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Vinte Horas de Liteira

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5.ª

"O progresso é uma voragem!
A liteira já se debate nas fauces do monstro. Vai cair a fatal hora! Daqui a pouco, a liteira desaparecerá da face da Europa.
O derradeiro refúgio da anciã era Portugal. Nem aqui a deixaram neste museu de antigualhas! Nem aqui! A pobrezinha, a decrépita, coberta do pó e suor de sete séculos, tirita estarrecida de pavor, escutando o hórrido fremir do wagon, que bate as crepitantes asas de infernal hipogrifo.
Ao passo que o vapor talava os plainos, galgava ela, espavorida, os desfiladeiros para esconder-se. Mas o camartelo e o rodo escalaram o agro e penhascoso das serras, e a liteira, acossada pelo char-à-bancs, sumiu-se ainda nas veredas pedregosas, e acoitou-se à sombra do solar alcantilado e inacessível ao rodar da sege."

267 pages, Paperback

First published January 1, 1864

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About the author

Camilo Castelo Branco

622 books299 followers
«Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (1825-1890) foi um dos escritores mais prolíferos e marcantes da literatura portuguesa contemporânea tendo sido romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor. Teve uma vida atribulada, que lhe serviu muitas vezes de inspiração para as suas novelas. Foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente do que escrevia. Durante quase 40 anos, entre 1851 e 1890, escreveu à pena, logo sem qualquer ajuda mecânica, mais de duzentas e sessenta obras, com a média superior a 6 por ano. Prolífico e fecundo escritor, deixou obras de referência na literatura lusitana. Apesar de toda essa fecundidade, Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco não permitiu que a intensa produção prejudicasse a sua beleza idiomática ou mesmo a dimensão do seu vernáculo, transformando-o numa das maiores expressões artísticas e a sua figura num mestre da língua portuguesa.»
Fonte; http://www.luso-livros.net/biografia/...


Camilo Ferreira Botelho Castelo-Branco (1st Viscount de Correia Botelho), was born out of wedlock and orphaned in infancy. He spent his early years in a village in Trás-os-Montes. He fell in love with the poetry of Luís de Camões and Manuel Maria Barbosa de Bocage, while Fernão Mendes Pinto gave him a lust for adventure, but Camilo was a distracted student and grew up to be undisciplined and proud.

He intermittently studied medicine and theology in Oporto and Coimbra and eventually chose to become a writer. After a spell of journalistic work in Oporto and Lisbon he proceeded to the episcopal seminary in Oporto in order to study for the priesthood. During this period Camilo wrote a number of religious works and translated the work of François-René de Chateaubriand. Camilo actually took minor holy orders, but his restless nature drew him away from the priesthood and he devoted himself to literature for the rest of his life. He was arrested twice, the second time due to his adulterous affair with Ana Plácido, who was married at the time. During his incarceration he wrote his most famous work "Amor de Perdição" and later it inspired his "Memórias do Cárcere" (literally "Memories of Prison"). Camilo was made a viscount (Visconde de Correia Botelho) in 1885 in recognition of his contributions to literature, and when his health deteriorated and he could no longer write, Parliament gave him a pension for life. Going blind (because of syphilis) and suffering from chronic nervous disease, Castelo Branco committed suicide in 1890.

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28 (30%)
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31 (33%)
2 stars
6 (6%)
1 star
1 (1%)
Displaying 1 - 9 of 9 reviews
Profile Image for Maria.
318 reviews33 followers
April 19, 2022
Provavelmente o livro de Camilo Castelo Branco que mais prazer me deu a ler.
Achei genial.
Profile Image for Dani.
134 reviews26 followers
Read
November 12, 2022
Este livro está dividido em contos e só li um deles porque tive de apresentar em literatura portuguesa. Não tenciono ler o resto. Sinceramente não acho que valha a pena perder tempo com um livro que não tenho interesse.
Profile Image for Luís Paz da Silva.
63 reviews19 followers
October 26, 2014
Por alturas de Vila Real, Camilo apanha boleia na liteira do amigo António Joaquim, um minhoto com um bornal cheio de histórias. Nas 20 horas de viagem que ligam a capital transmontana ao Porto, as histórias sucedem-se sempre salpicadas pelo humor mordaz de Camilo. É, no fundo, uma forma engenhosa de construir um livro de contos, ligados entre si pelas circunstâncias da viagem. É também um livro de alguma auto-crítica, no geral benevolente, bastante mais verrinosa, nas páginas iniciais, às tendências do movimento realista que começa a instalar-se no panorama ds letras de então - na altura em que a obra é escrita (1864), ainda de forma embrionária em Portugal, mas já de vento em popa em França, através de Balzac e Flaubert. Atente-se que a Madame Bovary fora publicada 7 anos antes, em 1857. Neste pequeno livro, que tenho o privilégio de ler numa edição de 1907 da Parceria António Maria Pereira na grafia original, Camilo apresenta-se de excelente humor: não está na senda dos livros pesados, sombrios, todos pintados à brocha grossa do romantismo, de que é mestre e figura de proa. É, pelo contrário, um livro bem disposto, de leitura célere, onde o autor não deixa de "meter-se" com os lugares-comuns do romantismo, das Ophelias e das Elviras.
Recomendo o que sempre recomendo para a leitura de uma obra de Camilo: tenham um dicionário à mão. Afinal, de Camilo dizia Eça tratar-se do homem que, em Portugal, mais palavras do dicionário conhecia. E era.
Profile Image for David.
1,690 reviews
November 26, 2025
What is a story? We can say it’s something made up, a fiction, fictional, fictitious. A good story holds our attention making us believe it, even if it may not even be true. Perhaps nothing more than a bunch of lies? Why not suspend our disbelief for now.

Imagine two men packed in a small tight carriage in the mid 1800s. It’s called a liteira in Portuguese. They make a journey from Villa Real to Porto in Portugal, a distance of about 100 km. It takes them twenty hours. One man is António Joaquim, a friend and travelling companion of an unnamed author, presumably Camilo Castelo Branco himself.

There is not much to do but talk. A good way to pass the time is to tell stories. António isn’t much of a fan of novels his friend writes about. Nope, he likes tales of werewolves and things that go bump in the night. António wants his writer friend to convince him about the merits of the literary novel. He wants proof and offers up some of his own thoughts.

First António tells the first tale about a horse that saves his rider based on a novel the author wrote, called “A woman who saves.” It’s a bit far fetched but is it a story worth printing? He follows with another tale, “Cursed be you who take up gambling.” A bit preachy. He follows with a Portuguese woman who nurses a French soldier back to health, then a woman who gets jilted and tells her husband to keep all the windows shut for thirty years. Sentimental? A comendador returns to find a man who saved his son, a woman who marries a foundling and has her life turned around or how about an older woman who was wooed by a much younger poet and a ring that messes up everything.

I could go on as there are fifteen stories spun by this friend of the novelist. At one point they debate the merits of writers and António calls them out for who they are, deceitful people. Ouch. And to make things spicier, a story about liteiras pulled by oxen. The spicy part is a woman with a Pasiphaë complex (think Minotaur).

Hey, anything to pass the time on a road trip. Today we put on music and look at the scenery (which by the way, the scenery is oddly missing in this book). They make it to Porto and the friends go their separate ways (okay, I lied, some stuff happens). Now spoiler alert, and if it doesn’t seem to obvious, the author writes a book about their travels. Then our author decides to make a special visit and let’s just say, the ending just got even better. The last line is hilarious!

This was written in 1864. Is this the first meta novel?

PS I read the recent ebook by Projecto Adamastor and GR doesn’t have the link to this book. Here is a good image of what the two travelled in on the cover:

https://projectoadamastor.org/vinte-h...
Profile Image for Plano Nacional de Leitura 2027.
345 reviews554 followers
Read
April 7, 2020
«Em vinte horas de Liteira, Camilo Castelo Branco desenvolve uma reflexão em regime dialógico acerca da literatura, da narrativa e de diversos aspetos da sua composição. É em viagem com o amigo António Joaquim, durante vinte horas balanceadas numa liteira, que o romancista ouve histórias e responde com comentários e com o testemunho da sua experiência literária.» [da contracapa]

CDU:
821.134.3-31

Livro recomendado PNL2027 - 2019 2.º Sem. - Literatura - dos 12-14 anos - dos 15-18 anos - maiores 18 anos

http://www.pnl2027.gov.pt/np4/livrosp...
Profile Image for Marta Moura.
10 reviews
September 17, 2024
Camilo vai de viagem até ao Porto, numa liteira, com o seu amigo António Joaquim. É António que narra/ conta uma série de episódios que ele presenciou com diversas pessoas, caricatos e sarcásticos. Camilo aproveita-se dessas narrativas e cria esta "novela". sinto que está muito aquém do poder criativo de Camilo, mas tem o seu quê de cómica.
Profile Image for Patricia Posse.
252 reviews2 followers
February 10, 2025
A propósito de uma viagem, os interlocutores partilham histórias que se traduzem em contos irónicos, familiares, humorísticos e profundamente vividos.
Profile Image for Tania Ramonde.
76 reviews16 followers
December 29, 2016
Amor, dinero y clase social tejen el contexto de estas quince historias cortas, costumbristas y divertidas. Con ellas, el autor dibuja pinceladas de la vida rural de finales de 1800 en Portugal, en la que no faltan labradores, emigrantes, militares...

Un libro asequible para lectores con poco nivel de portugués (será necesario diccionario) que deseen aproximarse a uno de los autores más leídos y estudiados de la literatura portuguesa.
Profile Image for Vasco Ribeiro.
408 reviews5 followers
January 1, 2016
camilo no seu melhor nas conversas com A personagem narrador de 12 ou 13 pequenas histórias numa viagem entre os dois entre Vila Real e Porto com passagem pela estalagem dos percevejos em baltar.
Histórias moralistas, umas, divertidas outras com órfãos, dinheiro, brasileiros, redenções, regenerações, quedas, etc
Histórias passadas no entre douro e minho
Displaying 1 - 9 of 9 reviews

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