A Antologia Grega, também conhecida como Antologia Palatina, é uma recolha de poemas, sobretudo epigramas, escritos entre o século VII a.C. e o século VI d.C. Tem as suas origens naquela que foi a primeira antologia conhecida na Grécia, uma recolha de epigramas preparada por Meleagro no século I a.C. No prefácio a essa recolha, Meleagro descreve a organização dos poemas como uma grinalda de flores, colocadas em conjunto com unidade e propósito — uma Antologia, palavra que desde então se tornou corrente para designar uma colecção de trabalhos literários. O trabalho inicial de Meleagro foi sendo continuado ao longo de séculos, por diversos autores e editores, até chegar a conter mais de 4000 poemas, incluindo epitáfios e orações.
Recolhem-se neste livro alguns poemas dessa antologia, em versões portuguesas preparadas pelo poeta José Alberto Oliveira a partir de traduções em inglês.
Médico cardiologista, José Alberto Oliveira nasceu em 1952 em Souto da Casa, Fundão, e vive atualmente em Lisboa. Publicou o seu primeiro livro de poemas em 1992, na Assírio & Alvim, e surpreendeu pelo seu lirismo discreto e pela diversidade temática de aproximação a aspetos do quotidiano, onde além disso são notórias as influências da poesia inglesa. Traduziu Auden, Russell Edson, Frank O’Hara e Charles Simic, entre outros. Foi um dos principais colaboradores do livro «Rosa do Mundo — 2001 poemas para o futuro».
Já li alguns poetas contemporâneos (e portugueses), que me vi "grega" para os entender (e aguentar). Destes gregos antigos (e muitos de antes de Cristo), percebi tudo e ainda me ri...
➖➖➖➖➖➖➖ Quem esculpiu o Amor e o colocou junto desta fonte, pensaria que poderia subjugar, com água, tal fogo? — ZENODOTUS
➖➖➖➖➖➖➖ Mandaste chamá-la, disseste para vir, preparaste tudo. Mas, se vier, o que farás? Repara no que se passa contigo, Automedon. Esse canalha, que era alegre e firme, está agora flácido, como cenoura cozida, morto e encolhido entre as pernas. Como irão rir se te puseres a navegar de mãos vazias, um remador que perdeu o remo. — AUTOMEDON
➖➖➖➖➖➖➖ A esperança rouba o tempo das nossas vidas. A última madrugada surpreende-nos com tanto por fazer! — JULIUS POLYAENUS
➖➖➖➖➖➖➖ Diophon, ao ver outro ser crucificado em cruz mais alta, morreu de inveja.
Peruca, rouge, mel, cera, dentes; com o preço de tal maquilhagem pouparias comprando uma cara nova. — LUCILIUS
➖➖➖➖➖➖➖ Se pensas que a barba traz sabedoria, pede à minha cabra para ser Platão. — LUCIANO
➖➖➖➖➖➖➖ Agora estás pronto, mas quando Nemesenus se oferecia, ficaste que nem bandeira em acalmia. Ainda que erecto e furibundo, chora sem piedade, não emprestarei a mão. — SCYTHINUS
➖➖➖➖➖➖➖ Todas as mulheres dão penas, excepto por duas vezes: na cama e mortas. — PALLADAS
➖➖➖➖➖➖➖ Terpes morreu, entre espartanos, a tocar cítara numa festa; não foi atingido por espada ou lança, ficou engasgado com um figo. Ah! — à morte não faltam ocasiões. — TRIPHON
➖➖➖➖➖➖➖ O agricultor Kalligenes, após semear, consultou o astrólogo Aristófanes — seria o Verão auspicioso, a colheita seria abundante? O astrólogo lançou as pedras, mirou-as, estalou os dedos e disse: «Se, Kalligenes, houver bastante chuva e cair no seu tempo e se as aves não a infestarem, a geada não a arruinar, nem o granizo destruir os rebentos, se as cabras não tosquiarem e nenhuma calamidade, vinda da terra ou do céu, ocorrer, profetizo que terás boa colheita. A não ser que haja praga de gafanhotos.» — AGATHIAS
Quem esculpiu o Amor e o colocou junto desta fonte, pensaria que poderia subjugar, com água, tal fogo? — ZENODOTUS
------------- A esperança rouba o tempo das nossas vidas. A última madrugada surpreende-nos com tanto por fazer! — JULIUS POLYAENUS
------------- Diophon, ao ver outro ser crucificado em cruz mais alta, morreu de inveja.
Peruca, rouge, mel, cera, dentes; com o preço de tal maquilhagem pouparias comprando uma cara nova. — LUCILIUS
------------- Se pensas que a barba traz sabedoria, pede à minha cabra para ser Platão. — LUCIANO
------------- Terpes morreu, entre espartanos, a tocar cítara numa festa; não foi atingido por espada ou lança, ficou engasgado com um figo. Ah! — à morte não faltam ocasiões. — TRIPHON
------------- O agricultor Kalligenes, após semear, consultou o astrólogo Aristófanes — seria o Verão auspicioso, a colheita seria abundante? O astrólogo lançou as pedras, mirou-as, estalou os dedos e disse: «Se, Kalligenes, houver bastante chuva e cair no seu tempo e se as aves não a infestarem, a geada não a arruinar, nem o granizo destruir os rebentos, se as cabras não tosquiarem e nenhuma calamidade, vinda da terra ou do céu, ocorrer, profetizo que terás boa colheita. A não ser que haja praga de gafanhotos.» — AGATHIAS