"Luiza Romão avisa logo de início: não purifiquem meu sangue, não quero que limpem minhas veias. Minha sangria, eu mesma produzo. O ritmo deste trabalho se cumpre a partir da lógica de um calendário que descreve, com diferentes intensidades narrativas, os 28 dias do ciclo menstrual que conduzem o óvulo a suas fases decisivas para a reprodução da vida: a gravidez ou a menstruação. É mais ou menos este o caminho de Sangria, que desliza em direção a um final incerto, que tanto poderá ser de construção ou de perda. São 28 poemas/dias, revelações, ritos de passagem, insights políticos/históricos, dores, sangue. Sangria." Prefácio de Heloisa Buarque de Hollanda
Poeta, atriz e slammer, Luiza Romão é autora dos livros Sangria (selo doburro), Também guardamos pedras aqui (Editora Nós, vencedor do Prêmio Jabuti de Melhor Livro de Poesia e Melhor Livro do Ano; e Semifinalista do Prêmio Oceanos) e Nadine (Editora Quelônio). Bacharela em Artes Cênicas e Mestra em Teoria Literária e Literatura Comparada (USP). Pesquisa poesia em performance.
Projeto multimídia que leva às últimas consequência os dizeres de que o Brasil foi erigido a partir do estupro, é um dos momentos mais potentes da poesia contemporânea.
Saboreei cada segundo de leitura de Sangría, onde Luiza Romão transforma a violência contra a mulher e contra esta terra em poemas de resistência e potência. A estética do livro também é forte. Vezes bonita, vezes aflitiva. Mais que um livro de (ótima) poesia, Sangría é uma obra de arte que podemos ter em casa.
28 poemas. Ciclo de 28 dias, menstruação. Corpo-gerador, mas colonizado e explorado, vira corpo-terrritorio e quer se livrar.
Sangria é quase um livro de História, é poesia feminista e performance visual, é o retrato do Brasil antes e agora, mas principalmente do que somos e fomos desde 2013.