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Poemas da Antologia Grega

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A Antologia Grega, também conhecida como Antologia Palatina, é uma recolha de poemas, sobretudo epigramas, escritos entre o século VII a.C. e o século VI d.C. Tem as suas origens naquela que foi a primeira antologia conhecida na Grécia, uma recolha de epigramas preparada por Meleagro no século I a.C. No prefácio a essa recolha, Meleagro descreve a organização dos poemas como uma grinalda de flores, colocadas em conjunto com unidade e propósito — uma Antologia, palavra que desde então se tornou corrente para designar uma colecção de trabalhos literários. O trabalho inicial de Meleagro foi sendo continuado ao longo de séculos, por diversos autores e editores, até chegar a conter mais de 4000 poemas, incluindo epitáfios e orações.

Recolhem-se neste livro alguns poemas dessa antologia, em versões portuguesas preparadas pelo poeta José Alberto Oliveira a partir de traduções em inglês.

80 pages, Paperback

First published January 1, 1606

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José Alberto Oliveira

24 books6 followers
Médico cardiologista, José Alberto Oliveira nasceu em 1952 em Souto da Casa, Fundão, e vive atualmente em Lisboa. Publicou o seu primeiro livro de poemas em 1992, na Assírio & Alvim, e surpreendeu pelo seu lirismo discreto e pela diversidade temática de aproximação a aspetos do quotidiano, onde além disso são notórias as influências da poesia inglesa. Traduziu Auden, Russell Edson, Frank O’Hara e Charles Simic, entre outros. Foi um dos principais colaboradores do livro «Rosa do Mundo — 2001 poemas para o futuro».

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Displaying 1 - 2 of 2 reviews
Profile Image for Teresa.
1,492 reviews
April 29, 2018
Já li alguns poetas contemporâneos (e portugueses), que me vi "grega" para os entender (e aguentar). Destes gregos antigos (e muitos de antes de Cristo), percebi tudo e ainda me ri...

➖➖➖➖➖➖➖
Quem esculpiu o Amor
e o colocou junto
desta fonte, pensaria
que poderia subjugar,
com água, tal fogo?
— ZENODOTUS

➖➖➖➖➖➖➖
Mandaste chamá-la, disseste para vir,
preparaste tudo. Mas, se vier, o que farás?
Repara no que se passa contigo, Automedon.
Esse canalha, que era alegre e firme, está
agora flácido, como cenoura cozida, morto
e encolhido entre as pernas. Como irão
rir se te puseres a navegar de mãos
vazias, um remador que perdeu o remo.
— AUTOMEDON

➖➖➖➖➖➖➖
A esperança rouba o tempo das nossas vidas.
A última madrugada surpreende-nos com tanto por fazer!
— JULIUS POLYAENUS

➖➖➖➖➖➖➖
Diophon, ao ver outro ser crucificado
em cruz mais alta, morreu de inveja.

Peruca, rouge, mel, cera, dentes;
com o preço de tal maquilhagem
pouparias comprando uma cara nova.
— LUCILIUS

➖➖➖➖➖➖➖
Se pensas que a barba traz sabedoria,
pede à minha cabra para ser Platão.
— LUCIANO

➖➖➖➖➖➖➖
Agora estás pronto, mas quando
Nemesenus se oferecia, ficaste
que nem bandeira em acalmia. Ainda
que erecto e furibundo, chora
sem piedade, não emprestarei a mão.
— SCYTHINUS

➖➖➖➖➖➖➖
Todas as mulheres dão penas,
excepto por duas vezes:
na cama e mortas.
— PALLADAS

➖➖➖➖➖➖➖
Terpes morreu, entre espartanos,
a tocar cítara numa festa;
não foi atingido por espada ou lança,
ficou engasgado com um figo.
Ah! — à morte não faltam ocasiões.
— TRIPHON

➖➖➖➖➖➖➖
O agricultor Kalligenes, após semear,
consultou o astrólogo Aristófanes —
seria o Verão auspicioso,
a colheita seria abundante?
O astrólogo lançou as pedras,
mirou-as, estalou os dedos e disse:
«Se, Kalligenes, houver bastante
chuva e cair no seu tempo e se as aves
não a infestarem, a geada não a arruinar,
nem o granizo destruir os rebentos,
se as cabras não tosquiarem e nenhuma
calamidade, vinda da terra ou do céu,
ocorrer, profetizo que terás boa colheita.
A não ser que haja praga de gafanhotos.»
— AGATHIAS
Profile Image for João Pinho.
50 reviews29 followers
November 7, 2021
Deixo aqui os poemas que achei engraçados:

Quem esculpiu o Amor
e o colocou junto
desta fonte, pensaria
que poderia subjugar,
com água, tal fogo?
— ZENODOTUS

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A esperança rouba o tempo das nossas vidas.
A última madrugada surpreende-nos com tanto por fazer!
— JULIUS POLYAENUS

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Diophon, ao ver outro ser crucificado
em cruz mais alta, morreu de inveja.

Peruca, rouge, mel, cera, dentes;
com o preço de tal maquilhagem
pouparias comprando uma cara nova.
— LUCILIUS

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Se pensas que a barba traz sabedoria,
pede à minha cabra para ser Platão.
— LUCIANO

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Terpes morreu, entre espartanos,
a tocar cítara numa festa;
não foi atingido por espada ou lança,
ficou engasgado com um figo.
Ah! — à morte não faltam ocasiões.
— TRIPHON

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O agricultor Kalligenes, após semear,
consultou o astrólogo Aristófanes —
seria o Verão auspicioso,
a colheita seria abundante?
O astrólogo lançou as pedras,
mirou-as, estalou os dedos e disse:
«Se, Kalligenes, houver bastante
chuva e cair no seu tempo e se as aves
não a infestarem, a geada não a arruinar,
nem o granizo destruir os rebentos,
se as cabras não tosquiarem e nenhuma
calamidade, vinda da terra ou do céu,
ocorrer, profetizo que terás boa colheita.
A não ser que haja praga de gafanhotos.»
— AGATHIAS

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