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A Missão

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Obra ímpar na literatura portuguesa [...] A Missão, editada pela primeira vez em 1954, põe um candente problema que hoje [...] se pode considerar de verdadeira antecipação: a responsabilidade da Igreja em face da colectividade.

Ferreira de Castro [..] colocou, numa das suas novelas, uma questão radical de conflito de deveres. Durante a Segunda Guerra Mundial, um convento francês que albergava treze pessoas poderia evitar ser bombardeado pelos alemães, pintando o nome «Missão» no telhado. Assim, distinguir-se-ia de uma fábrica com arquitectura igual, onde trabalhavam quatro centenas de operários, que constituía um alvo militar prioritário. Porém, desse modo, a localização da fábrica pelos aviões inimigos tornar-se-ia mais fácil. A novela descreve a discussão entre o Superior, que advogava a identificação da Missão, e o frade Georges Mounier, que a contestava. Todos os argumentos – desde o costume internacional até à vontade de Deus, passando pelo número de vidas em perigo – foram esgrimidos. Abalado, o Superior promoveu uma reunião dos religiosos, que se revelou inconclusiva, e pediu instruções superiores. Entretanto, a França capitulou e o mosteiro foi ocupado pelos alemães, que decidiram, de imediato, fazer a pintura do telhado para prevenir um bombardeamento inglês.

108 pages, Paperback

First published January 1, 1954

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About the author

Ferreira de Castro

52 books54 followers
José Maria Ferreira de Castro was a Portuguese writer and journalist.
At age 12, he immigrated to Brazil, where his work at a rubber plantation for the following four years would be the inspiration for his most famous book, A Selva (1930; The Jungle; filmed 2002 - http://us.imdb.com/title/tt0210971/).
He returned to Portugal in 1919, and started working as a journalist. He was a noted oppositionist to António de Oliveira Salazar.
He was also famous for his travel literature, namely his book A Volta ao Mundo, recounting his travels around the world in the outset of World War II.

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1 (<1%)
Displaying 1 - 23 of 23 reviews
Profile Image for Célia Loureiro.
Author 30 books961 followers
February 20, 2021
Há muitos, muitos anos, tentei ler A Selva, deste mesmo autor. Lembro-me que estava a gostar muito do livro mas, entretanto, a curiosidade esmoreceu e abandonei-o. Era da biblioteca e acabei por devolvê-lo.

“A Missão” é uma novela, e nesta edição é seguida de um conto intitulado “Nossa Senhora dos Navegantes”. Ambos são excelentes, e muito intensos apesar de serem relativamente breves. “A Missão” recordou-me a intensidade das novelas de Steinbeck, em particular A Pérola, que adorei. E sai-se melhor do que essa outra (atrevo-me a dizer) no que ao imprimir realismo e intensidade a uma narrativa, em tão curtas páginas, diz respeito.
"Nessa época, as colónias representavam para os missionários o mesmo que as câmaras de experimentação para certos metais: punham à prova a sua resistência. Todos sabiam que o pecado andava lá, quase nu, entre os coqueiros e que entre pecados e virtude havia apenas os dois ou três milímetros de espessura de uma tanga.

”A Missão” é uma novela publicada em 1954, que se debruça sobre um dilema moral e religioso que teria tido lugar durante a invasão da França pelos alemães, no contexto da II Guerra. Conforme a sinopse indica, a grande questão é se estes monges devem salvaguardar-se dos bombardeamentos aéreos pintando a palavra “Missão” no telhado, ou se devem abster-se de fazê-lo posto que isso dirigiria, sem erro, a Luftwaffe para o único outro edifício de interesse naquela povoação: a fábrica de armamento na qual trabalhavam quase 500 almas.

Ferreira de Castro expõe, com esta premissa tão simples, a verdadeira natureza dos homens, e separa a religiosidade da abnegação e até da ética. Mounier e o superior tornam-se personagens maiores e de grande complexidade, um feito notável numa obra tão pequena. Alguns diálogos mantiveram-me pregada às páginas, sobretudo aqueles em que os monges tentavam, à vez, ser detentores da verdade (e da vontade) divina. O contexto histórico da II Guerra Mundial também está muito bem explorado, a geografia, o tempo e o contexto socio-político da França durante o flagelo dessa ocupação está exposto de modo sublime. Sem se alongar – e recorrendo a metáforas que me pareceram muito esclarecedoras e espirituosas (digo-o porque não sou grande fã de metáforas, sobretudo as de Lobo Antunes), - o autor teceu aqui um enredo credível, profundamente humano e envolvente. Terminei-o com a certeza de ter lido algo que, se tivesse saído da pena de um autor de outra nacionalidade – quem sabe, de alguém fora do isolamento do Estado Novo – teria chegado muito, muito longe.
”Ele pensou que talvez dez homens interpretassem melhor o desejo divino do que dois apenas. Mas, por outro lado, todas as grandes revelações que a Igreja apregoava tinham sido feitas, dizia-se, individualmente. Na religião como nas ideias novas fora sempre uma minoria que iluminara os passos da maioria.”

”Nossa Senhora dos Navegantes” é um pequeno conto que lhe segue, também com grande pertinência e desenvoltura narrativa. Um homem senta-se numa ermida agreste, no topo de uma escarpa e vertida sobre o mar, e descobre que não está sozinho. A outra figura presenteia-o com um longo monólogo sobre o que é ser Deus e viver entre os homens desde a criação. Menciona que em todas as vidas, em todas as épocas, foi chacinado, executado, perseguido e silenciado, ou, como nessa mesma, teve de pular um muro para fugir do manicómio. Uma vez mais, tornou-se para mim evidente que Ferreira de Castro separa a religião do mundo interior e espiritual de cada um, porque este Deus – que procura apenas apregoar a verdade, aliviar os homens da sua vileza para com os outros da sua espécie e ajudar os aflitos, despojando estátuas de ouro e entregando-a aos miseráveis – não é aceite pelos humanos.

Grande reflexão. Terminei a leitura absolutamente maravilhada e certa de que Ferreira de Castro foi um dos nossos grandes. Só teve a infelicidade de nascer em Portugal e, por isso, não ter alcançado voos mais altos (apesar de ter algum significado a nível internacional e de até Stefan Zweig o ter elogiado!)… Enfim, não o esqueçamos nós por aqui. Ele pertence-nos e engrandece-nos com a sua obra.
Profile Image for Ricardo Alves.
99 reviews17 followers
October 28, 2021
França, 1940. Um problema de consciência interpela os protagonistas.
Um estilo dulcíssimo, cheio de imagens que envolvem o leitor.
Um final surpreendente, ou inesperado, mas óbvio.
Uma pequena jóia.
Para alguns, 'O Livro' de Ferreira de Castro.
Profile Image for Ines.
190 reviews11 followers
November 26, 2025
Simplesmente de génio. Não conhecia a escrita de Ferreira de Castro, mas já quero ler A Selva e tudo o mais que tenha publicado…
Profile Image for João Sousadias.
5 reviews
August 30, 2019
Lendo este pequeno livro/novela não se entende como o seu autor, Ferreira de Castro, se encontra hoje no limbo da literatura portuguesa.
Um livro bem escrito, sobre o problema da consciência e dos conflitos a que esta leva, e com uma ironia quase imperceptível de uma ponta a outra. Recomendo!
Profile Image for Marcelina Leandro.
Author 36 books19 followers
February 26, 2013
Gostei do livro, do tema, das personagens e principalmente dos diálogos, deliciosos.
Profile Image for Patrícia Noronha.
Author 5 books23 followers
October 1, 2019
Novela deliciosa de Ferreira de Castro, autor injustamente esquecido pelos portugueses que, graças à Cavalo de Ferro viu, recentemente, parte da sua obra reeditada. Estamos em plena II Guerra Mundial num convento francês onde um padre, Mounier, se opõe a que se escreva no telhado do edifício a palavra MISSÃO - gesto habitual entre ordens religiosas que permitia evitar bombardeamentos. Na vila há outro edifício, antigo convento, habitado por trabalhadores, que ficaria irremediavelmente sujeito à destruição, caso o convento ostentasse as palavras milagrosas. A posição do padre Mounier dá origem a um conflito (interno e externo) entre as personagens, já que alguns dos frades recusam abdicar do seu direito divino de salvação. Ferreira de Castro, mestre de frases simples mas profundas, volta aqui ao tema da dignidade humana, central na sua obra, colocando nas mãos do Padre Superior a missão mais difícil da sua vida.
Profile Image for Łiki (_z_ksiazka_w_plenerze_).
87 reviews2 followers
March 29, 2023
"[...] skoro tylko zaczynamy wątpić, czujemy większe współczucie dla ludzi żyjących na świecie i większą solidarność z nimi dlatego chyba, że w głębi naszego jestestwa litujemy się najbardziej nad sobą..."

✨️Lekturka time✨️ Mega krótka, a chyba miesiąc ją czytałam, nie potrafiłam się na niej skupić i nie do końca ją też zrozumiałam, tak samo jak te dramę z malowaniem napisu "misja" na dachu. Poza tym, liczyłam, że dowiem się z niej tu czegoś o Portugalii (w końcu literatura portugalskojęzyczna), a akcja się dzieje we Francji XD
Profile Image for José Pereira.
388 reviews22 followers
April 2, 2022
Um dilema moral sofisticado - cruza ambiguidades presentes em conceitos como responsabilidade e nação, e no papel e posição (vis-à-vis crentes) da Igreja - que é apresentado em escrita de igual valor. As personagens de Ferreira de Castro são tão convincentes quanto cativantes. Ademais, tudo na obra evoca uma sensibilidade humanista que a mim muito apraz. A não perder.
Profile Image for Ana V.
43 reviews11 followers
November 25, 2024

An excellent work, crystal clear and timeless—how has it been so forgotten from the list of Portuguese greats?
Profile Image for Vasco Ribeiro.
408 reviews5 followers
January 1, 2016
Numa missão (convento?) em França entre paris e Lyon há um convento beniditino com 13 monges. Na mesma aldeia existe uma fábrica com 400 operários exatamente igual pois era para ser um convento para freiras. O dilema é se se pinta ou não no telhado a palavra missão para ser respeitado pelos aviões alemães sabendo que assim estes apontarão para a fábrica, tendo conhecimento da existência dos dois edifícios. O Irmão Georges mounier é contra a pintura mas a maior parte dos irmãos é a favor, mais ou menos declaradamente. O abade duvida e as dúvidas interiors dele acabam por ser o mais importante do livro. A decisão vai sendo adiada à espera de uma consulta aos superiores da ordem em Paris. A resposta chega e é para pintar mas o abade esconde-a. Até que finalmente cede e manda pintar. Antes de pintar o telhado surge o armistício/rendição de pétain e a aldeia é ocupada pelos alemães que se instalam no convento e a primeira coisa que fazem é mandar pintar as palavras missão no telhado do convento.
Profile Image for Gonçalo Ferreira.
283 reviews11 followers
December 14, 2018
"Era certo que Roussin também comentava a guerra, sempre a maldizer o presente, sempre exaltando os arrojos e as glórias do passado, como se mantivesse, em todas as horas, a mesma posição dos que vão de costas nos comboios e só vêm a paisagem que para os outros já desapareceu(...)"

"Nessa época, as colónias representavam para os missionários o mesmo que as câmaras de experimentação para certos metais: punham à prova a sua resistência. Todos sabiam que o pecado andava lá, quase nu, entre os coqueiros, e que entre o pecado e a virtude havia apenas os dois ou três centímetros de espessura duma tanga."

"Se alguém pudesse realizar todos os seus desejos, cairia numa confusão imensa, pois dum desejo nascem outros e outros , que se entrecruzam e se emaranham antes mesmo de os primeiros estarem realizados"
Profile Image for Maria Rebelo.
Author 10 books7 followers
Read
October 11, 2017
A beautiful book whose story unfolds during the II World War. Ferreira de Castro discusses their characters, developed their problems of conscience. In the end, he demonstrates that people are always driven by temptation, and one can hardly happen, if there is an individual consciousness and collective bargaining.
Profile Image for Raul.
63 reviews
February 3, 2025
(3.5)

"A Missão" (The Mission) is a book that presents the reader with a theological and moral dilemma and puts human nature against the wall with the following: Set in WWII, in a French town, there are two identical buildings - one is a factory with 500 workers; the other is a Christian monastery called "The Mission". Fourteen monks debate whether to paint a cross with the inscription "The Mission" on the roof. If done, it would prevent the monastery's destruction in case of a raid by the Luftwaffe. The monks would be spared and able to attend to the necessities of the wounded, but the Factory would be targeted, including the 500 souls working there. If nothing is painted, everyone receives the same destiny as the rest of the town. Whether to protect the premises of a religious institution is against the divine and an insult to God remains the main inquietude throughout the narrative.

This was my first time reading Ferreira de Castro, which, curiously enough, I had planned not to read this title, but his most famous one - "A Selva" (The Jungle). However, I'm glad I didn't because now the excitement has grown considerably in me to devour that book equally. I was not particularly amazed by the story - in fact, it was too short to grasp most of its core. But I felt Ferreira de Castro's writing was pleasing. It reminded me of how Robert Bresson creates links between the audiovisual and the idea. Bresson also creates enigmatic metaphors to emphasise the most minor actions. Ferreira de Castro's writing is ingeniously contemplative, and I like that.

Ferreira de Castro was a self-made Portuguese writer who did not study literature or attend University to become one. He came from an impoverished family in a small town in Aveiro (Oliveira de Azeméis). Lived and worked several years in Brazil, later coming back and writing a novel eventually nominated for the Literuture Nobel Prize in 1930 - "The Jungle". After that, his writing could echo his humble origins, which were concerned with social justice and marginalised realities. Ferreira de Castro was one of the most prominent neorealist voices of his time in Portugal.
143 reviews3 followers
March 3, 2020
A missão é uma novela passada numa pequena aldeia francesa durante a II Guerra Mundial e narra o dilema vivido pelo Superior que não sabe se deverá determinar a pintura da palavra Missão no telhado evitando desta forma a confusão com uma fábrica próxima e o possível bombardeamento pelos aviões alemães. Contudo, se a Missão for assinalada, provavelmente a fábrica e os operários serão bombardeados. Ligado a este dilema estão dúvidas sobre a fé e também sobre o valor das pessoas:
"(...) Ora, eu não estou convencido de que, pelo fato de ser um profissional da Fé, seja efetivamente melhor do que todos esses quatrocentos homens que trabalham na fábrica e cujas qualidades desconhecemos."
Mas ao mesmo tempo que vivemos o dilema, expectantes relativamente à decisão que será adoptada, deliciamo-nos com as descrições das personagens e do ambiente envolvente, incluindo da guerra:
"(...) Ele pressentia que a própria gordura do seu corpo baixo e arredondado, a sua cara larga e aquelas pálpebras entumescidas sobre os olhos luzidios o tornavam mais atraente às crianças. E, pela primeira vez, não lhe despraziam os excessos que a natureza lhe dera, como se houvesse colado sobre ele, camada a camada, o que economizara nos corpos de outros missionários."
"(...) Deixara de ser o quente rumorejo de insetos e adquirira a regularidade e a frieza dos ruídos mecânicos. (...) O Superior não se moveu. Admitiu que chegara o castigo de Deus e que ele merecia, talvez esse castigo. Michaux e os outros missionários caminharam até à cerca e puseram-se a olhar o céu. Era uma limpidez azul de Junho, sem outra mácula além daquela: além daqueles três pequenos pontos que iam engordando de instante a instante e formando uma linha de reticências no espaço sidério, um espaço tão vazio de perdão como de vingança."
https://leiturasemclube.blogspot.com/...

A Missão só peca pela dimensão.Quando viramos a última página só nos apetece continuar a leitura.


Profile Image for Mariana Flores.
Author 18 books19 followers
March 27, 2020
Quando escolhi ler A Missão, de Ferreira de Castro, para assinalar o Dia do Livro Português, não imaginava que se fosse tratar de uma leitura tão pertinente para o momento que vivemos.

Mas o que é que uma obra escrita em 1954, sobre acontecimentos da II Guerra Mundial, pode ter em comum com a crise que enfrentamos face à pandemia do Covid19 em 2020?…



Os 13 padres de uma missão deparam-se com um dilema moral. Têm direito por lei a identificar-se enquanto instituição religiosa, pintando a palavra “missão” no telhado do seu edifício, para evitar ser bombardeados. No entanto, se o fizerem, estarão a denunciar a localização de outro edifício de arquitectura idêntica, uma fábrica onde trabalham 400 homens, rodeados das suas famílias.

Que fazer?… Preservar a sua própria sobrevivência ou proteger a população, deixando o seu destino nas mãos de Deus?

Também nós (no ocidente) enfrentamos um problema semelhante. Se ficarmos em casa, protegemos o destino de todos. Mas nem todos têm o privilégio dessa escolha, pois não ir trabalhar pode significar a miséria das suas famílias… Não ter sustento.

É um dilema sem solução simples. Resta-nos fazer, como os padres desta história, aquilo que nos ditar a consciência.
65 reviews
January 7, 2020
It jumps right into the action (or rather the reflection) and it goes from there. Great note of irony finishing the book!
Profile Image for Gonçalo Protásio.
1 review
December 26, 2025
Uma solução seria pintarem o telhado da fabrica e irem viver para junto dos operários sacrificando apenas o convento
Displaying 1 - 23 of 23 reviews

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