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Os Bestializados: O Rio de Janeiro e a República Que Não Foi

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1888: Abolição do trabalho escravo. 1889: Proclamação da República. Neste livro, José Murilo de Carvalho convida-nos a revisitar o Rio de Janeiro em suas primeiras encenações como Capital Federal. Cidade Maravilhosa, se acrescentarmos ao belo, o terrível; ao cômico, o trágico; à lógica, a loucura.
Cidade mais que imperfeita, palco de políticas oficiais e invisíveis, de enredos conhecidos e mistérios insolúveis.
História social e literária, antropologia urbana, crítica cultural, análise política: o autor atravessa com brilho todos esses campos para reconstruir de forma originalíssima os impasses de uma República nascente, que teimam em perturbar ainda o sono das elites brasileiras.
Os Bestializados de ontem e de hoje são a face oculta de nosso modernismo: a cidade permaneceu alheia e atônita, buscando perdidamente seus cidadãos.

196 pages

First published January 1, 1987

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About the author

José Murilo de Carvalho

35 books48 followers
José Murilo de Carvalho é um cientista político e historiador brasileiro, membro desde 2005 da Academia Brasileira de Letras. Junto com o jurista e professor Celso Lafer, é o único historiador brasileiro a ser membro dessa Academia e também da Academia Brasileira de Ciências.

Professor da Universidade Federal de Minas Gerais e do IUPERJ por vinte anos, é também professor titular de História do Brasil no Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

José Murilo de Carvalho é o sexto ocupante da Cadeira 5 da Academia Brasileira de Letras, eleito em 11 de março de 2004, na sucessão de Rachel de Queiroz. Foi recepcionado em 10 de setembro de 2004 pelo acadêmico Affonso Arinos de Mello Franco.

(Fonte: Wikipédia, 16/04/2014)

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Displaying 1 - 18 of 18 reviews
Profile Image for Lucas.
164 reviews34 followers
January 9, 2022
Esse livro é uma aula de como fazer uma análise social com amplo uso de evidências provenientes de diversificadas fontes históricas. José Murilo de Carvalho reconstrói aqui a sociedade do Rio de Janeiro do final do século XIX e início do século XX através de documentos que manifestavam a opinião de membros da elite sobre o país, relatos do cotidiano feitos nos jornais, bem como informações obtidas pelo censo. Esse esforço de reconstrução é feito para tentar explicar um aparente paradoxo do Rio de Janeiro no período: a aparente apatia política da população e o surto de participação civil materializado na Revolta da Vacina.
O livro deve ser lido inteiramente, mas para os interessados apenas no argumento principal o último capítulo é suficiente.

Um grande desafio da democracia no Brasil é o pleno exercício da cidadania por parte da população. Esse livro mostra como essa tarefa foi extremamente dificultada pelas circunstâncias históricas e sociais em que a república foi estabelecida no país.
Profile Image for Lea.
501 reviews84 followers
October 24, 2018
Li para pesquisa. O livro é excelente para estudiosos. Não recomendaria para o público em geral pela especificidade do assunto, acho que não seja de interesse geral. A escrita em si não é difícil de entender.
Profile Image for Erick Carvalho.
82 reviews11 followers
December 29, 2025
Em “Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi”, José Murilo de Carvalho faz da capital federal, nas décadas iniciais da República, um microcosmo privilegiado da experiência histórica brasileira. Através da análise do cotidiano, das revoltas populares e da frágil cidadania no Rio, o historiador desvela o abismo entre as instituições formais copiadas de modelos europeus e a realidade social de um povo excluído, visto pelas elites como uma “bestializada” incapaz de participar da vida política. O aviso central do livro é cristalino e perene: chamar a atenção para o cidadão brasileiro que não é, nem nunca será, europeu. Muito pelo contrário, a tentativa de impor um projeto civilizatório estrangeiro, sem considerar a formação social mestiça, os arranjos políticos locais e as profundas desigualdades, gerou uma República excludente e uma cidadania capenga, alertando que a verdadeira nação só se constrói a partir do reconhecimento de sua gente real, e não de ideais importados e distorcidos.
Profile Image for Thiago Da silva.
101 reviews4 followers
August 19, 2022
Obra prima da historiografia brasileira. Insere-se na linhagem dos autores que pensam o republicanismo singular (e ruim) que criamos no Brasil e termina com a defesa da criação de uma forma própria de República, uma forma capaz de inserir a população na cidadania (o que não fizemos até hoje), mas não seja uma tentativa de decalcar modelos de fora (inadequados à realidade brasileira).
2 reviews
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November 13, 2020
A história por trás da estátua do Cristo Redentor do Rio

Elevando-se a 700 metros acima da cidade do Rio, a estátua do Cristo Redentor fascina especialistas e historiadores há quase cem anos.

É a quarta maior estátua de Jesus Cristo no mundo, a maior escultura em estilo Art Déco do planeta, e ainda por cima, em 2007 a estátua foi considerada uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo junto com Machu Picchu , a Grande Muralha da China e o Coliseu Romano.

Empoleirada no cume do Monte Corcovado no Rio, a estátua tem uma altura colossal de 98 pés (ou 30 metros) (dois terços da altura da Estátua da Liberdade de Nova York), e seus braços estendidos chegam a 92 pés (ou 28 metros) horizontalmente.

A estátua não é apenas o marco mais conhecido do Rio, mas também se tornou um ícone cultural do Brasil. Porém, o mais importante é que a estátua se tornou um símbolo global do cristianismo que atrai milhões de crentes e não crentes ao topo do Monte Corcovado todos os anos.

A origem fascinante por trás do marco mais famoso do Rio
A ideia de desenhar uma enorme estátua de Jesus Cristo no Rio surgiu pela primeira vez na década de 1850, quando um padre local teve a ideia de colocar um monumento cristão no topo do Monte Corcovado. Aparentemente, ele havia pedido à princesa Isabel (filha do imperador Pedro II e da princesa regente do Brasil na época), para financiar o projeto, mas a ideia foi desfeita depois que uma Declaração da República foi declarada no Brasil em 1889 - um movimento culminante como separou a igreja do estado no país.

Só depois da Primeira Guerra Mundial, a arquidiocese católica romana no Rio e um grupo de habitantes locais começaram a se preocupar com a "falta de fé religiosa" na comunidade brasileira, e esperava-se que colocassem uma enorme estátua de Jesus em topo de uma montanha no Rio, se rebelaria contra o que eles viam como uma “crescente impiedade” no país. Foi solicitado que a estátua fosse colocada no topo do Monte Corcovado para que fosse visível de qualquer lugar e de todos os lugares do Rio, e assim representasse uma forma de “recuperar o Rio” (que era a capital do Brasil na época) para o Cristianismo.

É tudo sobre os detalhes
O design da estátua é graças não a um, mas a um punhado de designers diferentes que trabalharam a estátua ao longo de um período de nove anos. Na época de sua conclusão, a construção da estátua custou $ 250.000 (ou o equivalente a $ 3,4 milhões hoje em dia) e foi financiada inteiramente pela comunidade católica no Brasil.

Inicialmente, o engenheiro brasileiro Heitor da Silva Costa desenhou a estátua como Jesus carregando uma cruz em uma mão e um globo na outra, e também teve a ideia de que a estátua “enfrentasse o sol nascente” do alto da montanha . Eventualmente, Lula Costa mudou de ideia e decidiu projetar a estátua em uma enorme estátua de estilo Art Déco que é vista hoje, com Jesus Cristo estendendo os braços, como se para receber os cidadãos do Rio de braços abertos (literalmente )

O rosto, por outro lado, foi desenhado pelo artista romano Gheorghe Leonida, enquanto o desenho Art Déco da estátua foi graças ao trabalho de Paul Landowski (um escultor franco-polonês), que passou vários anos projetando a estátua em peças de barro. que posteriormente foram embarcados para o Brasil e refeitos com concreto.

Então ... como a estátua foi parar lá?
Uma das muitas coisas que confundem qualquer um que festeja seus olhos com a estátua pela primeira vez é, como diabos a estátua chegou lá em primeiro lugar?

Por causa do tamanho enorme da estátua, ela foi na verdade montada no topo do Monte Corcovado, e todos os materiais necessários (assim como os trabalhadores) foram transportados montanha acima em um pequeno trem de roda dentada; (que na época era usado principalmente para levar os turistas ao topo da montanha para ver as vistas).

Os trabalhadores usaram longos postes de madeira para atuar como andaimes durante a fase de construção, e eles realmente tiveram que dimensioná-los para colocar todos os materiais no lugar certo - uma tarefa que deve ter sido realmente assustadora em todos os sentidos da palavra, mas simbolizada a intensa fé religiosa dos locais, acima de tudo.
Profile Image for Anderson Paz.
Author 4 books19 followers
September 2, 2025
O livro analisa se o povo assistiu bestializado ao surgimento da República na capital do Rio de Janeiro. Carvalho demonstra como a "estadania" foi construída: uma cidadania por meio do Estado em uma relação súdito que pede ao senhor. O povo não se engajou na participação formal da cidadania, como eleições. Isso não significava que o povo não fosse engajado politicamente, mas apenas que os meios formais não lhes era dado a uma sociedade sem formação cívica. A Revolta da Vacina, de 1904, ilustrou como havia uma tensão entre população e governo que, ao ameaçar com intervenção na vida privada, foi resistido por vários setores sociais. Ao fim e ao cabo, o Estado republicano não se tornou integrativo do povo. O povo se integrou por comunidades, como igrejas e associações, e por gostos culturais, como futebol e carnaval. Existe no Brasil uma cidadania diferente da européia.



No clássico “Os bestializados”, o historiador José Murilo analisa o Rio de Janeiro logo após a instalação da República (década de 1890). Ele investiga se o povo do Rio de Janeiro assistiu “bestializado” ao surgimento da República. Sua análise apresenta importantes traços da cidadania brasileira:

1) José Murilo identifica que naquela época prevaleceu uma “estadania”. O povo do Rio de Janeiro, como o brasileiro em geral, observava o Estado, não como âmbito para participação coletiva mas, como um meio para conseguir direitos sociais. A cidadania é buscar pertencer ao Estado.

2) O povo do Rio de Janeiro não era muito dado a uma participação formal no processo político, nem gostava da aplicação literal da lei. Em geral, o brasileiro gosta de política, mas não necessariamente das vias formais, e simpatiza com as instituições desde que não apliquem rigidamente as leis.

3) A Revolta da Vacina de 1904, que segundo Murilo se deu primordialmente porque o povo rejeitou a ideia de o governo invadindo sua privacidade impondo a obrigação da vacinação, sugere que o brasileiro não gosta de político mandando em sua vida privada. O brasileiro gosta do Estado lhe dando direitos, mas não lhe perturbando.

4) A instalação da República não representou a criação de um Estado integrativo para amplos contingentes sociais. O povo do Rio de Janeiro daquela época ficou à margem do poder formal. Em geral, o brasileiro se integra na sociedade e na política por meio da participação em comunidades, como igrejas, associações, não por meio do Estado.

5) Murilo pondera que o brasileiro médio considera que “bestializado” é quem leva a política formal a sério porque se presta a ser manipulado. Na média, o brasileiro tem uma tendência de ver a política como um espetáculo, um tanto hipócrita, que tende mais a atrapalhar do que ajudar. Ainda assim, o brasileiro simpatiza com políticos porque é por meio deles que pode pedir mais direitos, mais Estado.
Profile Image for Monica.
122 reviews15 followers
September 10, 2023
Sabe aquela sensação incômoda que a gente sente quando vê a própria imagem refletida no espelho ao acordar, depois de uma noite mal dormida? Pois foi assim que me senti agora há pouco, quando terminei de ler Os bestializados, o Rio de Janeiro e a República que não foi. Tento desviar meu olhar para outras imagens menos incômodas, mas não consigo. Lá estou eu, a típica cidadã brasileira, refletida no espelho desta “República sem povo”, sentindo-me eternamente perplexa e impotente diante da histórica “carnavalização do poder”.

Esta sensação me feriu a autoestima, mas felizmente não foi capaz de me fazer interromper a leitura pelo meio. Ao contrário: fiquei motivada para ver até onde esta visão despudorada da nossa condição “republicana” poderia me levar. E valeu a pena reler a história dos primeiros anos da República na cidade do Rio de Janeiro (então capital federal), bem ilustrada com fatos curiosos do cotidiano da população carioca.

O capítulo sobre a Revolta da Vacina merece uma recomendação especial, especialmente para aqueles leitores sem paciência para as minúcias dos textos escritos por cientistas políticos: se não puderem/quiserem ler todo o livro, leiam pelo menos este capítulo, que antecede a conclusão da obra. É fantástica a descrição dos fatos e a análise das motivações políticas por detrás deste episódio de 1904, tão pouco estudado nas escolas. Refletir sobre as causas e os desdobramentos da Revolta da Vacina do início do século 20 nos faz, surpreendentemente, mergulhar de cabeça nos tempos atuais, da pós-pandemia.
Profile Image for Beatriz.
3 reviews1 follower
February 28, 2024
“O povo sabia que o formal não era sério. Não havia caminhos de participação, a República não era para valer. Nessa perspectiva, o bestializado era quem levasse a política a sério, era o que se prestava à manipulação. [...] Quem apenas assistia, como fazia o povo do Rio por ocasião das grandes transformações realizadas à sua revelia, estava longe de ser bestializado. Era bilontra.”

O livro traz a análise de três aspectos que são, teoricamente, complementares, mas que, no caso brasileiro e fluminense, se expressaram de maneira disforme; são eles: a consolidação da forma de governo republicana, a vivência urbana e a cidadania idílica.

Quando parte da elite intelectual brasileira, que sonhava com o desenvolvimento do espírito cívico no povo brasileiro, observou que a implementação da República Federal não trouxera de imediato os frutos desejados, colapsaram em desgosto.

"O Rio não tinha povo". O Rio tinha um amontoado de seres apolíticos passivos que não honravam a ideia de cidadania, pensavam alguns estrangeiros. No entanto, quando eclodiu a Revolta da Vacina, mudou-se o discurso: agora o problema não era a falta de povo, e sim a existência demasiada de um povo que não correspondia aos moldes comportamentais dos europeus.

É com essa ambientação na sociedade da capital federal de uma recém república e federação – as quais já nasceram corrompidas – que Os Bestializados procura focar. É um livro recomendável para quem tem curiosidade em conhecer um pouco mais acerca do Brasil Profundo.
Profile Image for igor nolasco.
22 reviews19 followers
August 29, 2021
Boa leitura para quem se interessa em história geral do Brasil e em história do Rio de Janeiro, em particular. Não tenho conhecimento de tanta literatura sobre a República Velha, sinto que há no senso comum a tendência de homogeneizá-la através de conceitos vagos para que ela pareça minimamente palpável enquanto um período ilustrativo entre o final do Império e o começo da Era Vargas, esta sim colocada como representante de uma modernização política do Brasil. O que José Murilo de Carvalho faz no seu "Os Bestializados" é esmiuçar as características inerentes à República Velha através da cidade do Rio e de seu povo, equilibrando contextualização histórica, dados e mesmo algo que se aproxima de uma construção narrativa (dentro dos moldes permitidos por um livro de molde historiográfico). Nesse sentido, utiliza-se da História para fazer a mesma coisa que João do Rio fez, in loco, através da crônica com seu "A Alma Encantadora das Ruas" (que não por acaso é citado no livro de José Murilio): construir, no imaginário do leitor, um Rio de Janeiro nos primeiros anos da República que soe verdadeiramente real, sólido e, principalmente, vivo, personificado em seus habitantes.
Profile Image for Fábio Ferreira.
55 reviews
March 26, 2022
Muito bom! Faz um raio-x da sociedade pós-república, focada no Rio de Janeiro, buscando esclarecer se o povo era alheio a política ou não. José Murilo de Carvalho utiliza a Revolta da Vacina para discutir a questão central do livro. O último capítulo é excelente, sintetiza muito bem a formação do povo brasileiro e, especialmente, do carioca.
Profile Image for Wagner.
10 reviews
January 30, 2020
O texto é um pouco rebuscado, o que pode afastar alguns leitores, mas o conteúdo é muito interessante e mostra como vivia, e reagia, a população brasileira no período pré e pós proclamação da república.
Profile Image for Rafael Rocha.
5 reviews
March 13, 2025
É um livro de história muito bem escrito, não é um livro chato, existe um balanço entre sínteses e exemplificações bastante interessante. Mudou a forma como enxergo a República Brasileira. Não é um livro absolutamente marxista, apesar de ter uma influência clara. Muito bom!
Profile Image for Gustavo Braga .
33 reviews
August 29, 2021
O livro começa bem, mas depois se perde em dados estatísticos para explicar a revolta da vacina. Entretanto, muito bom saber da explicação da origem de uma cultura “carioca” de ser.
12 reviews10 followers
September 27, 2023
Que fantástica era a pena do José Murilo. Parece que é sobre o início do século 20 e sobre o Rio, mas também é sobre hoje e sobre o Brasil todo.
Profile Image for Gabriel Aragón.
6 reviews1 follower
January 19, 2024
O livro é um pouco chato, mas traz uma conclusão muito interessante sobre o suposto fato do cidadão brasileiro ser bestializado durante os grandes efeitos políticos.
Profile Image for Priscilla.
1,929 reviews16 followers
May 22, 2025
Ótimo texto sobre o início da República no Brasil.

O autor traça um retrato da sociedade fluminense e a forma como a política se imuscuía nas relações sociais da alta sociedade ao mesmo tempo em que era ignorada pelo grosso da população, aquela que deveria ser a mais interessada, através de pequenas leis que dificultavam o acesso ou mesmo a ciência desta.

A linguagem é simples, mas não se trata de uma obra de divulgação. Logo, fica restrito aos profissionais da área.

Recomendo.
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