos infinitos a depender da disponibilidade do leitor para a reflexão — o do it yourself. É claro que até certo ponto todo livro propõe o mesmo tipo de reflexão, mas ao ler A República, de Platão, por exemplo, essa reflexão se dá principalmente pela crítica que se faz a favor ou contra a ideia proposta. Descompasso, por outro lado, não propõe ideias contundentes, mas iniciativas de pensamento que mais revelam sobre o leitor do que sobre o texto de Marcos Ramon. O texto, aliás é simples: moderno, fluído, "sem enfeites" (ou talvez enfeitado para parecer sem enfeites, ideia que casaria bem talvez com o texto Humanos, presente no livro). Descompasso é um livro de ônibus (ou de metrô, no caso do autor). Combina com as idas e vindas diárias e com os longos períodos de divagações acompanhados pela paisagem vista da janela, divagações estas que podem ganhar uma nova dimensão acompanhadas desse livro-do it yourself (e que o autor me perdoe pelo termo, se este for motivo de incômodo).