Aos trinta e seis anos, a professora de literatura Helena Remington apaixona-se loucamente por um italiano de visita a Lisboa. O romance entre os dois, intenso e tórrido, é, porém, abruptamente interrompido por um acidente de automóvel na costa italiana onde ambos passavam férias.
Decorridos vinte anos sem notícias de Fabrizio, Helena recebe uma carta da filha dele com um pedido ousado e urgente. Para o satisfazer, terá de lançar-se na mais arriscada aventura da sua vida, envolvendo-se com gente perigosa numa autêntica corrida contra o tempo. Tudo para salvar o homem que tanto amou.
Muitos anos mais tarde, Carlos - o sobrinho-neto preferido de Helena - conhece Francesca, uma rapariga italiana que também precisa de ser salva e que o destino transforma em tradutora de cartas de amor.
Parem todos os Relógios é uma narrativa fluida e aliciante sobre as consequências do amor, que combina magistralmente elementos de thriller policial, história de amor e épico familiar.
Nuno Amado nasceu em Lisboa, onde se licenciou em Psicologia Social e das Organizações e Psicologia Clínica. É doutorado em Psicologia do Desenvolvimento pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada/Universidade Nova. Actualmente divide a sua actividade entre a prática clínica e o ensino, ocupando a posição de Professor Adjunto no Instituto Superior de Educação e Ciências. As suas actividades de investigação têm-lhe permitido publicar e participar em vários congressos científicos em Portugal e no estrangeiro. No nosso país, é pioneiro no estudo da Psicologia do Amor.
Helena, uma professora na casa dos trinta, apaixona-se por Fabrizio, um italiano casado. Devido a um acidente de carro, esta relação termina, e cada um segue a sua vida. Anos mais tarde, Helena embarca numa missão para salvar Fabrizio. Paralelamente, Carlos, o seu sobrinho-neto, conhece Francesca e, com ela, descobre que a tia Helena teve uma vida repleta de paixões intensas e aventuras marcantes.
O amor é um ditador que, em nome da sua utopia, tem de destruir tudo o que o precedeu. E, quando o ditador é deposto, quando as suas políticas fracassam, quando é assassinado ou foge para um exílio distante, sucede-se a guerra, o caos, o vazio.
A ideia de se terem perdido um do outro para sempre colou-lhe uma mágoa fria e pegajosa à pele. Tudo lhe pareceu absurdo. De que lhe servia agora ter sentido durante meses uma alegria tão pura? Para quê experimentar uma paixão que semeara o mundo de encanto para a ver terminar sem aviso? Era como um cego que fora curado mas, assim que começara a aprender o nome das cores, perdera de novo a vista.
Era inevitável, pensa Helena. As mulheres têm de pagar sempre pelos pecados dos homens que amam. Assim fora com Costanza, assim era agora com ela e com Isabella. Valeria a pena? Por quanto sofrimento se pode comprar um momento de êxtase? Que preço em lágrimas pode saldar todas as dívidas que um amor acumula? Se Costanza soubesse que o seu busto iria ser admirado por séculos e séculos, teria aceitado melhor a sua desgraça? Os três gestos eram o mesmo, pensa. Bernini quisera possuir a beleza de Costanza. Fizera-o com o seu sexo, o seu escopro e a faca do seu servo. Ao desfigurar a modelo, a sua escultura seria o único vestígio dessa beleza, um resquício feito por si, assinado com o seu nome. E nesses três gestos estava tudo o que a paixão pode fazer: esquecer-se do mundo, criar e destruir.
O autor tem uma escrita simples e uma linguagem cuidada. A história está bem construída e repleta de pormenores maravilhosos. No entanto, as partes de Carlos e Francesca no Algarve pareceram-me escritas por outra pessoa.
Até meio gostei bastante, a partir daí e até ao final foi a derrocada das estrelas acumuladas. Comecei por me irritar quando as personagens, já bem conhecidas, começam a ser nomeadas pela nacionalidade — a portuguesa, o italiano, o português, a italiana — e terminei enfastiada com o lento, repetitivo, atabalhoado e inverosímil desenrolar da teia, inicialmente bem tecida. Não sei se foi o Nuno Amado que não teve tempo de rever a totalidade do livro, e marchou como estava, ou se está bem assim e eu sou uma cabeça de sopa*. 4 estrelas para a primeira metade, 2 estrelas para a segunda.
* “há pessoas que são cabeça de sopa. Em vez de cérebro, têm uma tigela de sopa cheia até acima." (Página 65)
Primeiro adorei a capa e depois a sinopse intrigou-me. Então eu parti para esta leitura. Gostei muito desta história, da forma como está escrita. Esta nova geração de escritores portugueses está a mostrar-se muito boa.
Nada me dá mais satisfação, enquanto leitora, do que ler um livro de um autor nacional que não conhecia e que me conquista logo às primeiras páginas. Foi exactamente o que me aconteceu com Nuno Amado, com o livro “Parem Todos os Relógios”.
E é por isto que gosto tanto de autores portugueses da minha geração...! Escrita simples e fabulosa, uma mecânica bem montada, nada de pontas soltas, muita ternura, muito amor, a dose certa de tentar adivinhar o que vem a seguir...
Confesso que tenho gostado mais dos Finalistas do Prémio Leya do que propriamente dos vencedores e este livro volta a repetir o acontecimento. Comecei por achar curioso o facto da trama central ser entre uma tia e um sobrinho, nunca tinha lido nada com este grau de parentesco. Depois fiquei completamente envolvida com a sensibilidade da linguagem e os estados de alma dos personagens, por momentos achei até que estava a ler uma autora feminina mas depois vi que o Nuno Amado tem formação em Psicologia e entendi como fez bem uso dessa sua habilitação. Achei a história bem estruturada e, apesar de despertar aquela ansiedade em querer saber o desenlace, ao mesmo tempo não queria que terminasse para continuar a saborear a narrativa.
Uma agradável surpresa num escritor que eu desconhecia! Uma escrita diferente, envolvente que me fez viajar num vai-vem de épocas admiravelmente entrelaçadas! Recomendo!
Muito mais do que um romance. É a vida em cada um de nos acontecendo. São as vidas e suas histórias se entrelaçando deixando a sua marca em cada um que passa. É a escolha entre ver o lado positivo das coisas e deixar-se afundar nos pensamentos negativos. É muito mais profundo do que a sinopse descreve. Só lendo para descobrir. E ler e ler e ler…
O verão e o ano ainda não acabaram e eu sei que este é o meu livro de 2024.
Não conhecia o escritor, nunca tinha lido nenhuma obra dele e não tenho vergonha de admitir que li este livro apenas porque o comprei por 5€, no Pingo Doce. Tal como já tinha dito e volto a dizer, estes foram os melhores 5€ da minha vida, hoje em dia já nem um maço de cigarros comprava que me desse tamanha felicidade. Embora por natureza tenha grande facilidade em ler sob qualquer circunstância, eu devorava este livro onde quer que fosse. Li isto na cama, num restaurante barulhento, numa esplanada à beira-mar. Dei por mim a cometer o ridículo de ler mais devagar para não o terminar tão rápido. Nunca fui de fazer comentários quanto à escrita de algo ou alguém, porque nunca me senti entidade para o fazer, mas vou-me permitir a audácia de dizer que achei a escrita brilhante. Dentro dos meus gostos, de um bom "storytelling", com boa conta entre diálogo e descrição, este livro chegou a todas as partes do meu cérebro onde devia ter chegado. Vou evitar ser descritiva sobre a história, porque não me perdoaria deixar aqui um spoiler mas, para uma história que anda entre várias épocas e sob a perspetiva de diferentes personagens, nunca houve nenhuma dificuldade em saber que capítulo era sobre quem. Achei delicioso ter nas minhas mãos um livro que falasse com tanto pormenor em amar a nossa situação atual, em procurar a beleza nas coisas pequenas e não deixar que uma vida "diferente" nos deixe para sempre amargurados. Nunca pensei chorar com uma descrição relativa à felicidade que podemos sentir ao dar um passeio e apreciar as flores, mas, de facto, isso aconteceu.
Ótimo trabalho, Nuno. Amigos, irei impingir este livro a toda a gente que eu conheço, desculpem.
Gosto muito de traduzir estas reviews para inglês, porque hoje em dia é fixe ser poliglota, mas acho que este merece só estar em português.
No domingo estava sem qualquer vontade de pegar num livro físico… pensei “vou viajar e não quero levar muito peso comigo”. Foi então que decidi pegar no meu Kobo e escolher um dos muitos ebooks que tenho por lá.
Escolhi um pouco ao acaso e acabei por ter uma ótima surpresa. Não só conheci um novo autor português como fiquei encantada com a narrativa!
O livro está extremamente bem escrito, sem pretensiosismos e de uma forma fluída.
Apaixonei-me pela personagem Helena e revi-me na sua garra, como nunca me tinha acontecido antes.
Gostei das histórias de amor que se entrelaçam, sejam as amorosas, as familiares ou as de amizade. ❤️
Este enredo devolveu-me muitos pensamentos que me fazem acreditar que vale a pena viver ao máximo, grata, até ao último suspiro.
Para finalizar, a forma como o autor nos relata os acontecimentos em constantes analepses e prolepses aguça no leitor a curiosidade de saber tudo, de forma a compreender a história no seu todo.
Fiquei super entusiasmada para ler outra coisa de Nuno Amado 😍
Gostei muito. Andei ali perdida no início a tentar perceber quem era quem, mas depois quando as peças se começaram a encaixar, tudo fez sentido. Os dramas, as dúvidas e a história de cada personagem são descritas de forma absolutamente maravilhosa. Foi o meu primeiro livro do Nuno Amado e fiquei com vontade de conhecer mais.
Para prémio Leya, não me parece que seja assim tão bom, no entanto, o autor desencantou uma história invulgar, e a voz interior dos personagens é muito boa. Gostei.