Uma boa (mas não excelente) biografia do Einstein. Acho que o Isaacson tem como virtude explorar bastante a faceta pessoal dos seus personagens. Foi isso o que encontrei no livro dele sobre o Leonardo da Vinci e que também está aqui.
Por outro lado, acho que ele não é dos melhores para explicar as particularidades da obra do seu biografado. Acho que essa era a falha maior do seu livro sobre o Leonardo e acho que esse é também o ponto mais vulnerável desse livro.
Aqui, a coisa é ainda mais complicada. Explicar ciência não é uma coisa fácil, ainda mais quando envolve um campo tão pouco intuitivo (e tão longe do senso comum) quanto a relatividade.
Um dos outros pontos negativos é o modo como trata a relação, digamos social, de Einstein com o mundo da ciência. Em “A decodificadora”, o Isaacson conseguiu apresentar ao leitor o modo como funciona a ciência de um ponto de vista social, ou seja, como é ser um cientista nos dias de hoje.
Isso não vai tão bem aqui. O Einstein é um caso muito curioso e provavelmente impossível de ser replicado. Talvez só possa ser compreendido dentro daquela realidade do início do século XX: um sujeito fora do circuito, sem um emprego dentro de uma universidade, trabalhando à margem e que consegue se inserir no sistema de produção de conhecimento científico, i. e., publicar em um revista científica de renome (mesmo sendo só um funcionário do escritório de patentes da Suíça), ter um reconhecimento pelos principais cientistas da época e ter se tornado um nome de referência.
Do mesmo modo, a segunda parte da vida do Einstein (talvez com exceção de um artigo publicado em 1935) é a transição (mesmo trabalhando no Instituto de Estudos Avançados de Princeton) de cientista para celebridade e ativista político.
Por fim, o Isaacson simplesmente ignora (exceto por uma referência sobre cactos) a passagem do Einstein pelo Brasil e pela América do Sul.
Enfim, um bom livro, ajuda, mas que é insuficiente para compreender o cientista Einstein.