Não sendo eu uma pessoa religiosa, este livro foi-me indicado por um amigo que, na sequência de uma conversa, mo emprestou para responder à pergunta que eu lhe tinha feito: “se Deus existe, porque sofremos?” A tese de Vasco Pinto de Magalhães é interessante, principalmente do ponto de vista filosófico. O autor incentiva o leitor a encarar o sofrimento da vida de uma maneira diferente, tentado substituir o porquê pelo para quê. Ou seja, no fundo, o que nos é transmitido é que Deus, no seu infinito amor, dando liberdade plena aos seus filhos, deixa-nos actuar na vida, sendo expectável que, com todas as dificuldades que ela nos vai apresentando, possamos aprender com os seus rigores e melhorar a nossa vivência, individualmente e em comunidade. Percebo a mensagem e considero-a francamente positiva, mas sinto que o autor não logrou responder à pergunta a que se propôs responder. Eu, que sou ateu, continuo a não conseguir compreender como é que um Deus omnipotente, senhor do Universo, consegue assistir passivamente ao sofrimento de tantos. Essa dúvida é ainda mais aguda quando as pessoas que sofrem são absolutamente inocentes, isentos de “mácula” e que, por esse motivo, não “abusaram da sua liberdade”, como o autor refere. Enfim, são dúvidas pessoais, às quais o referido livro não conseguiu responder. De todo o modo, pela escrita clara e pelo raciocínio interessante, recomendo a leitura deste pequeno livro.
Li este pequeno livro há uns cinco anos e regresso à sua leitura atual. É bom retomar questões e inquietações, buscando respostas que nos fazem crescer e colocar os temas em diferentes perspetivas. Vasco Pinto de Magalhães fá-lo claramente em “Se Deus é bom, porque sofremos?”. O propósito não é o de constituir um tratado ou uma obra completa sobre o tema, mas o de procurar enquadrar a questão, respondendo com um patamar mínimo de concordância (desde logo, o que é o bem ou mal, ou ainda o “correr bem” ou o correr mal”). Assim, coloca a questão desde o início, procurando evitar enganos de atitude («não enfrentar a questão; ser simplicista e dizer que é mistério, que não é para perceber; tentar “desculpar” Deus, afirmando que a culpa é do diabo; não se questionar; não nos pormos em causa; tentar justificar ou explicar o mal ficando em racionalizações filosóficas ou psicológicas» - p. 17). Depois de contextualizar, lembra que a questão deve também ser “para quê”, considerando que a omnipotência de Deus não se constitui no poder ou fazer, mas no amor, atenta a liberdade: uma verdadeira conformação interna dos corações que leva ao agir no mundo. Por fim, evitando conceções paternalistas, lembra que Deus também sofre. A reflexão é rica e pode ser aprofundada noutros textos. Aqui, o propósito será o (auto-)questionamento, através de um texto expositivo e de uma entrevista sobre o mesmo tema concedida à Rádio Renascença. No final, temos um testemunho de Luís Nazareth sobre o mesmo tema.
Excelente e simples meditação sobre esta realidade do mundo como preço pago pela liberdade que nos permite evoluir. Achei apenas que o testemunho final, de certa forma insiste na expressa “Deus permite o sofrimento”, quando o Pde. Vasco parece ajudar-nos a compreender que Deus acompanha-nos no sofrimento e sofre connosco. Algo que se alinha com o meu pensamento de que Deus nada permite, mas tudo acompanha para que tudo ofereça uma oportunidade de sentido.
This book reminds us that the freedom is more important than the suffering that human beings can have. The suffering is part of the life and we should think more “for what purpose me” than the “why me?” Amazing book, I highly recommend it.